Metade saudade

saudade

Era uma vez uma moça que tinha um blog. Blog que este que começou sendo um espaço de poesia, depois virou um lugar pra um dedo de prosa, passou a abrigar motivos dietísticos e afins pra, no fim, falar inglês. Vai ver que, por conta de tantas mudanças, o blog ficou assim meio perdido, sem saber o que fazer. Ou quem sabe a dona do blog foi quem se perdeu no meio do Tennessee, com trabalhos e provas pra todos os lados.

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A verdade é que, mais de 40 dias depois, cá estou eu de volta. E o que aconteceu nesse tempo? Senta que lá vem história…

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Once upon a time…

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A grande novidade é que dia 20 de maio embarco para o Brasil onde fico até o início de agosto. Serão mais de dois meses matando saudades.

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Serão mais de dois meses com saudades.

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Sim, porque agora deixo uma parte de mim no Tennessee. Pessoas queridas (professores, colegas, amigos) que me perguntam quando volto, que dizem que vão me buscar se eu não voltar, que falam que vão sentir saudades.

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E a moça do blog fica assim, metade feliz, metade saudade.

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Gostaria de dizer que vou atualizar mais o blog, que vou movimentá-lo mais, mas sinceramente não sei. Serão dias gostosos, com uma segunda cirurgia plástica no meio do caminho e muitos, muitos queridos pra rever.

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E, claro, serão dias de saudades também. Porque agora eu descobri que sou metade! 😉

 

 

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3 meses, 90 dias, 2160 horas…

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De acordo com quem já passou por uma experiência parecida com a minha, as coisas começam a ficar mais fáceis a partir de agora. A gente começa a se acostumar com essa nova vida e parece que finalmente a ficha cai e a gente percebe que agora o nosso lugar é aqui.

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Posso dizer com certeza que o inglês torna-se, a cada dia, menos complicado. Ainda não digo no quesito conversação, mas no que diz respeito a entender o que o outro está dizendo, as coisas andam sim mais fáceis.

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Ao contrário do que eu imaginei, a parte acadêmica da minha experiência está sendo bem mais simples. Minhas notas estão todas MUITO boas e tenho conseguido acompanhar BEM as aulas. Creio que fecho o semestre com um saldo pra lá de positivo.

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By the way, os brasileiros têm a melhor fama na universidade que estou estudando. Todos sempre com as melhores notas. We rock, people!

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Mas também, ao contrário do que imaginei, a parte emocional está sendo bem MAIS complicada do que eu imaginava. Que faltam vocês fazem, pessoas!

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Apesar de ainda não ter carro (o que é algo que atravanca um pouco o progresso), já consigo saber onde as coisas se encontram e, inclusive, consigo fazer algumas sugestões de lugares pra ir. Especialmente bons restaurantes, com saladas e coisas saudáveis! 😀

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O inverno ainda não chegou, mas já peguei -7°C por esses lados de cá. Acredite: tem horas em que o frio vem morar dentro da gente! (e não adianta nada você usar milhares de roupas!)

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Se tem valido a pena? Como diria o poeta predileto do meu pai, tudo vale a pena se alma não é pequena! (e o que tenho descoberto nesses dias, é que a minha é gigante pra caber toda a saudade do mundo dentro dela!)

O nome da lágrima

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Tem hora que não adianta respirar fundo, não adianta tentar pensar em outra coisa, não adianta racionalizar. Também não adianta pensar que vai passar, não adianta querer adiar, não adianta tentar aliviar. As lágrimas são seres independentes e autônomos. Quando a gente menos percebe, elas jorram pelos olhos.

O mais interessante é observar que elas tem nome. As minhas, nos últimos dias, chamam-se saudade. E elas também tem sobrenome, eu descobri. Saudade dos amigos, saudade da família, saudade do cheiro, saudade da comida, saudade de entender e saudade de ser entendida.

E lágrimas com nome e sobrenome são mais pesadas, densas. Elas não escorrem simplesmente. Elas ficam impregnadas dentro da gente, encharcando o coração, embargando a voz, fazendo flutuar as emoções. Exatamente por isso, elas nunca se vão. Estão sempre escondidas, à espreita, esperando para novamente vir à tona.

A sensação que tenho é que cada vez que desaguam se tornam mais fortes. Num primeiro momento, apenas um fio dágua. Num outro, pequeno riacho. Mais à frente, rio caudaloso. Por fim, mar aberto.

E é nisso que elas me transformaram: num mar aberto de lágrimas onde cada gota tem nome. E sobrenome. Saudade de alguém. Saudade de quem me quer bem.

Um ano a ser lembrado

2013

Olhando de longe, 2012 tinha tudo pra ser um ano a ser deixado de lado, bem escondidinho na prateleira dos anos vividos. Mas olhando bem de pertinho, com bastante carinho, ouso dizer que foi um ano que vai ganhar um destaque no rol de anos a serem lembrados.

Vamos aos fatos: comecei 2012 pesando 104kg e atingi a marca de 107kg por volta de abril. Sim, enfiei o pé na jaca, desliguei a dieta e, quando vi, tinha engordado 13kg tendo como base o meu menor peso (94kg no final de 2010).

Mas acordei e isso é o que vale. De abril a dezembro vivi uma luta constante para perder o que havia ganhado e ainda terminar o ano com certa dignidade. E posso dizer: eu venci! A balança confirma me apontando 92,4kg, ou seja, de abril até agora emagreci 14,6kg. Sim, quase 15kg! A expectativa é começar 2013 com menos de 90kg, mas se isso não acontecer, posso dizer: eu me superei. Estrelinhas pra mim!

Só que isso não seria possível sem algumas pessoas. E são elas, com certeza, que fizeram de 2012 um ano estrelado. Assim, não existe uma retrospectiva digna sem falar delas.

Minha família é sempre um caso à parte. Quando digo que tenho mãe nutricionista a reação das pessoas é sempre: como pode? Acreditem, a culpa não é dela! Enquanto ela controlava minha alimentação, meu peso sempre esteve sob controle também. Mas foi só colocar nas minhas mãos que a coisa desandou! Agora imaginem o que é, pra uma mãe nutricionista, ver sua filha chegar aos 140kg? Só que ela nunca me abandonou. Chorou comigo (e ainda chora) e, desde que decidi parar de dar desculpas e ir à luta, ela tem feito toda a diferença.

Assim, em 2012 minha família marcou presença. E não apenas na figura da minha mãe, mas também do meu pai e dos meus irmãos. Cada um à sua maneira, claro, mas sempre me apoiando. Família,obrigada por fazer a diferença no meu 2012!

Outra pessoa que precisa ser destacada é ele: Thiago Machado. Meu personal, meu amigo, meu conselheiro, meu psiquiatra! A pessoa que mais conhece a minha luta e com quem eu sempre fui honesta. Na alegria e na tristeza, nos escorregões e nas dietas certinhas. Esse ano, tadinho, ele sofreu muito comigo. Sei que deve ter se desesperado e até pensado em me abandonar, afinal, engordei 17kg nos dois últimos anos! Mas ele não me deixou e hoje eu digo: a vitória também é sua, Thiago!

Vitória que também compartilho com a nutrilinda que apareceu por essas bandas no segundo semestre e fez um rebuliço nas minhas dietas. Além de topar meus desafios malucos, ela torce por mim e me acompanha o tempo todo. Cris, você é um presentaço que ganhei em 2012!

Dos amigos é complicado falar, né? É tanta gente me animando, tanta gente se inspirando no meu exemplo e me inspirando, tanta gente me elogiando, que posso dizer que esse foi um ano em que ganhei milhares de estrelinhas. E quero devolvê-las a vocês, meus amigos (virtuais e reais) e dizer: se eu emagreço, acreditem, também é por vocês!

Eu não disse que esse foi um ano a ser lembrado? Não teve viagem internacional, não teve nenhuma corrida super-hiper-mega-power-badalada, mas teve superação, teve lágrima, teve suor e teve sim muitas vitórias. Mas mais do que isso, teve a companhia de pessoas que fizeram toda a diferença em minha vida.

Diante disso, o que esperar de 2013? Que eu faça dele um ano tão bom ou ainda melhor do que 2012! 😉

Rapidinhas

Só por hoje tem feito toda a diferença na minha reeducação alimentar. Depois de duas semanas bem ruins (com fomes emocionais absurdas e derrapadas idem), o foco que faltava foi retomado essa semana. Ou melhor, tem sido retomado só por hoje.

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E a balança tem retribuído. É, meus amigos, o sorriso no rosto tem nome e sobrenome: peso inédito. E tenho dito.

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O “leversário” dessa pessoa aqui se aproxima. E, pela primeira vez em muito tempo, teremos comemorações pra todos os gostos e estilos. Não que nos outros anos eu não desejasse comemorar. Só que dessa vez não deixei a preguiça me pegar. Adiantei-me a ela.

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Os textos que vocês têm lido por aqui são consequência de muitas reflexões pré-aniversário. E também, da leitura de um livro excelente. Pela primeira vez na vida tenho pensado seriamente em reler uma obra literária.

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Nada contra quem relê livros. Pelo contrário. Mas minha cabeça não assimila isso muito bem. E já vou logo avisando que essa é apenas uma das muitas manias dessa leitora compulsiva que vos escreve.

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Outra mania? Só parar a leitura ao chegar à página 50. Não concebo fechar um livro sem ter lido menos de 50 páginas. É, eu sei. Estranho, pra dizer o mínimo.

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2012 tem sido um ano incrível no quesito amigos e afins. Me diz, assim, se não tenho grandes motivos pra comemorar?

Meu lugar

Um lugar pra andar descalça
e escutar a melhor canção
Um lugar pra rir de tudo
e simplesmente deitar no chão
Um lugar com um bom filme
e um bom prato, por que não?
Um lugar em que caibam os amigos
e uma roda de violão
Um lugar pra sentir o vento
e se encher de inspiração
Um lugar cheio de calma
bem longe da agitação
Um lugar pra descansar
e colocar em ordem o coração!

O máximo proveito

Não me lembro da última vez em que joguei fora algo que usei até a última gota. Algo que tenha que ter ido pro lixo por não ter mais qualquer condição de uso. Pensei nisso, hoje, ao tomar a decisão de jogar fora um sapato por estar gasto até não poder mais.

Ganhei o dito cujo no meu aniversário do ano passado, ou seja, há cerca de seis meses. Mas o usei tanto e de tal forma que o pobrezinho aparenta ter pelo menos uns cinco anos de existência.

Depois da decisão de levá-lo para o lixo (porque ele não permite sequer ser doado) fiquei pensando em quantas coisas eu simplesmente deixei de lado porque me cansei, me esqueci ou troquei por algo novo.

Um exemplo disso são minhas bolsas. Para você ter uma ideia do drama, um amigo do trabalho me perguntou esses dias: mas peraí, quantas bolsas você tem? E eu genericamente respondi: muitas. Depois da experiência com o sapato, foi inevitável pensar nas bolsas. E me espantar porque nunca joguei nenhuma fora por excesso de uso. Nunca tirei, de verdade, o máximo proveito de qualquer uma delas.

Em menor ou maior grau, também fiquei imaginando que existem áreas da minha vida em que nunca tirei o máximo proveito. Existem áreas em que nunca tive a experiência de dizer: ah, pronto! Daqui não tenho mais como ir porque avancei além do limite

Comecei a me perguntar se tenho tirado o máximo proveito da minha família, dos meus amigos, de minha capacidade. Claro que não pretendo jogar nenhum deles fora (algumas vezes até penso, mas depois desisto! Brincadeirinha…), mas quero um dia olhar pra trás e dizer: curti até a última gota cada um dos meus amigos. Me esforcei ao máximo e empenhei minha capacidade toda em meus projetos. Vivi os melhores momentos com a minha família.

Na sociedade dos descartáveis, acabamos por levar a filosofia da descartabilidade para tudo em nossas vidas. Enjoei? Troco por um novo. Cansei? Jogo a toalha e desisto. Tá complicado? Deixo de lado e sigo meu caminho.

Tirar o máximo proveito é nadar contra a corrente. E, como tal, exige um esforço extra. Não render-se àquela bolsa linda requer força de vontade. Não desistir de um sonho, idem. Não abrir mão de um relacionamento também. Mas acredite: vale a pena.

Quando nos empenhamos ao máximo no quer que seja, nós saímos fortalecidos. Ampliamos nossos limites, estendemos nossa capacidade. Tirar o máximo proveito de tudo é, no final das contas, um exercício que nos torna melhores.

Assim, dê uma olhada dentro e fora de você. Do que você precisa tirar o máximo proveito? De um relacionamento? Do seu trabalho? De seu tempo? De suas ideias? Depois de escrever esse texto eu decidi, entre outras coisas, tirar o máximo proveito de minhas bolsas. Além da economia, o exercício vai me ajudar numa questão fundamental: o que eu quero eu realmente preciso? Espero ter, no final do ano, boas histórias pra contar nesse sentido.

E aí, simbora tirar o máximo proveito da vida como um todo?