Toc, toc, toc

Mudar é preciso. Esse é um fato inegável que, vez por outra, nos assombra. Pequena ou grande, não importa. De tempos em tempos a mudança bate à porta e fica ali, martelando, incomodando.

Muitos preferem fingir que não há ninguém à porta. As batidas estão lá, segundo após segundo, mas os ouvidos teimam em fazer de conta que nada está acontecendo. Os dias passam, os meses passam, e a necessidade daquela mudança caduca. Dando espaço a outras que vão surgindo, uma após outra.

Mas não se engane. Apesar de caducar, essa necessidade bateu tanto, mas tanto à porta, que deixou ali sua marca. Marca que nem os anos apagam. Marca que se carrega pra sempre, como um lembrete: a necessidade de mudança passou por aqui. E você passou por ela.

Além de preciso, mudar é parte indissociável do crescimento. Você cresce porque muda e também muda porque cresce. Fugir das mudanças ou mesmo ignorá-las é, de certa forma, negar-se a crescer. E convenhamos, Peter Pan só tem graça no mundo da Disney World.

Claro que aceitar a mudança não é um processo simples. Assim como crescer também não o é. Mas apenas abrir a porta pra que ela entre em casa não significa que a mudança está completa. É preciso abrir a porta, convidá-la a entrar e dar espaço para que ela faça as alterações que se fizerem necessárias.

E isso, claro, nunca é simples. Implica em aceitar que coisas que estavam ali, há anos, simplesmente sejam lançadas fora. Significa, muitas vezes, tirar a mobília de lugar, arrastando todos os móveis. Significa encarar sujeiras que lançamos debaixo do tapete e faxinas que deixamos de fazer. Significa, enfim, ver a casa de pernas pro ar e, tantas vezes, não poder fazer nada a não ser esperar até que tudo se normalize.

Porque geralmente é isso o que acontece: uma mudança, por menor que seja, implica em alterações que nos desestabilizam. Só que é esse aparente desequilíbrio que nos permite trabalhar áreas que muitas vezes estavam escondidinhas, guardadinhas e que, sem a mudança, jamais seriam notadas.

Assim, quando a mudança bater, abra a porta com um sorriso no rosto. Por mais que o caos tenha chegado à sua casa, uma oportunidade única de crescer e se desenvolver acaba de chegar também!

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Descarrilada

Pois bem. O fato é que esse trem que atende pelo nome de Renata Cabral Vicente simplesmente descarrilou. E não foi apenas em parte. Foi completamente. Não temos apenas a locomotiva fora dos trilhos. Temos todos os vagões fora deles também. Não há nada, repito, nada, que tenha permanecido sob o trajeto original. Há vagões jogados por todos os lados e ainda estou em busca da locomotiva perdida.

E, por mais que reine o caos, ando pensando seriamente que talvez esse seja um bom momento para rever os trilhos sobre os quais tenho andado. E o caminho para onde eles me levarão. Ou seja, tenho enxergado no descarrilamento a oportunidade perfeita para rever a minha rota.

Aonde quero chegar? O que realmente pretendo fazer? Será que é isso mesmo que quero pra mim? Essas são apenas algumas perguntas que pretendo responder antes de colocar toda a parafernália de volta pra andar. Claro que algumas certezas eu tenho. Mas até elas ando me dando o direito de questionar. Porque, afinal, se é pra mudar, que não fique trilho sobre trilho!