Surpreenda-se

surprise

É possível que você passe todos os dias pelo mesmo caminho, que você converse sempre com as mesmas pessoas, faça as mesmas coisas, coma as mesmas comidas. É possível que você viva um dia exatamente como o outro, uma hora passando como a anterior, os momentos simplesmente acontecendo uns após os outros. É possível que sua vida seja uma rotina sem fim, um amontoado de coisas semelhantes se sucedendo, de atitudes praticamente idênticas sendo tomadas. Sim, é possível.

Assim como também é possível que em meio ao caminho de sempre você veja algo diferente, que em meio à conversa de sempre você ouça algo pouco familiar e que, ao comer a comida de sempre, você se surpreenda com um novo sabor. Também é possível que aquele dia que tinha tudo pra ser igual ao anterior simplesmente apresente uma cor diferente, aquela hora exale um perfume especial e os momentos sejam surpreendentes. Também é possível que naquela rotina sem fim algo chame sua atenção, trazendo coisas diferentes e impulsionando atitudes que surpreendam. Sim, também é possível.

E o que faz uma possibilidade diferente da outra? Seus olhos, seus ouvidos, seu coração. Se você tiver olhos que vêem, ouvidos que ouvem e um coração que sente, as coisas de sempre viram coisas surpreendentes.

O problema é que a gente tem olhos que não vêem, ouvidos que não ouvem e um coração que não sente. Sim, eles cumprem seu papel funcional, metabólico. Eles estão ali, piscando, retendo ondas sonoras, batendo. Mas apenas isso. Nós os fechamos para as possibilidades e reclamamos de viver sempre mais do mesmo.

Acredite: a vida pode ser surpreendente. Na verdade, ela é. Basta que você preste bastante atenção em uma criança perto de você. Ela enxerga o mundo com olhos de curiosidade, ouve os sons com ouvidos de surpresa, sente a vida com aquele desejo de quero mais. Não à toa, é preciso ser como criança.

Abra os olhos para as cores, para a beleza, para  a simplicidade. Abra os ouvidos para a melodia, para os sorrisos, para os cochichos. Abra o coração para aquele que está perto de você e o convide a fazer o mesmo. Abra-se para a vida e surpreenda-se.

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Inventariando

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A ideia inicial era postar os textos que eu mandava por email para alguns amigos que, vez por outra, cobravam um espaço onde tivessem acesso a todos eles, juntinhos. Além disso, também precisava exercitar minha escrita que andava um tanto quanto enferrujada. Assim, há um ano, nascia o Inventário.

Nos primeiros meses, quem morou espaçosamente nessa casa foi Dona Poesia. Dividia, muito a contragosto, seu espaço com Dona Prosa. Mas sempre fazendo biquinho. Acostumadas que estavam a ter um lugar só seu, foram tomadas de assalto quando textos motivacionais requereram um cantinho. Pronto, estava armada a bagunça.

Só que as mudanças não pararam por aí. De repente, sem que eu me desse conta, meus personagens foram se despedindo e um grande espaço foi aberto no meio do palco. E lá estava eu, Renata Cabral, sem subterfúgios, sem máscaras, completamente desnuda, falando de mim mesma.

As dores que antes eram de outros passaram a ser as minhas. As alegrias também. E o que antes era apenas periférico tornou-se algo central: as minhas lutas com muitos dos fantasmas que me assombraram por um longo tempo.

Como vocês sabem, eu os tenho vencido. Tenho os expulsado um a um de minha vida e o Inventário tem muita responsabilidade nisso. Hoje, com certeza, sou uma pessoa mais leve (inclusive no sentido literal), mais aberta, mais completa e muito mais feliz. E você, querido leitor, também faz parte de tudo isso.

O que teremos para o próximo ano? Sinceramente não sei. E prefiro não saber. Prefiro deixar aberto o espaço para que a vida, e o Inventário, nos surpreendam mais uma vez!

Surpresas

Ontem me aconteceu algo surpreendente. Realmente surpreendente. Resumindo a situação, um dinheiro que acreditava ter perdido foi extornado pra minha conta. E eu, que acreditava que a quantia realmente tinha ido pro beleléu, fiquei o dia inteiro boquiaberta, com cara de: uau!

Engraçado o poder da surpresa em nossas vidas. A gente ganha um sorriso bobo no rosto, uma quentura no coração e um monte de borboletas na alma. O corpo parece ganhar asas e a mente acompanha o vôo, livre, leve e solta por aí. Somos, enfim, invadidos pela consciência do assombro.

Uma consciência que o ordinário, o comum, nos faz perder em meio a rotina. No dia a dia, somos levados a enxergar tudo da mesma forma, tudo pasteurizado, tudo em tons de cinza. Não há céu azul que nos encante, não há pássaros que chame nossa atenção. Não há cor que nos fisgue. Até que ela, dona surpresa, de repente aparece e nos tira do marasmo. E coloca, em nossos olhos, óculos de criança. E lá vamos nós ficar embasbacados, encantados, assombrados.

E não precisa ser uma surpresa gigante não. As pequenas surpresas também tem esse poder. Elas nos fazem parar, suspirar e nos assombrar. Mesmo que por um momento, eles nos fazem voltar a ser criança.

Diante disso, fiquei pensando em como cada um de nós pode levar o assombro a vida uns dos outros. Sim, porque também podemos surpreender. Podemos colocar pequenas surpresas no caminho daqueles que amamos, no caminho daqueles que nos cercam. E assistir, de camarote, o que só uma surpresa é capaz de fazer.

Assim, nessa semana, tenho como desafio surpreender alguém. Ainda não sei como. Nem sei ao certo o que fazer. Mas sei que quero levar até alguém a sensação de que sim, assombrar-se ainda é possível!