Quando nada muda

mudança

Minhas duas últimas semanas foram bastante tensas, pra dizer o mínimo. Ansiedades mil por conta de uma prova e muita pressão no trabalho. O resultado? Uma sensação de incapacidade e de torpor invadiu todo o meu ser, simplesmente me paralisando.

E essa paralisia, além das causas acima mencionadas, teve outra causa: a ideia de que em 2013 tudo seria diferente. Ou melhor, a ideia de que tudo se tornaria mais claro nesse novo ano. Só que, ao contrário do esperado, nada disso aconteceu. E uma névoa densa, escura, tomou conta da minha vida.

Ou seja, nada mudou. Tudo continuou exatamente igual. O que antes era incerteza continuou incerto, o que antes era esperado continuou na lista de espera. 2012 resolveu se arrastar e tomar conta do meu 2013.

O pior é que eu também não mudei. Reagi como sempre a essa avalanche de expectativas frustradas: com insatisfação, ansiedade e chateação. E vivi as duas semanas mais nebulosas do meu incipiente 2013.

Até que me lembrei de que se nada muda, eu ao menos posso mudar. Se nada do lado de fora acontece, do lado de dentro ainda tenho o poder de fazer acontecer. E ontem, em meio a uma garoa fina, lá fui eu caminhar os 5km mais significativos da minha vida. Saí da toca e resolvi mexer naquilo que eu podia.

De ontem pra hoje, tudo continua igual: a névoa externa não dissipou. Tudo continua como antes. De ontem pra hoje, tudo mudou: do lado de dentro, posso ver, já brilha um tímido sol. Que vai esquentando e trazendo cor pra um coração que andava cansado de ser tão maltratado por mim mesma.

E talvez, esse seja mesmo o grande segredo: quando nada muda, talvez seja a hora da gente encarar a mudança mais importante, aquela que acontece dentro da gente. E, quem sabe, o sol que começa a brilhar do lado de dentro, se expande e começa a brilhar do lado de fora?

Quando nada muda, talvez o mundo esteja esperando que a mudança aconteça primeiro na gente pra que, assim, estejamos preparados pra que ele, o mundo, mude com a gente!

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Lágrimas e lenços

lágrimas

A vontade do dia é sentar e chorar. E quando falo em chorar não digo derramar algumas lágrimas aqui e acolá. Nada disso. A vontade é sentar e deixar-me encharcar por aquilo que ando carregando por dentro.

E o que trago cá no peito? A certeza de que eu já devia ter aprendido certas coisas e ainda não o fiz. A conclusão de que muitas vezes ando em círculos porque não rompi com certos comportamentos. A tristeza intensa de perceber que evolui sim, mas não do tanto que poderia.

Não estou idealizando a pessoa que deveria ser ou que gostaria de ser. Nada disso. Sei quem sou, conheço meus acertos e meus erros. Exatamente por isso, tenho conseguido ser cada vez menos exigente comigo mesma. Mas isso não quer dizer que eu simplesmente me conforme. Sei que existem pontos que precisam de ajustes. E é nesses pontos que a coisa anda pegando.

Achei que estivesse completamente livre da equação ansiedade (ou tristeza ou alegria) = descontrole alimentar, mas estava redondamente enganada. E pude experimentar (literalmente) isso ontem. Já não desconto em doces e afins, mas percebi que ainda desconto. E vamos combinar que começar o ano dessa forma é bastante frustrante.

O pior de tudo é que os próximos 15 dias tendem a ser ainda mais tensos. Por essas e outras, tou indo ali buscar o meu lencinho e já volto.

Na coxia

Semana passada a filhinha de uma amiga, de apenas dois anos, teve alguns probleminhas relacionados com quedas. Numa delas, machucou bastante o rostinho a ponto de parecer que ela havia sido maquiada com tons de roxo na face. Diante dos relatos da mãe da pequena, o tio dela soltou uma frase bem comum por essas bandas: “Ah, mas isso é bom! Ela tá endurecendo o couro”!

O tio dela, claro, não disse isso no sentido de comemorar as quedas. Apenas quis mostrar o que acontece do outro lado da cortina: se as quedas, nessa idade são inevitáveis, pelo menos trazem algo de bom – maior resistência e por aí vai. O mesmo acontece com os pais que deixam, pela primeira vez, seus filhos na escola ou mesmo na creche. A criança, que nunca tinha ficado doente, de repente descobre todos os códigos de doenças possíveis – otite, conjutivite, gripe… – e, diante do filhotinho doente, o que mais se ouve é: “Pelo menos vai ficar mais resistente!”

Hoje, quando terminava mais um capítulo de Implacável, best-seller cristão de John Bevere, fiquei pensando no que acontece nos bastidores, na coxia da vida de cada um de nós. Assim como para os pequenos, as quedas também são inevitáveis pra nós. As topadas de dedo, as batidas na cabeça, os tropeções, nos encontram mesmo que nós fujamos deles. E, diante disso, podemos tomar algumas atitudes: fazer de conta que nada está acontecendo (o que a psicologia chama de negação), nos lamentar pura e simplesmente ou entender que a vida é feita também das dificuldades, seguindo em frente.

De maneira nenhuma, como não canso de repetir aqui, faço uma ode ao sofrimento. Pelo contrário. Como também não canso de dizer, creio que devemos sim evitá-lo ao máximo no que depender de nós. Isso faz parte de ser saudável. Mas é preciso que tenhamos consciência de que algumas dores, alguns arranhões, comporão sim a nossa história, que não é feita apenas do que acontece no palco. Ela também é construída por aquilo que rola nos bastidores. E isso, na maior parte das vezes, foge do nosso controle.

Foge do nosso controle mas, com certa leveza e lucidez, pode ser incorporado ao texto da peça que estamos construindo. Enriquecendo o enredo principal e tornando os personagens ainda mais interessantes. Mas, claro, isso cabe a nós. É o que disse ali em cima: somos nós quem escolhemos como encarar as quedas, os problemas e as dificuldades.

Incorporá-las ao enredo, não é fácil nem indolor. Mas pode, com certeza, trazer resultados inesperadamente positivos. Ou, na pior das hipóteses, podem ajudar a “engrossar o couro”! 😉

 

Toc, toc, toc

Mudar é preciso. Esse é um fato inegável que, vez por outra, nos assombra. Pequena ou grande, não importa. De tempos em tempos a mudança bate à porta e fica ali, martelando, incomodando.

Muitos preferem fingir que não há ninguém à porta. As batidas estão lá, segundo após segundo, mas os ouvidos teimam em fazer de conta que nada está acontecendo. Os dias passam, os meses passam, e a necessidade daquela mudança caduca. Dando espaço a outras que vão surgindo, uma após outra.

Mas não se engane. Apesar de caducar, essa necessidade bateu tanto, mas tanto à porta, que deixou ali sua marca. Marca que nem os anos apagam. Marca que se carrega pra sempre, como um lembrete: a necessidade de mudança passou por aqui. E você passou por ela.

Além de preciso, mudar é parte indissociável do crescimento. Você cresce porque muda e também muda porque cresce. Fugir das mudanças ou mesmo ignorá-las é, de certa forma, negar-se a crescer. E convenhamos, Peter Pan só tem graça no mundo da Disney World.

Claro que aceitar a mudança não é um processo simples. Assim como crescer também não o é. Mas apenas abrir a porta pra que ela entre em casa não significa que a mudança está completa. É preciso abrir a porta, convidá-la a entrar e dar espaço para que ela faça as alterações que se fizerem necessárias.

E isso, claro, nunca é simples. Implica em aceitar que coisas que estavam ali, há anos, simplesmente sejam lançadas fora. Significa, muitas vezes, tirar a mobília de lugar, arrastando todos os móveis. Significa encarar sujeiras que lançamos debaixo do tapete e faxinas que deixamos de fazer. Significa, enfim, ver a casa de pernas pro ar e, tantas vezes, não poder fazer nada a não ser esperar até que tudo se normalize.

Porque geralmente é isso o que acontece: uma mudança, por menor que seja, implica em alterações que nos desestabilizam. Só que é esse aparente desequilíbrio que nos permite trabalhar áreas que muitas vezes estavam escondidinhas, guardadinhas e que, sem a mudança, jamais seriam notadas.

Assim, quando a mudança bater, abra a porta com um sorriso no rosto. Por mais que o caos tenha chegado à sua casa, uma oportunidade única de crescer e se desenvolver acaba de chegar também!

O tal do sofrimento

Vivemos numa sociedade do extremo, não canso de repetir. Somos frutos disso. E, exatamente por essa razão, nossa gangorra está sempre pendendo para um lado. Um exemplo? A maneira como encaramos o sofrimento. Ou o exaltamos como algo mágico capaz de nos tornar super-humanos ou o ignoramos pura e simplesmente.

Mas sofrer, minha gente, faz parte da vida. Assim como ser feliz. Assim como ganhar. Assim como perder. E é inevitável que, no caminho em que percorremos, nos deparemos com o senhor sofrimento em algum ponto da estrada. Nessa hora, tem gente que o abraça de tal forma que nunca mais o larga. E tem gente que foge dele loucamente.

E a via do meio, não existe? Aquela das pessoas que olham para o sofrimento, conversam com ele, tentam imaginar o motivo dele estar ali, o curtem se for necessário mas, no momento certo, simplesmente partem ou o deixam partir?

Não é fácil. Claro que não. Mas é maduro e adulto, eu diria. Até mesmo libertador. Encarar o sofrimento como parte integrante da vida sem exaltá-lo nem rebaixá-lo, pode nos ajudar a crescer sem grandes percalços. Quem nunca ouviu dizer que crescer dói? Ou seja, se não consigo lidar de maneira minimamente saudável com o sofrimento, tenho sérios problemas em crescer. Taí o motivo de vermos tantas crianças grandes por todos os cantos.

Sem contar que mudar também tem lá sua carga de sofrimento, de incômodo. E, se evitamos o danado, acabamos tendo muito mais problemas com as mudanças do que seria necessário. E é bom repetir: mudar é inevitável. Tudo o que é vivo muda, por mais que a gente não queira ou tente evitar.

Crescer e mudar. Se você tem percebido que anda meio estagnado, ou se está na ânsia de, sugiro que encare a questão dos sofrimento de uma maneira diferente. Enxergue-o como parte integrante do processo. Como algo que, de um jeito ou de outro, irá encontrá-lo pelo caminho. Mas que, se bem resolvido, em breve irá deixá-lo. E fará parte da história que você pode e deve construir!

Mudando o mundo

Quem nunca sonhou em mudar as coisas que estão à sua volta? Quem nunca sonhou com um mundo mais justo e com mais igualdade social? Quem nunca sonhou com um lugar em que todos viveriam mais felizes e, consequentemente, fariam do mundo um lugar mais feliz? Enfim, quem nunca sonhou em mudar o mundo?

Tenha certeza de que esses não são sonhos adolescentes ou mesmo juvenis. Em menor ou maior grau, de certa maneira, todos pensamos, em algum momento de nossas vidas, em mudar o mundo. Quando vemos alguma coisa que nos incomoda, que agride nossos olhos e nossa alma, lá vem aquela vontade de mudar tudo, de mexer tudo, de colocar as coisas no lugar.

Mas daí, a gente para e pensa: o mundo é muito grande. Tem mais de 7 bilhões de pessoas. Como eu, 1 em 7 bilhões, posso fazer a diferença? Como eu posso transformar algo que atinge tanta gente? E, diante das nossas limitações, da nossa pequenez, acabamos não saindo de nossa zona de conforto e deixando as coisas como estão.

Só que, se pararmos pra pensar, tudo começa com o primeiro passo. Ou seja, toda mudança começa com uma pequena ação. E essa ação pode ter um foco bem específico: você! Isso mesmo! Que tal começar a mudar o mundo a partir de você? Que tal dar o primeiro passo pra dentro e, só depois, olhar pra fora?

Pode parecer simples. E até mesmo insignificante. Mas acredite: não existe coisa mais complexa e difícil do que transformar-se. Sim. Porque nos conhecemos e, exatamente por isso, tantas vezes nos auto-sabotamos. Porque somos condescendentes conosco mesmos. Porque relevamos coisas que, se fossem outras pessoas que fizessem, jamais relevaríamos.

Assim, olhe pra dentro de você e se pergunte: o que preciso mudar? Em que preciso avançar? E, ao responder essas perguntas, seja o mais honesto possível. Talvez, as respostas te assustem. Mas não desista. Mudar-se, transformar-se, é mais do que preciso. É necessário!

Comece sua semana tendo em mente a decisão radical de crescer. Isso mesmo, crescer. Porque, no final de tudo, é isso que a mudança faz comigo e com você: ela nos faz crescer! E acredite: mudando o seu mundo interior você está dando os primeiros passos pra mudar o mundo exterior!

E então, simbora começar a mudar?