Em obras

Durante um bom tempo da minha vida, fiz de conta que tava tudo bem. Coloquei um sorriso forçado no rosto e tentei levar as coisas de forma que não tivesse que encarar a realidade. Só que, com isso, fui engolindo sentimentos, desejos, pensamentos e, quando dei por mim, dona realidade apareceu na balança e, com ela, trouxe quase 140kg de brinde.

Por mais clichê que pareça, acredite, não há como fugir de você mesmo. Não adianta fazer de conta que não se vê, que não se percebe, que não se sente. Chega uma hora que, em alguma esquina, em alguma curva, você dá de cara com você mesmo. E aí, não resta outra saída a não ser acertar as contas. E foi exatamente o que eu fiz.

Decidi que era hora de arrumar a casa. Mas a coisa tava tão bagunçada, tão de pernas por ar (afinal, foram anos de negligência), que tive que colocar tudo pra fora. Abri todos os cômodos, as gavetas e tirei tudo o que havia ali. Fui jogando fora sentimentos, pensamentos, pré-conceitos. Fui varrendo de mim mesma todo o lixo e ensacando tudo o que estava vencido.

Depois, foi a hora de avaliar a estrutura da casa. Vazia, pela primeira vez em muito tempo, mostrou-se como realmente era: um lugar com necessidade de reforma e cuidados imediatos. E lá fui eu, derrubar paredes, reconstruir muros, reforçar as estruturas.

De lá pra cá, estou no meio do processo de decoração. Como muita coisa foi jogada fora, ando escolhendo com cuidado o que irá fazer parte da minha mobília, o que irei colocar na parede. Mas de uma coisa tenho certeza: não quero colocar aqui dentro nada que os outros achem que devo colocar. Somente aquilo que realmente me serve.

E o que me serve? Ainda estou descobrindo. Mas já sei, com certeza, algumas coisas que não me servem. Padrões de beleza, por exemplo, não decoram minha casa. Sou única, sou singular e tenho tentado, do meu jeito, respeitar quem eu sou. Apesar de estar envolvida em um processo de emagrecimento, que inclui sim uma parte estética, tenho, a cada dia, tentado me livrar da obrigação de me tornar como a moça da revista. Que, verdadeiramente, não sou.

O que sou, enfim? Hoje, uma pessoa em busca da leveza, de descobrir o jeito de viver que a faz realmente feliz. Uma pessoa aprendendo a se cuidar, aprendendo a se amar e que está sim, curtindo todo esse processo. Uma pessoa, em obras. Simples assim (ou nem tanto…).

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Sobre padrões e tudo mais, Catylinda me mandou um link com um texto excelente. Leiam, leiam, leiam. E depois, reflitam, reflitam, reflitam. E, se necessário, mudem, mudem, mudem. 🙂

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Abrigo

Não vou ficar de mimimi, mas tem sim muita coisa acontecendo por essas bandas. Muita coisa acontecendo fora de mim mas muita, muita mesmo, rolando bem aqui dentro. E quando esse turbilhão se une a um cansaço monstro, ligo as luzes vermelhas. Fico mais sensível, mais susceptível a machucados e arranhões, mais perto do pé na jaca na reeducação alimentar e ainda mais inclinada a colocar meus óculos cinzas. Pra que isso não aconteça, tenho tentado respirar fundo. E tenho orado muito, muito mesmo, o que tem feito toda a diferença.

Diante de tudo isso, confesso, a vontade de escrever simplesmente desapareceu. Sei que já disse uma vez, bem aqui, que quando o coração aperta, eu choro palavra. Só que nesses últimos dias, tenho tido a sensação de que preciso recolher minhas gotas só pra mim. Assim, tenho desejado apenas um lugar pra ficar quietinha, esperando o furacão passar.

Antes que vocês se preocupem, tá tudo bem. É, por mais estranho que possa parecer. Não são só coisas ruins que tem pintado por esse lado. Tem muita coisa boa, muita surpresa. Só que pra receber tudo isso, tenho precisado de uma arrumação monstra do lado de dentro e isso sim tem tomado tempo. E muita, muita reflexão.

Enfim, não se assustem com as poucas palavras (ou até o silêncio) dos próximos dias. Estou em obras! 😉