Curtindo o inverno

Então o inverno bate à porta (literalmente e metaforicamente) e algumas posibilidades se apresentam: lutar contra ele, o que já garantiria de cara uma derrota homérica; maldizê-lo, o que não mudaria nada; fazer de conta que ele simplesmente não chegou, o que só tornaria as coisas mais difíceis; aprender a curtí-lo, com toda a sua frieza, os seus incômodos e a sua intensidade. Sim, eu escolhi a última possibilidade e tive uma das tardes mais divertidas desde que cheguei nesse lugar que, carinhosamente, chamo de Snowland.

Tirei inúmeras fotos, curti a neve, quase congelei os dedos das mãos (mesmo estando com luvas), encarei o sledding, encarei a neve fofa e, ao final de tudo, ainda comi um pão de queijo quentinho servido com um delicioso café.

E mais uma vez, fica a pergunta: o que mudou? Com certeza não foi a estação. O inverno continua aqui, inclemente, cancelando aulas e plano, esfriando até o pensamento. O que mudou então? A minha maneira de passar por ele. Se ele é o caminho pra que logo mais eu primavere, pra que logo mais eu floresça; se ele é mesmo gelidamente inevitável, o jeito é aproveitá-lo e fazer de cada floquinho de neve uma lembrança de que logo mais as flores virão!

Anúncios

O primeiro passo

first step

Muitas vezes tudo o que é necessário pra que uma situação mude é o primeiro passo. Enquanto você fica ali, hesitante, nada acontece. Ou pior, desacontece. Você fica chateado, às vezes até amargurado. Você culpa a situação por não mudar. Mas, de repente, quando você desavisadamente dá o primeiro passo, tudo acontece!

Aquelas portas que pareciam fechadas com o mais moderno sistema de segurança, se escancaram. Ou se não o fazem, ao menos abrem uma frestinha. Aquela situação tão emperrada, enferrujada, começa a dar sinais de movimento. Aquele trem, parado na estação há séculos, apita e você leva um susto. E isso tudo porque você deu um único passo.

E é exatamente por isso que o primeiro passo geralmente é o mais complicado. É ele quem começa a mudança, é ele a chave, é ele o gatilho. Muitas vezes não pras mudanças do lado de fora. Mas pras mudanças do lado de dentro.

Porque essa é uma verdade: o primeiro passo pode até não mudar a situação, mas ele nos muda. Nem que a única mudança seja exatamente a da inércia para o movimento. Mas ele o faz. E acredite: isso, por si só, é extremamente significativo e poderoso.

Claro que o primeiro passo requer muito de nós. Precisamos vencer a barreira da inércia, do comodismo, do conformismo. Precisamos vencer a nós mesmos. Às vezes, para dá-lo, é preciso arrancar as raízes que nos prendem ao chão. E não há como negar que isso pode ser bastante doloroso.

Mas sem o primeiro passo, o segundo, o terceiro e todos os outros passos nunca virão. É preciso dar o primeiro passo para poder caminhar, para ver as coisas acontecerem, pra participar da mudança, pra ser a mudança. Mesmo que tudo isso aconteça dentro de você.

E eu não estou falando de algo lá longe. Estou falando de algo pertinho de mim, algo que acaba de me acontecer. E exatamente porque eu dei o primeiro passo, depois de um bom tempo resistindo e batendo o pé como uma criança birrenta, as coisas parecem finalmente mudar.

Fácil não é. Confortável também não. Mas se a gente quer avançar, é mais do que preciso. Ouse dar o primeiro passo!

Lições do tempo

IMG_20140106_201850

Uma das coisas que a gente acaba aprendendo rapidamente quando se muda para um país de inverno rigoroso é conferir sempre a previsão do tempo pro próximo dia. Você pode ver isso na TV, no rádio, na internet e até no seu celular, com aplicativos dos mais diversos.

Sabendo que amanhã a temperatura lá fora não vai passar de -12°C, por exemplo, com certeza você não vai marcar uma caminhada com sua amiga (a não ser que você seja como minha colega de ESL, Juliia, que veio da Ucrânia, e acha essa temperatura bem agradável). E se uma nevasca estiver chegando, você, claro, evita sair de casa.

Pras famílias com crianças em idade escolar, ficar por dentro da previsão é primordial. Dependendo da temperatura, muitas escolas começam as aulas com duas horas de atraso ou cancelam as atividades do dia. Praqueles que vão viajar, ficar por dentro do que está acontecendo também ajuda a ter uma ideia de se as rodovias vão estar fechadas ou abertas.

Planejamento, nesse caso, é fundamental. E isso vale não apenas pro tempo lá fora, mas também pro tempo aqui dentro. Quer ver como isso também funciona com a gente? Você sabe que amanhã tem algo importante pra fazer. Algo que vai exigir de você esforços e tudo mais. O que você faz no dia de hoje? Tenta se concentrar, descansar, pra que no dia de amanhã você esteja inteiro.

Sua língua não cabe na boca e quando você menos espera, você despeja nos outros verdades que muitas vezes ferem e machucam. Ou se não fazem isso, muitas vezes não precisavam ser ditas. Não naquele momento. O que você faz? Começa a se policiar, a se observar e, se preciso, a morder a língua pra não dizer o que não deve ou não pode.

Você se conhece bem o suficiente pra saber que sempre que fica ansioso sua vontade é atacar doces e comidas gostosas. Você percebe que o seu nível de ansiedade está começando a subir. O que você faz? Se afasta das tentações, se ocupa com outras coisas e fica alerta.

Aí está o segredo tanto para o tempo de fora quanto para o tempo de dentro: estar alerta. Conhecer as condições e saber como enfrentá-las. Perceber o menor sinal de tempestade, de queda de temperatura ou mudança súbita dos ventos. E agir antes que tudo venha a se complicar ou se perder.

Na maior parte das vezes, é verdade, não conseguimos controlar o tempo. Mas com planejamento, podemos enfrentá-lo aquecidos e preparados.

Que tal uma xícara de café e uma coberta bem quentinha enquanto neva lá fora? 😉

Fim

butterflies

Último dia do ano. Impossível fugir do clima de retrospectiva, fechamento de ciclo e ponto final que ronda o momento. Impossível também não pensar no futuro, não encher o coração de esperança e desejar que 2014 surpreenda – e olha que pra surpreender mais do que 2013 ele vai ter que rebolar.

Como não cansei de dizer por aqui, em 2013 grande parte dos meus sonhos se tornou realidade. Publiquei meu primeiro livro, fiz minha primeira cirurgia plástica, me mudei para os Estados Unidos. Claro, com todos os sonhos, também vieram os desafios – saber como vender o livro, alguns problemas no meu pós-operatório e toda a questão da adaptação à minha nova vida.

Mas como diz o poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena. E aqui, pode acreditar, a alma é grande o suficiente pra caber milhares de borboletas e seus vôos rasantes. É grande o suficiente pra não se afogar nas lágrimas dos primeiros meses de Estados Unidos. É imensa para caber toda a saudade e, ao mesmo tempo, toda a alegria que essa nova vida tem me proporcionado.

2013 foi um ano entregue numa caixa de presentes e com um laço enorme. Mas nem por isso ele foi perfeito. Não, não foi. Porque eu não sou. Por mais que tenha emagrecido, ainda sou uma pessoa que luta contra a balança. Sim, engordei desde que cheguei aqui e tenho lutado pra perder os quilos engordados. Ainda não é fácil não alimentar minhas emoções. Ainda não é fácil não ver a comida como um conforto.

Ainda estou me adaptando à essa rotina friorenta e por isso a atividade física não tem sido aquela coisa. Comprei um kettlebell, dois pesos, tenho um TRX e tenho tentado me virar com isso. Arrumei uma companheira de caminhada e isso também tem ajudado. Mas confesso: as corridas têm me feito falta.

Assim como as frutas brasileiras e os preços amigáveis. Por aqui comida saudável é bem mais cara. Tenho me virado com 3 tipos de fruta geralmente (bananas, morangos e uvas), castanhas e vegetais congelados. Também tomei a decisão de cortar açúcar e qualquer tipo de adoçante, natural ou não, da minha alimentação. Aprendi a tomar café apenas com canela e, além de gostoso, me dá energia. Outra coisa que resolvi cortar foi o glúten mesmo não sendo celíaca. Percebi que reajo melhor sem o danado e tou gostando do resultado.

Enfim, ainda me vejo em meio a lutas passadas e espero que em 2014 eu as vença um dia de cada vez. Se a batalha não chegar ao fim, que chegue ao menos o mais perto possível disso acontecer. Que cada vez mais eu consiga domar minhas emoções e não o contrário.

As perspectivas para 2014 são sim animadoras. Mas não porque o ano será diferente e sim porque eu pretendo fazer muitas coisas diferentes. E uma delas tem a ver com o blog. Sinto que ele se perdeu em meio a tudo o que me aconteceu em 2013. Talvez seja hora de achá-lo ou, quem sabe, de deixá-lo perdido por aí. Preciso descobrir o que fazer e, assim que conseguir, aviso aqui!

No mais, simbora soltar as borboletas que vivem dentro da gente pra que em 2014 elas nos levem a lugares jamais imaginados!

Natal o ano inteiro

Imagem

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6)

Natal é provavelmente a minha época do ano favorita. Não somente porque amo presentear (e ser presenteada!), mas principalmente porque o humor das pessoas, em geral, muda. De alguma forma todos estamos mais sensíveis, mais abertos, mais amorosos. De alguma forma quase mágica nos tornamos, mesmo que por alguns dias, pessoas melhores.

Só que de mágica, na verdade, não existe nada nessa transformação. O que acontece é que nesses dias permitimos que aquele bebê que nasceu lá em Belém também nasça em nossos corações. Nos deixamos embalar por aquele choro que vem da manjedoura e seguimos as batidas do coração do pequeno rei.

Mas daí a data passa, sufocamos todos esses sentimentos e voltamos a ser as pessoas de sempre, com as urgências de sempre e com os problemas de sempre.

E se simplesmente nos deixássemos guiar, o ano todo, pela estrela que surgiu no céu naqueles dias? E se simplesmente fóssemos atrás do menino que nasceu e nos deixássemos ser conduzidos por Ele, durante o ano de 2014?

Esse é o meu desafio para o próximo ano e espero que você o abrace também. Que os sorrisos, as esperanças, as mudanças, as transformações, durem mais do que uma estação. Que eles nos acompanhem durante toda a nossa caminhada no ano que se inicia.

Desejo, assim, um feliz Natal que dure um ano inteiro!

O legado

2013

2013 foi um ano que vai ficar pra história. Ao menos pra minha história.
Ele chegou bem devagarinho, como quem não quer nada e, com isso, me deixou levemente preocupada.
Mas depois que engrenou, realmente mostrou a que veio.
Em 2013 publiquei um livro, fiz uma grande cirurgia e mudei de país.
Em 2013 tive sonhos realizados, lágrimas derramadas e alegrias escancaradas.
Mas, acima de tudo, em 2013, confesso que vivi!
Vivi a felicidade de ver o que eu queria se materializar à minha frente.
Vivi a dor da distância e da saudade.
Vivi a experiência de começar de novo em uma cultura completamente diferente.
Em 2013 tudo valeu a pena.
Valeu a pena deixar tudo pra trás e seguir em frente.
Valeu a pena ter que reaprender a falar.
Valeu a pena sofrer por não entender e muitas vezes não ser entendida.
Valeu a pena deixar de ser a Renata Cabral e passar a ser a Renata Vicente.
2013 foi o ano em que Deus quis, eu sonhei e tudo aconteceu.
E aconteceu rápido, quase de repente.
Ao mesmo tempo aconteceu, e ainda acontece, lentamente.
Algumas coisas ainda estão por acontecer.
Talvez tanto aconteceu em 2013 que elas acharam melhor esperar o ano virar pra, enfim, aparecer.
2013 termina assim como um ano que não vai dar pra esquecer.
E que deixa como legado, pra 2014, muito já consolidado e tanto a ser conquistado!

Expectativas

faith

Antes que você torça o nariz e comece a pensar que a expectativa é a mãe de todas as frustrações, quero dizer que sim, eu tenho expectativas. Mas não, elas não estão do lado de fora. Estão bem cá, aqui dentro de mim. Ou seja, estão colocadas no lugar certo.

É inevitável, ao menos pra mim, chegar em dezembro e não começar a pensar em 2014. Eu sei, não existe mágica, não existe encantamento. Não existe, tecnicamente falando, nada que faça de dezembro um mês diferente de todos os outros do ano. Mas, ao mesmo tempo, como bem disse Drummond, quem dividiu o ano em 12 fatias foi um gênio. Sim, porque a cabeça da gente se programa pra chegar no 12º pedaço e dizer: tenho a chance de começar tudo novo de novo!

Ou seja, não existe nada que faça de dezembro um mês diferente. Mas, ao mesmo tempo, tudo é diferente nesse mês tão comum. A começar pela palavrinha do título: expectativas. Sim, como eu disse lá em cima, eu as tenho no lugar certo. Em mim mesma. Não espero que o mundo mude, que seja mais legal comigo, que o universo conspire, nada disso. Espero que eu mude, que eu seja uma pessoa melhor, que eu fique mais perto de quem eu sou de verdade.

Além de dentro de mim, também coloco minhas expectativas na única pessoa que nunca decepciona: Deus. Nesse ano de 2013, pra dizer a verdade, coloquei todas elas nEle. E não me arrependi. Decidi não ter planos pro ano. Apenas orar e deixar que os planos dEle se cumprissem em mim. Digo de novo: não me arrependi. Fiz a cirurgia que tanto queria, publiquei meu livro, me mudei pros EUA. Planos que por mim mesma eu jamais imaginaria. Mas Ele, criativo que só, imaginou e me deu condições de realizar.

Por essas e tantas outras, estou sim cheia de expectativas. Tão cheia, que gostaria de sair por aí enchendo outros também. Porque há esperança, minha gente. E 2014, com certeza, pode ser ainda melhor que 2013. Basta que a gente coloque cada uma das nossas expectativas no lugar e na pessoa certa!