Metade saudade

saudade

Era uma vez uma moça que tinha um blog. Blog que este que começou sendo um espaço de poesia, depois virou um lugar pra um dedo de prosa, passou a abrigar motivos dietísticos e afins pra, no fim, falar inglês. Vai ver que, por conta de tantas mudanças, o blog ficou assim meio perdido, sem saber o que fazer. Ou quem sabe a dona do blog foi quem se perdeu no meio do Tennessee, com trabalhos e provas pra todos os lados.

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A verdade é que, mais de 40 dias depois, cá estou eu de volta. E o que aconteceu nesse tempo? Senta que lá vem história…

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Once upon a time…

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A grande novidade é que dia 20 de maio embarco para o Brasil onde fico até o início de agosto. Serão mais de dois meses matando saudades.

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Serão mais de dois meses com saudades.

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Sim, porque agora deixo uma parte de mim no Tennessee. Pessoas queridas (professores, colegas, amigos) que me perguntam quando volto, que dizem que vão me buscar se eu não voltar, que falam que vão sentir saudades.

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E a moça do blog fica assim, metade feliz, metade saudade.

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Gostaria de dizer que vou atualizar mais o blog, que vou movimentá-lo mais, mas sinceramente não sei. Serão dias gostosos, com uma segunda cirurgia plástica no meio do caminho e muitos, muitos queridos pra rever.

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E, claro, serão dias de saudades também. Porque agora eu descobri que sou metade! 😉

 

 

Gotas de esperança ou eu escolho as flores

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Não adianta. Quando a gente lê notícias como as da semana passada, parece que aquele fiapinho de esperança na humanidade que a gente tinha se rompe e ficamos sem saber pra onde correr.

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Tudo perde o sentido, fica sem cor. Começamos a olhar o mundo em volta e a nos perguntar o que ainda estamos fazendo aqui,

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Mas daí a gente assiste a isso aqui:

 

E depois a isso:

 

E é como se do céu, gotas de esperança caíssem pra molhar aquela terra que andava seca, seca.

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E mais uma vez percebemos que, apesar de tudo, existe uma escolha.

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Eu escolho as flores!

O legado

2013

2013 foi um ano que vai ficar pra história. Ao menos pra minha história.
Ele chegou bem devagarinho, como quem não quer nada e, com isso, me deixou levemente preocupada.
Mas depois que engrenou, realmente mostrou a que veio.
Em 2013 publiquei um livro, fiz uma grande cirurgia e mudei de país.
Em 2013 tive sonhos realizados, lágrimas derramadas e alegrias escancaradas.
Mas, acima de tudo, em 2013, confesso que vivi!
Vivi a felicidade de ver o que eu queria se materializar à minha frente.
Vivi a dor da distância e da saudade.
Vivi a experiência de começar de novo em uma cultura completamente diferente.
Em 2013 tudo valeu a pena.
Valeu a pena deixar tudo pra trás e seguir em frente.
Valeu a pena ter que reaprender a falar.
Valeu a pena sofrer por não entender e muitas vezes não ser entendida.
Valeu a pena deixar de ser a Renata Cabral e passar a ser a Renata Vicente.
2013 foi o ano em que Deus quis, eu sonhei e tudo aconteceu.
E aconteceu rápido, quase de repente.
Ao mesmo tempo aconteceu, e ainda acontece, lentamente.
Algumas coisas ainda estão por acontecer.
Talvez tanto aconteceu em 2013 que elas acharam melhor esperar o ano virar pra, enfim, aparecer.
2013 termina assim como um ano que não vai dar pra esquecer.
E que deixa como legado, pra 2014, muito já consolidado e tanto a ser conquistado!

3 meses, 90 dias, 2160 horas…

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De acordo com quem já passou por uma experiência parecida com a minha, as coisas começam a ficar mais fáceis a partir de agora. A gente começa a se acostumar com essa nova vida e parece que finalmente a ficha cai e a gente percebe que agora o nosso lugar é aqui.

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Posso dizer com certeza que o inglês torna-se, a cada dia, menos complicado. Ainda não digo no quesito conversação, mas no que diz respeito a entender o que o outro está dizendo, as coisas andam sim mais fáceis.

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Ao contrário do que eu imaginei, a parte acadêmica da minha experiência está sendo bem mais simples. Minhas notas estão todas MUITO boas e tenho conseguido acompanhar BEM as aulas. Creio que fecho o semestre com um saldo pra lá de positivo.

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By the way, os brasileiros têm a melhor fama na universidade que estou estudando. Todos sempre com as melhores notas. We rock, people!

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Mas também, ao contrário do que imaginei, a parte emocional está sendo bem MAIS complicada do que eu imaginava. Que faltam vocês fazem, pessoas!

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Apesar de ainda não ter carro (o que é algo que atravanca um pouco o progresso), já consigo saber onde as coisas se encontram e, inclusive, consigo fazer algumas sugestões de lugares pra ir. Especialmente bons restaurantes, com saladas e coisas saudáveis! 😀

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O inverno ainda não chegou, mas já peguei -7°C por esses lados de cá. Acredite: tem horas em que o frio vem morar dentro da gente! (e não adianta nada você usar milhares de roupas!)

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Se tem valido a pena? Como diria o poeta predileto do meu pai, tudo vale a pena se alma não é pequena! (e o que tenho descoberto nesses dias, é que a minha é gigante pra caber toda a saudade do mundo dentro dela!)

Little drops from States

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Primeira prova feita semana passada.

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Ao contrário do que eu pensei, fiquei bem calma e tranquila.

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Tenho certeza de que não arrebentei a boca do balão, mas fiz o meu melhor.

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E que venha o resultado!

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A gente só descobre que saudade não tem fim e cresce indefinida e exponencialmente quando se afasta de quem a gente ama.

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O friozim já começa a aparecer. 10 graus celsius em algumas noites.

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E esfriando.

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Tenho tentado manter uma rotina de atividade física. Por enquanto, correndo de duas a três vezes por semana.

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Finalmente coloquei o TRX pra funcionar e fiz, pela primeira vez, treinamento suspenso em casa.

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O nome disso? O inverno vem aí!

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O objetivo pra outubro é terminar de perder os quilos que desejo (algo em tonro de 3 e 4) e depois manter.

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Oremos.

Curiosidades “miricanas”

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Comida de verdade, por essas bandas, é bem caro.

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Quando digo comida estou falando de alimentos de verdade, como frutas, verduras e legumes. Além de alguns produtos alimentícios considerados saudáveis.

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E exatamente por isso é fácil entender a obesidade que assola os EUA: fast-foods, junkie foods e afins são MUITO mais baratos e à mão.

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Falando em comida, as frutas daqui não tem sabor de fruta. É estranho explicar, mas o sabor a que estamos acostumados no Brasil inexiste por esses lados.

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Carne vermelha também é um produto fora da curva econômica. Ainda bem que não sou carnívora! 😉

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O americano não almoça. Talvez por isso a tradução de almoço seja “lunch”. Exatamente porque ele faz um lanche na hora do almoço.

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A refeição verdadeiramente completa é o jantar.

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Comer nos intervalos não é algo muito comum por aqui.

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Agora beber copos e copos de café é.

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Uma parcela interessante da população jovem americana corre. Em qualquer lugar, em qualquer hora.

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Eles não dão a mínima pra roupa que eles usam. E idem pra que você usa.

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Conforto e bem-estar é o que dita o vestuário. Ou seja, chinelo e shorts em qualquer lugar vale sim.

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É possível fazer pão de queijo aqui! A foto que ilustra o post é uma prova disso.

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Com um pouquinho de criatividade, e muita vontade, a gente acaba descobrindo como se adaptar ao american way of eating sem sair da linha.

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By the way, desde que cheguei aqui já emagreci quase 2kg!

Just another little drops

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Mudar de país é quase como nascer de novo.

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Você precisa de tantos novos documentos que chega a ser assustador.

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Mudar de país é quase como nascer de novo².

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Você precisa aprender a conversar. E não é apenas falar a língua dos outros. É realmente entender o que vai nas entrelinhas.

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Mudar de país é como nascer de novo³.

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Você precisa esquecer os velhos hábitos e criar novos. Principalmente alimentares. Carnes, frutas e afins podem ser coisas raras (e caras).

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Da velha vida, uma coisa se carrega na mudança: saudades.

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E você descobre que não existem medidas pra essa palavra.