Surpreenda-se

surprise

É possível que você passe todos os dias pelo mesmo caminho, que você converse sempre com as mesmas pessoas, faça as mesmas coisas, coma as mesmas comidas. É possível que você viva um dia exatamente como o outro, uma hora passando como a anterior, os momentos simplesmente acontecendo uns após os outros. É possível que sua vida seja uma rotina sem fim, um amontoado de coisas semelhantes se sucedendo, de atitudes praticamente idênticas sendo tomadas. Sim, é possível.

Assim como também é possível que em meio ao caminho de sempre você veja algo diferente, que em meio à conversa de sempre você ouça algo pouco familiar e que, ao comer a comida de sempre, você se surpreenda com um novo sabor. Também é possível que aquele dia que tinha tudo pra ser igual ao anterior simplesmente apresente uma cor diferente, aquela hora exale um perfume especial e os momentos sejam surpreendentes. Também é possível que naquela rotina sem fim algo chame sua atenção, trazendo coisas diferentes e impulsionando atitudes que surpreendam. Sim, também é possível.

E o que faz uma possibilidade diferente da outra? Seus olhos, seus ouvidos, seu coração. Se você tiver olhos que vêem, ouvidos que ouvem e um coração que sente, as coisas de sempre viram coisas surpreendentes.

O problema é que a gente tem olhos que não vêem, ouvidos que não ouvem e um coração que não sente. Sim, eles cumprem seu papel funcional, metabólico. Eles estão ali, piscando, retendo ondas sonoras, batendo. Mas apenas isso. Nós os fechamos para as possibilidades e reclamamos de viver sempre mais do mesmo.

Acredite: a vida pode ser surpreendente. Na verdade, ela é. Basta que você preste bastante atenção em uma criança perto de você. Ela enxerga o mundo com olhos de curiosidade, ouve os sons com ouvidos de surpresa, sente a vida com aquele desejo de quero mais. Não à toa, é preciso ser como criança.

Abra os olhos para as cores, para a beleza, para  a simplicidade. Abra os ouvidos para a melodia, para os sorrisos, para os cochichos. Abra o coração para aquele que está perto de você e o convide a fazer o mesmo. Abra-se para a vida e surpreenda-se.

Bússola

compass

Quando se está perdido no meio do nada. Quando não se tem qualquer direção. Quando você anda em círculos e simplesmente não sai do lugar. Quando você precisa de um norte, de um rumo a seguir. Quando você olha em volta e não consegue distinguir norte e sul, leste e oeste. Quando você não sabe pra onde ir, quando não há a menor ideia de pra onde prosseguir. Pra essas horas, pra esses momentos de crucial desespero, uma bússola sempre cai bem.

Que fique claro que ela, dona bússola, não o levará a lugar algum. Ela por ela mesma não empreenderá nenhum esforço no sentido de fazê-lo prosseguir. Ela não é a responsável sequer pelo primeiro passo. O papel dela é simplesmente dizer a você: ali é o norte, ali é o sul, o leste está pra cá e o oeste está pra lá. Com ela em mãos, você tem a exata noção de onde estão os pontos. Agora chegar até lá é com você e suas pernas.

Mas nem por isso a gente pode minimizar a importância que ela tem. Porque sem ela, mais uma vez a gente volta pras situações do primeiro parágrafo: falta de direção, de sentido, de um rumo, um caminho que seja pra prosseguir.

Assim são os sonhos. Eles são a bússola da vida. Eles apontam a direção, eles apontam o caminho, eles nos mostram um ponto além do nada. Mas eles, repito, são apenas bússolas. Se você irá caminhar, quanto esforço irá empenhar. Se você irá vencer, se não irá desistir, não é algo que cabe a eles. Cabe exclusivamente a você.

Como bússolas, os sonhos são de vital importância. Sem eles, simplesmente andamos em círculos e não saímos do lugar. Sem eles, não temos direção e o desespero é uma constante. Mas eles por eles mesmos não nos fazem conquistar; eles por eles mesmos não nos levam a lugar algum. Eles apontam o caminho, eles sinalizam a direção. Eles acendem uma luz, colocam a seta e até podem nos guiar até lá. Mas pra chegar, nós é que precisamos nos esforçar. Nós é que precisamos fazer acontecer.

Ninguém vive apenas de sonhos. Assim como também quem vive sem sonhar nunca sabe que rumo tomar. Por isso, é preciso ter consigo a bússola. E carregar juntamente com ela a coragem, o desejo, a motivação, a força, a fé, a esperança de que vale a pena seguir aquele rumo. De que vale a pena seguir aquele caminho.

Sonhe. Sonhe muito. Mas vá além. Use seus sonhos como bússola para conquistar a realidade que você deseja!

Cobrança de menos, vida a mais

live

Você já parou pra pensar no quanto você se cobra diariamente? Muitas vezes você se cobra por não ter conseguido organizar a casa como gostaria, por ter comido aquele pedaço de bolo, por não ter a vida que sonhou, o companheiro que a TV mostrou. Você se cobra por não estar sorrindo o tempo todo, pela conta vermelha no banco, por não ter tempo pros amigos. Você se cobra por não ter a barriga tanquinho da moça do projeto sei lá o que, por não ter o bíceps da moça do projeto sei lá o que 2, por não conseguir fazer a dieta daquela moça lá do outro projeto.

E de cobrança em cobrança a sua vida vai passando. É, aquele intervalo de tempo em que você realmente podia ser feliz, podia ter vivido intensamente, podia ter feito acontecer, simplesmente acontece sem você.

Quero dizer, se isso não acontece com você, acontece comigo muitas vezes. Estava acontecendo até um tempinho atrás. Cheguei por essas bandas de cá no mês passado e estava me cobrando pelo inglês não perfeito, pelos amigos não feitos, pela saudade que aperta, por não ter conseguido isso e aquilo ainda. Até que, em uma conversa com minha mãe, o estalo veio: não é cobrança de mais e vida de menos?

Não estou dizendo que você não deva se esforçar, correr atrás, fazer o seu melhor. Sim, você deve. Mas isso feito, pronto. Vá curtir a vida. Ou, se não conseguiu fazer o melhor, fez o que podia pro momento, ótimo.

Infelizmente a gente acaba permitindo que as cobranças comandem as nossas vidas. Só que enquanto elas estão no comando, a vida passa. E olha, passa bem rápido, viu?

Então, simbora combinar uma coisa? Vamos viver mais e cobrar menos. Da gente mesmo e do outro também. Vamos exigir menos, querer menos perfeição e nos contentar com aquilo que temos agora. Nesse momento. Porque é nele que a vida acontece, é nele que o milagre aparece. É nele, enfim, que a gente vive de verdade!

Afaste-se para ver

Monet

Os últimos dois dias foram simplesmente extenuantes. Como calouros, tivemos uma programação intensa que incluía apresentação dos professores, da universidade, almoço, jantar, encontro com veteranos, confecção de identificação, entre muitas outras coisas. Além disso, também tivemos que escolher as aulas que faremos o que, dentro de um esquema de mestrado, pode ser extremamente assustador.

Pode ser não, foi. E ainda está sendo. Somando a isso o fato de que sou uma caloura que não tem o inglês como primeira língua, dá pra imaginar que meu desespero é ainda maior do que o dos meus colegas. O que, claro, aumenta a insegurança e leva a uma vontade imensa de jogar tudo para o alto e simplesmente voltar praquilo que é confortável e seguro.

Ontem, depois de todas as atividades do dia, estava conversando sobre uma peça decorativa que minha colega de apartamento deseja colocar na parede: uma réplica de um quadro de Monet. E, enquanto conversávamos sobre ela, me lembrei de algo que é bastante característico nas obras desse pintor: por conta de suas pinceladas fortes e marcantes, as paisagens impressas em suas telas se tornam mais nítidas à medida que nos afastamos delas.

Fiquei pensando nas pinceladas que andam sendo dadas na tela da minha vida nesses dias e no quanto elas me parecem confusas. Como estou muito perto do quadro, tudo parece confuso, feio e assustador. Mas com certeza, quando me afasto um pouco mais, posso enxergar as cores, as nuances, os detalhes que de tão perto me passam despercebidos.

Não é simples afatar-se. Não é fácil tomar um ar e ver as coisas de outra perspectiva. Mas é necessário. É preciso fazer isso para não deixar a beleza e o encantamento da vida serem submersos por alguns contratempos que nela são impressos. E essa, a partir de agora, é a minha missão: afatar-me para ver!

Ampliando o significado

Páscoa VM

Coelhos, ovos, chocolates.
Espinhas, calorias, uns quilinhos a mais.
O mal de nosso tempo chama-se reducionismo. Reduzimos a Páscoa a isso. Assim como reduzimos relacionamentos a seguidores, sentimentos a curtidas, toques a cutucões.
Reduzimos, de maneira geral, datas comemorativas a dias vermelhos na folhinha, dias de respirar, folgar e dizer: graças a Deus não tenho que trabalhar!
Só que reduzir, como o próprio nome diz, é diminuir. É retirar o que há de mais precioso e deixar apenas um pequeno sinal do que a coisa realmente é.
Exatamente como fazemos com a Páscoa. Pra se ter uma ideia, a primeira Páscoa não teve ovo, nem chocolate. Foi marcada por chinelo no pé e mochila nas costas.
Parece simples e tolo. Mas esse é um reducionismo de novo. Porque o que realmente aconteceu foi a libertação de um povo depois de 400 anos de cativeiro. O motivo do chinelo no pé e da mochila nas costas era a preparação para uma longa viagem que viria depois da libertação.
Ampliando e não reduzindo, Páscoa significa libertação. Mas também significa preparação para algo novo que está por vir.
Muitos anos depois, a Páscoa foi marcada por uma cruz. Só que, ao contrário do que parece, ela nunca foi redução. Sempre foi ampliação. De amor e de perdão. De vida. De ressurreição.
Libertação. Preparação. Amor. Perdão. Vida. Ressurreição. Não há coelho que dê conta de tudo isso. Nem chocolate suficiente para carregar tanto significado.
E o gostoso é perceber que tudo isso continua à nossa disposição.
Do que você precisa se libertar? Quais sentimentos precisa deixar pelo caminho?
Será chegada a hora de viver um novo momento? Você está se preparando para um novo tempo?
Tempo esse que clama por amor e perdão. Que pulsa vida. Que exige ressurreição.
Engraçado que a gente ainda reduz tudo isso a uma única área de nossas vidas. Mas amplie o significado e deixe a Páscoa permeá-lo por inteiro. Deixe ser Páscoa onde você trabalha. Seja Páscoa para os seus colegas. Viva a Páscoa integralmente. De corpo, alma e mente.
E, claro, como um chocolatezinho. Afinal, ninguém é de ferro!

(Texto especialmente escrito para o café da manhã de Páscoa da Netmídia Propaganda, agência em que trabalho. A imagem que ilustra o post foi desenvolvida para um cliente nosso, a Votorantim Metais Unidade Niquelândia)

Em busca da simplicidade

master

Se fosse simples seria menos gostoso? Talvez. Mas com certeza, se fosse simples seria menos doloroso.

E isso vale pra tudo na vida. Não, não estou reclamando. E antes que você venha me dizer a frase, eu mesma a coloco aqui: pode mesmo ser que a vida seja simples e a gente quem a complique. Agora responda sem titubear: você consegue não complicar?

Ainda não cheguei a essa fórmula. Por mais que tente, quando vejo, lá estou eu presa num emaranhado de pensamentos, sentimentos e outros que tais que me fazem sim perguntar: cadê a simplicidade?

No meu caso, a grande questão, pode ser a vontade de ter certeza. Sim, eu gostaria, ao menos uma vez, de saber que o que quer que seja é certo, garantido. Mas eu sei: não há garantias. A vida é caprichosa e simplesmente se recusa a oferecer qualquer certificado. Quando pedido, ela ri e diz: “La garantia soy yo!”

E de risada em risada eu sigo, confesso, sem entender quase nada. Buscando uma simplicidade que tenho pouca esperança de encontrar. Talvez, eu esteja procurando no lugar errado. Talvez ela seja apenas uma utopia.

Utopia que, caso algum dia seja encontrada, com certeza será fonte de alegria.

O que temos em mãos

Nesse final de semana, uma amiga fez um comentário no Facebook bastante pertinente que me deixou pensando. Dizia ela que a gente faz lista de tudo: de supermercado, do que precisa fazer durante a semana, das contas a pagar, do que quer ganhar de aniversário. Mas que, normalmente, a gente deixa de lado a lista mais importante de todas: a de agradecimentos.

O mais interessante é que esse comentário encaixou-se perfeitamente com a conversa que tive com outra querida amiga. Conversávamos sobre uma viagem que ela acabara de fazer e ela, toda feliz, dizia que tinha sido muito bom mas que era hora de voltar à vida real. Uma vida cheia de altos e baixos mas que ela simplesmente amava, porque era a vida que ela tinha. Chegamos, juntas, à conclusão óbvia de que esperto é quem curte a vida que tem e não a que gostaria de ter.

Pra curtir a vida que temos, precisamos ser gratos por aquilo que se encontra em nossas mãos. A gente passa tanto tempo desejando coisas, esperando situações, sonhando com momentos, que acaba não aproveitando aquilo que já faz parte da nossa rotina, do nosso dia a dia. Ou seja, a gente foca tanto no futuro, que deixa o presente passar sem nem perceber.

Agradecer funciona como um lembrete de que a vida acontece no aqui e no agora. Nos prende ao tempo presente, nos levando a curtir cada mínimo acontecimento, cada mínimo momento, já que é o que temos. Já que é aquilo que realmente podemos aproveitar ao máximo.

Assim, uma lista de agradecimentos abre os nossos olhos pra o que se encontra no nosso presente. Nos faz enxergar o que temos em mãos e com o que realmente podemos contar. E acredite, nos faz ver que, ao contrário do que realmente pensamos, temos muito mais do que imaginamos. E muitos, muitos motivos, para realmente sermos gratos!