O que te define?

who you are

Algumas pessoas se deixam definir por aquilo que falam delas. Outras se deixam definir exatamente por aquilo que não falam. Tem aquelas que são definidas pelos números mostrados na balança, na calça jeans e na camisa. Tem também quem se define por aquilo que tem, enquanto outros se deixam definir exatamente por aquilo que não tem. Sem contar aqueles que deixam sua definição nas mãos da TV, dos jornais, das revistas, das redes sociais. 

Tem gente que se define por suas limitações. Tem outros que são definidos pelos seus problemas. Tem também aqueles que são definidos por marcas do passado ou mesmo do presente. Tem gente que se define por onde veio, por sua família, por suas origens ou falta delas. Tem gente que se define por suas emoções – muitas vezes negativas – em relação a tudo. Enfim, tem muita gente que se deixa definir pelos outros, pelas circunstâncias ou simplesmente por aquilo que vem de fora.

Só que eu preciso te contar um segredo: você não precisa se deixar definir por nada disso. Basta que você decida conscientemente o que te define. Se você decidir que não é a sua aparência que te define, que não é o que você tem que te define, se você decidir que o que te define é quem você é de verdade, tudo muda!

Parece clichê, parece livro de autoajuda, parece mais um textinho motivacional? Sim, parece! Mas quando você assistir ao vídeo abaixo você vai finalmente entender que você tem sim escolha. Você pode escolher ser definido pelo que os outros dizem ou pelo que você é. Você pode escolher ser definido pelo que a balança diz e pelo que você é. E a minha torcida é que você tenha a coragem pra escolher ser definido por quem você é de verdade!

E aí, o que você vai deixar que defina você?

***

Post sugerido, há muito tempo atrás, pela Lenir. Brigada pela dica, sis! 😉

A ponte

bridge
O coração apertava e a respiração, ofegante, deixava claro que todo o corpo acompanhava a angústia da alma. Sabia o que precisava ser feito, apenas não tinha coragem de admiti-lo pra si mesma. Durante semanas vinha lutando contra o inevitável e, face às respostas que encontrava pelo caminho, sabia que a hora se aproximava. Repetia pra si mesma que não conseguiria, que seria complicado, que seria difícil, que seria pesado. A verdade era que já se acostumara a se arrastar com aqueles enormes pesos. Tinha medo de simplesmente deixá-los pelo caminho e seguir. Eles já faziam parte dela e daquilo que ela fazia todos os dias. Só que ela sabia que não duraria pra sempre e que cabia a ela mesma livrar-se daquilo que a prendia. E se o que a prendia fosse o que mais amasse? E se o que a prendia fosse o que mais estimasse? Ela jamais saberia se não cruzasse a ponte e se libertasse. Tomou coragem, tomou fòlego e se jogou. Ao contrário do que pensou, ela não caiu. Mas também não caminhou. Simplesmente, flutuoou.

Presente!

moment

Quando a gente muda de país, algumas coisas tornam-se latentes logo nos primeiros dias: a língua que falam não é a sua, as pessoas são diferentes, a comida é diferente, existe uma burocracia que lhe é desconhecida e normas sociais que você não domina. Resumindo, as diferenças – muitas vezes gritantes – se tornam latentes logo de cara.

E junto com as diferenças pode vir junto uma sensação de não-pertencimento. Você sente que não pertence àquele lugar, àquele povo, que você não faz parte do que está acontecendo naquele momento. Você quase consegue se ver como uma outra pessoa, vivendo num outro mundo. Você se sente, em certa medida, um ET.

Essa é uma sensação normal e acontece provavelmente com todos que vivem uma experiência transcultural. Só que o problema é que quanto mais você se permite senti-la, mais você agirá como alguém que não pertence. Sim, porque é aquela coisa: o que você pensa determina como você sente, que determina como você age.

Não estou dizendo aqui que você deve suprimir o sentimento. Nada disso. Mas aprendi, nesses últimos dias, que é preciso transformá-lo. Num primeiro momento, sente-se como um ser que não pertence ao lugar. Mas depois, a ótica precisa ser mudada para algo bem simples: eu pertenço ao lugar em que estou nesse momento. Ou seja, no presente eu pertenço a esse lugar.

Pode ser que amanhã eu já não pertença. Mas se estou aqui, agora, eu pertenço sim a esse lugar. E eu preciso estar aqui, presente, pra desfrutar de tudo o que ele pode me oferecer.

E essa máxima não vale apenas para quem vive em outro país ou longe de casa. Vale para quem mudou de emprego, para quem está num novo relacionamento. Ou melhor, vale para todo mundo que olha em volta em determinado momento e não se sente parte daquilo que está acontecendo.

Claro que se você não se sente parte de algo, você pode mudar. Pode sair do seu emprego, entrar num novo relacionamento, aprender a lidar melhor com as situações. Mas antes de fazer qualquer coisa, tenha a certeza de que você se entregou por inteiro àquele momento. Que você esteve lá quando devia estar.

Porque isso, infelizmente, é algo que fazemos tão pouco. Vivemos o passado, sofremos o futuro, mas deixamos o presente abandonado. Então, que tal vivê-lo intensamente e se fazer presente? Eu aceitei o desafio e estou fazendo a minha parte!

Destruindo pontes

ponte

O que  a gente mais ouve hoje em dia, especialmente em ambientes corporativos e religiosos, é que precisamos ser construtores de pontes. Que o mundo precisa daqueles que ligam uns aos outros, que interligam sonhos, que conseguem aglutinar pessoas em torno de projetos e ideais. Diante disso, ouvir alguém dizer que é preciso destruir pontes pode soar bastante estranho. Mas acredite: é extremamente necessário.

Vez por outra nos pegamos em situações que exigem de nós avançar sem olhar pra trás, que pedem que simplesmente nos lancemos ao desconhecido, que avancemos. Ou ainda, entendemos que é hora de sair da zona de conforto e enfrentar o que está à nossa frente. Ou, quem sabe, percebemos que certos comportamentos, pensamentos, nos prejudicam e é hora de partir pra novos hábitos. É aqui que a destruição de pontes entra e se torna fundamental.

Se deixarmos algumas pontes que nos ligam ao passado ou à nossa zona de conforto ou àquilo que desejamos abandonar, é muito provável que utilizemos dessas pontes quando as coisas apertarem ou mesmo forem difíceis. Daí a necessidade de uma atitude radical: implodi-las.

Um exemplo extremado dessa situação acontece quando um dependente químico em reabilitação decide simplesmente romper com praticamente todas as suas amizades. Ou resolve ficar mais recluso, tomando bastante cuidado com os lugares aonde vai. Ele destrói as pontes porque sabe que a tentação de passar por elas e voltar ao passado o assombra a todo o momento e, tudo o que ele realmente deseja, é simplesmente seguir em frente.

Talvez esse seja o seu caso. Você sabe que é chegada a hora de seguir em frente. Sabe que precisa caminhar rumo a um novo patamar. Então, que tal se preparar para ser um destruidor de pontes? Num primeiro momento, pode até parecer algo muito radical e sem sentido. Mas logo ali, depois da ponte, você vai entender que era o que você realmente precisava fazer!

O que tenho a dizer

espelho

Dói, uma dor intensa e aguda. Do que eu podia ter sido e não fui.
Dói, uma dor intensa e profunda. Do que eu podia ter feito e não fiz.
Dói. E dói muito. E dói sempre. Angustiando a mente, dilacerando o coração.
Dói. E o corpo sente. E o corpo mente. E engana a gente.
Dói. No passado e no presente. E num futuro ainda ausente.
Dói. Com intensidade e profundidade. E tão ridiculamente, que chega a rimar.
Dói. De tal forma e de tal jeito, que nenhuma palavra consegue expressar.
Dói. Tão densamente que as lágrimas pesam e não consegue rolar.
Dói. Dói. Dói.
Dói simplesmente.

***

Muita coisa acontecendo e, ao mesmo tempo, nada de realmente relevante. Só uma angústia e uma tristeza no peito que não vão embora de jeito nenhum. Como esse não é um espaço pra mimimi, tenho pensado e repensado sobre o que postar e como postar. Mas, mesmo assim, resolvi colocar o texto acima que resume um pouco o nó na garganta que tem tomado conta de mim.

Vai passar, eu sei. Não há noite que dure, nem tempestades eternas. Mas, nesse momento, dói. E isso é tudo o que tenho a dizer.

Só por hoje

Se você tem a sensação de que já ouviu essa frase em algum lugar, te digo de onde: de grupos de apoio como os alcoólicos anônimos, narcóticos anônimos e por aí vai. Dela, derivam 4 outros pensamentos:

1- Só por hoje, vou procurar viver unicamente o dia presente, sem tentar resolver de uma vez só todos os problemas da minha vida. Durante 12 horas posso fazer qualquer coisa que me assustaria se eu pensasse que tinha de fazer por uma vida inteira.
2- Só por hoje vou estar feliz. A maior parte das pessoas é tão feliz quanto se dispõe a sê-lo.
3- Só por hoje, vou tentar ajustar-me à realidade e não tentar adaptar tudo aos meus próprios desejos. Vou aceitar a minha sorte como ela vier e vou moldar-me a ela.
4- Só por hoje, vou tentar fortalecer o meu espírito. Estudarei e vou aprender alguma coisa útil. Não vou manter o meu espírito ocioso. Vou ler alguma coisa que exija esforço, pensamento e concentração.

Engraçado que, quando a gente lê o Só por hoje, parece tão simples, tão óbvio. Mas mais engraçado ainda é perceber que, apesar de achar isso, a gente acaba vivendo, tantas vezes, exatamente o contrário. A gente vive o amanhã, a gente vive o mês que vem, a gente vive todo esse ano. Ou melhor, a gente tenta viver tudo isso e acaba não vivendo coisa nenhuma.

E sabe por que isso acontece? Porque a única coisa que realmente posso viver é o tempo presente. O hoje, o agora.  Quando tento viver o amanhã, o depois, o ano inteiro, acabo desperdiçando minhas energias e me frustrando, já que o amanhã será vivido em seu tempo, não hoje. Acabo elevando minha ansiedade à máxima potência, estressando-me também ao máximo e simplesmente me esgotando.

Só por hoje é, literalmente, uma dádiva. Quer um exemplo? Pra quem vive um momento de reeducação alimentar, pensar que é preciso controlar-se um ano inteiro, um longo período, é extremamente desanimador. Mas só por hoje é possível. Praqueles que precisam mudar velhos hábitos, pensar em fazê-lo constantemente é frustrante. Mas só por hoje é possível. Se você deseja passar em um concurso, pensar que deixará de lado sua diversão e terá que ficar focado nos estudos durante um longo tempo é desesperador. Mas só por hoje é possível.

O nosso mal é querer viver todas as eras e deixar de lado a mais importante: a do agora. É tatuar no braço o “Carpe diem” e esquecer de tatuá-lo na alma, no coração. É tentar antecipar tudo o que nos diz respeito e esquecer de respeitar a nós mesmo hoje, agora.

Só por hoje eu posso dizer não a algo extremamente delicioso sem ficar me martirizando por isso. Só por hoje, você pode acordar um tiquim mais cedo e ir correr no parque. Só por hoje você pode respirar fundo e não cair na pilha daquele mala do seu trabalho. Só por hoje você pode dedicar-se ao estudo daquela língua que você quer tanto aprender. Só por hoje você pode investir mais na sua relação, surpreendendo o outro.

Só por hoje volta nossos olhos pro momento mais importante da nossa existência: o agora. E alivia nossa bagagem do peso extra do amanhã, fazendo da nossa jornada muito mais produtiva. E, consequentemente, muito mais leve e feliz.