Cada um no seu quadrado

O que funciona pra mim nem sempre funciona pra você. O que é bom pra mim, idem. O que me alegra, me diverte, me faz feliz, me leva às alturas, também segue esse ritmo. Somos seres singulares vivendo, na maior parte do tempo, cada um em seu quadrado.

O grande problema, a meu ver, é quando tentamos expandir nossos quadrados e englobar o dos outros. Quando queremos que aquilo que vivemos passe a ser aquilo que os outros vivem. Sem as necessárias adaptações, sem as necessárias revisões.

Ou seja, o quadrado do outro deixa de ser dele e passa a ser uma cópia mal-acabada do nosso. O outro passa a viver num quadrado que não foi feito pra ele, que não lhe acabe. Com isso, bate nas quinas, dá encontrões nos cantos. E acaba, invariavelmente, mutilado.

O contrário também acontece. Quando, voluntariamente, desejamos o quadrado do outro. Pode ser o outro que mora ao nosso lado ou o outro que vemos na revista. Não importa. Lá vamos nós copiar o modelo do quadrado alheio. E lá vamos nós viver em quadrado que não nos pertence, que não foi criado com as nossas medidas, com as nossas necessidades. E lá vamos nós nos automutilar pra morar num modelo que não tem nada a ver conosco.

Isso não quer dizer que não podemos ou não devemos nos inspirar no quadrado alheio. Pelo contrário. Podemos nos inspirar sim e, a partir daí, entendendo nossas singularidades, adaptar para a nossa realidade.

Mas simplesmente engolir o quadrado alheio é perder o direito de brincar com o seu próprio quadrado. Afinal, é pra isso que ele existe: pra você o moldar, pra você o adaptar, pra você o transformar no que quiser. Pra você aprender com tudo isso e, quem sabe um dia, chegar à conclusão de que melhor que um quadrado é um círculo. E fazer do seu espaço um lugar sem arestas, sem cantos. Um lugar com apenas os seus encantos!

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