Curtindo o inverno

Então o inverno bate à porta (literalmente e metaforicamente) e algumas posibilidades se apresentam: lutar contra ele, o que já garantiria de cara uma derrota homérica; maldizê-lo, o que não mudaria nada; fazer de conta que ele simplesmente não chegou, o que só tornaria as coisas mais difíceis; aprender a curtí-lo, com toda a sua frieza, os seus incômodos e a sua intensidade. Sim, eu escolhi a última possibilidade e tive uma das tardes mais divertidas desde que cheguei nesse lugar que, carinhosamente, chamo de Snowland.

Tirei inúmeras fotos, curti a neve, quase congelei os dedos das mãos (mesmo estando com luvas), encarei o sledding, encarei a neve fofa e, ao final de tudo, ainda comi um pão de queijo quentinho servido com um delicioso café.

E mais uma vez, fica a pergunta: o que mudou? Com certeza não foi a estação. O inverno continua aqui, inclemente, cancelando aulas e plano, esfriando até o pensamento. O que mudou então? A minha maneira de passar por ele. Se ele é o caminho pra que logo mais eu primavere, pra que logo mais eu floresça; se ele é mesmo gelidamente inevitável, o jeito é aproveitá-lo e fazer de cada floquinho de neve uma lembrança de que logo mais as flores virão!

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Invernando

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Olhar lá fora e ver que a neve não para de cair. Perceber que ela já se acumula sobre as calçadas, as ruas, os carros. Procurar um caminho que seja pra sair e simplesmente não encontrá-lo. Essa é a paisagem que consigo enxergar pela janela da minha casa. E hoje, especificamente hoje, também consigo vê-la pela janela da minha alma.

Nem todos os dias são de sol aqui dentro. Há dias, como hoje, ontem e talvez essa semana toda, em que o inverno chega com força. A neve não para de cair, o vento não para de soprar e todos os caminhos parecem simplesmente interdidados. A tristeza invade, a melancolia chega e um cobertor costurado com saudade é a única coisa que aquece. Inverna dentro de mim.

Talvez, pra quem vê de fora, a paisagem parece linda, perfeita. Há neve por todos os lados, uma película branca cobre toda a paisagem. Mas pra quem consegue enxergar um pouco mais além, o inverno pode ser desolador: não há folhas, não há flores, não há frutos. Há apenas resquícios do que se foi.

Desesperador? Enquanto se está no meio dele, provavelmente. Muita energia, muito esforço despendido e tudo o que se vé é desolação. Quanto mais se luta contra, menos se avança.

Então, o que fazer? Talvez, o mais correto, seja entender que invernar faz parte do ciclo. É preciso o inverno chegar, e passar, pra que finalmente a primavera chegue. É preciso que caiam as folhas para que no momento certo as flores apareçam. É preciso que a paisagem se transforme pra que, dentro de algum tempo, ela se renove. É preciso suportar o frio pra que o coração lá na frente se aqueça.

Por mais que eu não veja, é invernando que posso um dia primaverar. 🙂

Aprendendo com as estações

Autumn Spectrum 10/10/10
Como diz a música, mudaram as estações. No Brasil, primavera. Desse lado de cá, outono. Duas estações que podem nos inspirar a mudar também.

No outono, as folhas amarelam e caem. É chegada a hora de preparar a árvore para a estação mais fria do ano e as folhas não terão qualquer uso no inverno. Na primavera, as flores aparecem, perfumando e embelezando a paisagem. Mas mais do que isso, elas preparam a árvore para os frutos que virão.

Assim como as árvores fazem no outono, precisamos aprender a nos libertar, a deixar pra trás, tudo aquilo que temos carregado inutilmente. Principalmente conceitos, pré-conceitos e tantos pensamentos – a nosso respeito e a respeito daqueles que nos cercam.

Com o outono aprendemos que peso extra não colabora nos momentos mais complicados. Peso extra só atrapalha no inverno. Peso extra só machuca, fere e, muitas vezes, mata.

Já com a primavera aprendemos que é preciso florescer, é preciso enfeitar o mundo com beleza e cores. E mais do que isso. Ela nos ensina que precisamos florir para frutificar.

Infelizmente, muitas vezes queremos o fruto sem a flor. E queremos também o fruto sem a dor do outono. Mas é no outuno, quando as folhas caem, que normalmente os frutos aparecem. É preciso abrir mão, deixar ir, pra poder frutificar.

Primavera e outono. Duas estações tão diferentes mas unidas com um propósito: os frutos. Uma prepara a planta para que eles venham. A outra permite que eles apareçam.

Que assim como eu tenho pensado nesses dias, que você esteja pronto a fazer o que for necessário pra que os tão almejados frutos surjam em sua vida. Abra mão. Floreça. E frutifique!