Cada um vive como sabe*

Ao contrário do que essa frase possa parecer, ou mesmo soar, ela é extremamente libertadora. Isso mesmo. Num primeiro momento, ela nos parece limitante ou conformista. Coisa de gente “Gabriela”: eu nasci assim, eu vivi assim, eu sou sempre assim. Mas não. Ela é uma frase de gente que se aceita como é, que entende seus limites, e que vive muito bem com isso.

Ou seja, ela é coisa de homens e mulheres possíveis, como bem disse a Renata nos comentários do post anterior e no Muitos e duplos. Ela é coisa de quem entende que os super-heróis também têm lá suas kriptonitas pra deixar sempre claro que eles também caem. E como caem.

Homens e mulheres possíveis. Interessante como isso é tão distante do que a gente vê por aí, de maneira geral. O que vemos, nas revistas, nas academias, nos shoppings, nas ruas, são homens e mulheres se esforçando pra ser o que não são ou, então, camuflando aquilo que são de verdade. Simplesmente porque não conseguem se aceitar, com o que tem de melhor e de pior.

Se tem uma coisa que tenho aprendido durante todo o processo de perda de peso, é gostar de mim. Ainda me encontro totalmente fora daquilo que chamam de padrão, mas consigo me olhar no espelho, ao acordar, e sorrir. Sim, gosto do que vejo ali. Gosto do meu cabelo naturalmente encaracolado (sempre gostei!), do meu sorriso. Gosto do meu rosto e não acho que o meu tamanho me impeça de ser naturalmente bonita. Sim, me acho bonita. E quando passo um batom vermelho, então, me acho linda! 🙂

E essa beleza eu enxergo dentro das minhas possibilidades atuais. Porque se eu fosse esperar emagrecer tudo o que preciso pra gostar de mim, isso demoraria demais. E eu confesso que não tenho mais tempo a perder.

É claro que tenho muito que mudar, tanto por dentro quanto por fora, pra ganhar estrelinhas completas. Mas consigo enxergar os avanços e, dentro das minhas limitações, consigo ser feliz com a minha realidade atual e não exatamente com aquilo que idealizei (tudo bem que em alguns momentos isso me escapa, mas não o tempo todo!).

Acho que aqui, mais uma vez, está o segredo de tudo: cair na real. Encarar a realidade e deixar o mundo ideal de lado. O que temos é isso aqui? Ok! Procuremos ser felizes com o que está a mão, correndo atrás pra mudar o que incomoda e é possível de ser transformado.

Por falar em aceitação, acho que a oração de Francisco de Assis é um fechamento perfeito pro post de hoje:

“Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra”

***

* frase de Banana Yoshimoto, retirada desse post do Muitos e duplos

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O comentário que virou post

No post de ontem, em que eu falava sobre a importância de não permitirmos que nossas emoções assumam o controle das nossas vidas, a Renata fez um comentário bem interessante. E tão, mas tão bacana, que acho que cabe abrir a discussão por essas bandas:

“Eu fiquei pensando no quanto os sentimentos – dos outros – têm o poder de nos controlar e no quanto isso é injusto. Não acho que devemos virar monstros egoístas que não têm consideração pelos sentimentos alheios, mas acho que esquecermos dos nossos sentimentos em prol dos dos outros é fria. Ando pensando muito sobre isso”.

É, não basta não permitir que os nossos próprios sentimentos nos dominem. Também precisamos tomar o cuidado pra que os sentimentos dos outros não ditem as nossas ações, as nossas atitudes.

Que fique claro: se não podemos controlar o que sentimos, quanto mais o que os outros sentem. Não temos como garantir que uma ação x de nossa parte irá repercutir da forma y na pessoa, gerando o sentimento z por conta disso. E se controlar tudo isso não é possível, não é um pouco ilógico permitir que esse sentimento que nem sabemos se w ou z nos controle, nos pressione, nos limite?

Mas é o que mais acontece. Deixamos que os sentimentos alheios ditem a pauta de nossas ações, de nossos projetos, de nossos pensamentos. Quer um exemplo bem claro e simples? Você recebe uma proposta maravilhosa de emprego. Mas apesar de achar que pode ser uma fonte de crescimento, você fica extremamente balançado. Não porque não queira ou não ache que deva ir. Mas simplesmente porque fica preocupado com os sentimentos do seu chefe atual, que gosta realmente de você. Você sofre por imaginar que ele ficará chateado, magoado.

Isso mesmo, você sofre. E é aqui o ponto primordial: o sofrimento. Se o sentimento do outro nos controla de tal forma que começa a nos prejudicar, começa a nos fazer sofrer, talvez seja hora de rever a ordem das coisas. Não proponho o egoísmo puro e simples, que fique claro. Mas proponho irmos até onde vai realmente a nossa responsabilidade. Proponho, isso sim, o cuidado consigo mesmo, o amar-se, o preservar-se.

Permitir que os sentimentos alheios nos dominem é dar a condução de nossas vidas pra uma outra pessoa. É tornar-se apenas espectador de sua própria vida. E tem coisa mais triste que isso? Ser uma marionete, mesmo que inconsciente, de um tirano de terras estrangeiras? Eu acho que não…

E você, o que pensa disso? Estão abertos os debates! 😉