Metade saudade

saudade

Era uma vez uma moça que tinha um blog. Blog que este que começou sendo um espaço de poesia, depois virou um lugar pra um dedo de prosa, passou a abrigar motivos dietísticos e afins pra, no fim, falar inglês. Vai ver que, por conta de tantas mudanças, o blog ficou assim meio perdido, sem saber o que fazer. Ou quem sabe a dona do blog foi quem se perdeu no meio do Tennessee, com trabalhos e provas pra todos os lados.

***

A verdade é que, mais de 40 dias depois, cá estou eu de volta. E o que aconteceu nesse tempo? Senta que lá vem história…

***

Once upon a time…

***

A grande novidade é que dia 20 de maio embarco para o Brasil onde fico até o início de agosto. Serão mais de dois meses matando saudades.

***

Serão mais de dois meses com saudades.

***

Sim, porque agora deixo uma parte de mim no Tennessee. Pessoas queridas (professores, colegas, amigos) que me perguntam quando volto, que dizem que vão me buscar se eu não voltar, que falam que vão sentir saudades.

***

E a moça do blog fica assim, metade feliz, metade saudade.

***

Gostaria de dizer que vou atualizar mais o blog, que vou movimentá-lo mais, mas sinceramente não sei. Serão dias gostosos, com uma segunda cirurgia plástica no meio do caminho e muitos, muitos queridos pra rever.

***

E, claro, serão dias de saudades também. Porque agora eu descobri que sou metade! 😉

 

 

Anúncios

3 meses, 90 dias, 2160 horas…

1462934_10201468518047407_1470777267_n

De acordo com quem já passou por uma experiência parecida com a minha, as coisas começam a ficar mais fáceis a partir de agora. A gente começa a se acostumar com essa nova vida e parece que finalmente a ficha cai e a gente percebe que agora o nosso lugar é aqui.

***

Posso dizer com certeza que o inglês torna-se, a cada dia, menos complicado. Ainda não digo no quesito conversação, mas no que diz respeito a entender o que o outro está dizendo, as coisas andam sim mais fáceis.

***

Ao contrário do que eu imaginei, a parte acadêmica da minha experiência está sendo bem mais simples. Minhas notas estão todas MUITO boas e tenho conseguido acompanhar BEM as aulas. Creio que fecho o semestre com um saldo pra lá de positivo.

***

By the way, os brasileiros têm a melhor fama na universidade que estou estudando. Todos sempre com as melhores notas. We rock, people!

***

Mas também, ao contrário do que imaginei, a parte emocional está sendo bem MAIS complicada do que eu imaginava. Que faltam vocês fazem, pessoas!

***

Apesar de ainda não ter carro (o que é algo que atravanca um pouco o progresso), já consigo saber onde as coisas se encontram e, inclusive, consigo fazer algumas sugestões de lugares pra ir. Especialmente bons restaurantes, com saladas e coisas saudáveis! 😀

***

O inverno ainda não chegou, mas já peguei -7°C por esses lados de cá. Acredite: tem horas em que o frio vem morar dentro da gente! (e não adianta nada você usar milhares de roupas!)

***

Se tem valido a pena? Como diria o poeta predileto do meu pai, tudo vale a pena se alma não é pequena! (e o que tenho descoberto nesses dias, é que a minha é gigante pra caber toda a saudade do mundo dentro dela!)

O nome da lágrima

tears
Tem hora que não adianta respirar fundo, não adianta tentar pensar em outra coisa, não adianta racionalizar. Também não adianta pensar que vai passar, não adianta querer adiar, não adianta tentar aliviar. As lágrimas são seres independentes e autônomos. Quando a gente menos percebe, elas jorram pelos olhos.

O mais interessante é observar que elas tem nome. As minhas, nos últimos dias, chamam-se saudade. E elas também tem sobrenome, eu descobri. Saudade dos amigos, saudade da família, saudade do cheiro, saudade da comida, saudade de entender e saudade de ser entendida.

E lágrimas com nome e sobrenome são mais pesadas, densas. Elas não escorrem simplesmente. Elas ficam impregnadas dentro da gente, encharcando o coração, embargando a voz, fazendo flutuar as emoções. Exatamente por isso, elas nunca se vão. Estão sempre escondidas, à espreita, esperando para novamente vir à tona.

A sensação que tenho é que cada vez que desaguam se tornam mais fortes. Num primeiro momento, apenas um fio dágua. Num outro, pequeno riacho. Mais à frente, rio caudaloso. Por fim, mar aberto.

E é nisso que elas me transformaram: num mar aberto de lágrimas onde cada gota tem nome. E sobrenome. Saudade de alguém. Saudade de quem me quer bem.

Fazendo as malas

mala
Ontem, no caminho de Brasília pra Goiânia, olhando a paisagem, senti um nó na garganta. Os olhos se encheram de lágrimas e eu achei melhor segurar o choro. Afinal, a moça que estava ao meu lado no ônibus com certeza não entenderia.

Demoraria muito pra explicar que ali começava a minha despedida, que aquela seria uma das últimas vezes, ao menos nos próximos quatro anos, em que eu veria essa paisagem tão minha conhecida. Demoraria muito pra atualizá-la sobre a mudança continental que, em menos de um mês, será uma realidade na minha vida.

Preferi poupar a moça das minhas lágrimas e me poupar. Porque a verdade é uma só: de agora em diante elas não vão faltar. Começo a olhar os lugares, as coisas e, principalmente as pessoas, com ar de saudade. Com aquela vontade enorme de ficar observando pra guardar cada detalhe e levá-los comigo.

E pra onde pretendo carregar tudo isso? Pro Tennessee, minha mais nova casa a partir de agosto. Serão 4 anos num país diferente, falando uma língua diferente, longe de tudo o que hoje faz parte da minha realidade. Serão 4 anos realizando um sonho: dar continuidade a uma das coisas que mais gosto de fazer – estudar.

Assim, se alguém me pegar por aí olhando fixamente pra algum ponto, já sabe: tou carregando a minha bagagem!