Invernando

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Olhar lá fora e ver que a neve não para de cair. Perceber que ela já se acumula sobre as calçadas, as ruas, os carros. Procurar um caminho que seja pra sair e simplesmente não encontrá-lo. Essa é a paisagem que consigo enxergar pela janela da minha casa. E hoje, especificamente hoje, também consigo vê-la pela janela da minha alma.

Nem todos os dias são de sol aqui dentro. Há dias, como hoje, ontem e talvez essa semana toda, em que o inverno chega com força. A neve não para de cair, o vento não para de soprar e todos os caminhos parecem simplesmente interdidados. A tristeza invade, a melancolia chega e um cobertor costurado com saudade é a única coisa que aquece. Inverna dentro de mim.

Talvez, pra quem vê de fora, a paisagem parece linda, perfeita. Há neve por todos os lados, uma película branca cobre toda a paisagem. Mas pra quem consegue enxergar um pouco mais além, o inverno pode ser desolador: não há folhas, não há flores, não há frutos. Há apenas resquícios do que se foi.

Desesperador? Enquanto se está no meio dele, provavelmente. Muita energia, muito esforço despendido e tudo o que se vé é desolação. Quanto mais se luta contra, menos se avança.

Então, o que fazer? Talvez, o mais correto, seja entender que invernar faz parte do ciclo. É preciso o inverno chegar, e passar, pra que finalmente a primavera chegue. É preciso que caiam as folhas para que no momento certo as flores apareçam. É preciso que a paisagem se transforme pra que, dentro de algum tempo, ela se renove. É preciso suportar o frio pra que o coração lá na frente se aqueça.

Por mais que eu não veja, é invernando que posso um dia primaverar. 🙂

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Reconciliação

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Tenho pensado ultimamente sobre algumas atitudes que tenho comigo mesma. Tendo a ser muito exigente, colocando um peso enorme sobre meus próprios ombros, me cobrando exageradamente e exigindo de mim mesma um padrão muitas vezes inatingível – se não inantingível, atingível com um esforço quase sobre-humano.

Consigo enxergar isso em todas as áreas da minha vida. Um belo exemplo é a minha vida acadêmica: tirei nota máxima em 3 das 4 matérias que fiz nesse primeiro semestre, porém em uma matéria fiquei com um B (algo em torno de 8,8). Ao invés de sentir extrema alegria e satisfação por ter ido tão bem nesse início, acabei ficando chateada por não ter ido perfeitamente.

Perfeição. Talvez essa seja a palavra que melhor define muito da minha busca – consciente e inconsciente. Por mais que eu já tenha avançado, ainda me pego, como no exemplo acima, buscando ser perfeita. Buscando ter todas as estrelinhas no caderno. Só que, pra isso, eu acabo sendo muito pouco gentil comigo mesma. E isso, claro, tem consequências pouco agradáveis.

Como comentei no último post de 2013, desde que cheguei aqui eu engordei. Engordei porque ainda não consigo lidar muito bem com minha montanha-russa emocional. Mas mais do que isso, engordei porque exijo de mim ser perfeita e saber lidar com tudo o que me cerca. Engordei porque muitas vezes fico de mal de mim mesma.

É aqui que entra a palavra do título: reconciliação. Espero, sinceramente, iniciar uma jornada de reconciliação comigo mesma, aprendendo a ser menos exigente com a minha própria pessoa. Espero conseguir me aceitar melhor (sim, porque tanta necessidade de ser perfeita revela que eu nem sempre me aceito como sou), aprender a me ouvir e a me entender. Espero, enfim, viver com mais leveza.

E uma vida leve, a gente sabe, acaba se refletindo em tudo. Inclusive na balança. E é isso o que eu desejo também pra você nesse comecinho de ano: que você se reconcilie consigo mesmo, vivendo uma vida cada vez mais cheia de leveza!

O nome da lágrima

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Tem hora que não adianta respirar fundo, não adianta tentar pensar em outra coisa, não adianta racionalizar. Também não adianta pensar que vai passar, não adianta querer adiar, não adianta tentar aliviar. As lágrimas são seres independentes e autônomos. Quando a gente menos percebe, elas jorram pelos olhos.

O mais interessante é observar que elas tem nome. As minhas, nos últimos dias, chamam-se saudade. E elas também tem sobrenome, eu descobri. Saudade dos amigos, saudade da família, saudade do cheiro, saudade da comida, saudade de entender e saudade de ser entendida.

E lágrimas com nome e sobrenome são mais pesadas, densas. Elas não escorrem simplesmente. Elas ficam impregnadas dentro da gente, encharcando o coração, embargando a voz, fazendo flutuar as emoções. Exatamente por isso, elas nunca se vão. Estão sempre escondidas, à espreita, esperando para novamente vir à tona.

A sensação que tenho é que cada vez que desaguam se tornam mais fortes. Num primeiro momento, apenas um fio dágua. Num outro, pequeno riacho. Mais à frente, rio caudaloso. Por fim, mar aberto.

E é nisso que elas me transformaram: num mar aberto de lágrimas onde cada gota tem nome. E sobrenome. Saudade de alguém. Saudade de quem me quer bem.

Do que sou e do que tenho

soul

Eu não sou um carro, tampouco a roupa que visto.
Não sou o celular, o carro, a TV. Nada disso.
Também não sou meu emprego, o cargo que ocupo e nem o que faço.
E, pasme, não sou meu corpo.
Tudo isso eu tenho.
E como ter é diferente de ser!
Quer saber o que sou?
Sou os livros que leio, os filmes que vejo, as músicas que ouço.
Sou minhas risadas, minhas tiradas. Sou minhas lágrimas.
Sou os abraços que dou, os carinhos que entrego.
Sou minhas palavras, faladas, escritas ou caladas.
Sou meus pais, meus irmãos, meus amigos.
Sou rica, de possibilidades infinitas.
Sou meus sonhos, minhas conquistas.
Sou o caminho que trilho.
Sou, enfim.
E muito mais do que tenho, é isso que realmente importa em mim.

***

Tenho falado muito aqui no blog sobre minha luta contra a obesidade, minha busca por uma vida de qualidade. Mas, como eu disse ali em cima, isso não sou eu. Essa é a vida que eu tenho, nesse momento.

Claro que ter um corpo legal é bacana. Faz bem pra cabeça e até pro coração. Mas a questão aqui é deixar claro: eu hoje tenho um corpo cada vez mais legal (pra mim), só que eu não sou esse corpo. Como diria C.S.Lewis, eu não sou um corpo, eu sou uma alma que tem um corpo!

Alma essa que ama ler, escrever. Que curte um almoço com os amigos, umas boas risadas e bons filmes. Que também ama dormir nos finais de semana e sabe curtir uma solidão quando necessário. Que sonha (e como!) e procura realizar.

E assim como eu sou tudo isso (e muito mais), você também é. Então simbora tentar colocar as coisas sob uma perspectiva correta, valorizando o que realmente importa. Porque o que a gente tem acaba logo. Mas o que a gente é, pode durar pra sempre!

***

Esse post foi inspirado nesses textos aqui e aqui da Renata. Leiam, leiam e leiam!

Emagrecer por emagrecer? Não, obrigada!

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Eu não quero mais simplesmente emagrecer. O que eu quero é seguir saudável. Se o peso baixar, ótimo. Se não, tudo bem. Assim como não quero mais fazer atividade física pra perder peso. Não quero mais correr porque quero pesar tanto. Nada disso. O que eu quero é me mexer porque isso me faz bem, me dá um sono gostoso e me dá ainda mais gás pra viver.

Tenho percebido que emagrecer, perder peso, pesar x ou y tem me deixado pesada, por mais paradoxal que isso seja. Enquanto eu emagreço o corpo, tenho engordado a alma. Tenho carregado uma bagagem extra dentro de mim que não tem me feito nada bem.

Não vou simplesmente jogar uma pá de cal em tudo o que vivi até aqui e fazer de conta que não foi importante. Foi. E ainda é. Mas eram outros tempos, era outra realidade, era outra Renata.

A Renata de agora quer mais do que simplesmente ter o IMC dentro do considerado desejável. Ela quer mais do que seguir uma dieta de 1200 calorias, fazer atividade física ao menos 6 vezes por semana e perder 1kg a cada pesagem. A Renata de agora quer ser verdadeiramente leve. E não há balança no mundo que reflita isso.

E vou repetir pra deixar claro: não vou voltar ao velho estilo de vida, comendo chocolate enlouquecidamente e fugindo de toda e qualquer atividade física. Nada disso. Vou continuar comendo minhas saladas, fazendo meus exercícios e me cuidando. Mas agora, oficialmente, tendo em mente que não quero simplesmente emagrecer. Quero ser saudável, quero viver bem e quero ter fôlego suficiente para correr atrás da tão desejada leveza.

Acho que o simplesmente aí em cima dá uma resumida básica, né? Não que eu possa dizer que vou ficar triste se os números da balança baixarem. Nada disso. Mas não vou me apegar a isso mais não. Agora, o que eu quero, acima de tudo, é cuidar da alma e do espírito. Porque eles, tadinhos, andam bem pesadinhos! 😉

Disciplina: se eu posso, você pode!

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Nunca, em toda a história desse país, eu fui uma pessoa disciplinada. Quero dizer, se o fui, foi em uma única área da minha vida: a intelectual. De resto, posso dizer com certeza, sempre tive como marca a indisciplina.

Indisciplinada com alimentação, com atividade física, financeiramente, com a minha saúde de maneira geral. Enfim, eu era a própria indisciplina em pessoa.

Por isso, quando ouço alguém dizer que emagrecer “apenas” com reeducação alimentar e atividade física é algo apenas pra mim, uma pessoa “tão” disciplinada, primeiro eu rio. E depois, sinceramente, fico com raiva.

Fico com raiva porque eu, a senhora indisciplina, quando decidi que iria mudar a minha vida, aprendi a ter uma disciplina como nunca imaginei ser capaz. Aprendi que essa é uma conquista diária e que disciplina tem validade de 24h: a que usei ontem não vale hoje e a que usei hoje não vale amanhã.

Ou seja, a indisciplinada-mor virou a disciplinada do hoje. Hoje eu sou/estou disciplinada, o que, de maneira nenhuma significa que amanhã vou ser/estar. Algumas vezes, confesso, não o sou. Mas procuro ser a maior parte do tempo que consigo, que fique claro.

E se eu consigo, você também consegue. Não importa se você está pesando 100kg, 200kg ou 300kg. Não importa se você foi indisciplinado a vida inteira, se você fez milhares de dietas e nunca conseguiu terminar nenhuma. Acredite: se eu posso, você também pode.

Então, é parar de dar desculpas e correr atrás da disciplina que você precisa pra ser feliz!

Apequenando

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Era pra esse ser um post superanimado contando do meu Carnaval (que não foi assim tão animado, mas que saiu exatamente como o programado), do tanto que fiz aquilo que me propus fazer e do tanto que, dentro das possibilidades, me diverti.

O resumo: assisti 5 filmes (O lado bom da vida, Os miseráveis, O filho do outro, A bela que dorme e Colegas), li dois livros (os dois primeiros da série “Guia do mochileiro das galáxias”), caminhei e corri 20km, me alimentei corretamente e dormi muito, muito mesmo.

Dito tudo isso, por que então esse não será um post superanimado? Porque eu esperava chegar aqui hoje e dizer: “E tudo isso, pessoal, me rendeu uns bons quilinhos a menos!” Só que infelizmente não posso dizer.

Chateada define o meu estado. Sim, mais uma vez temos aqui o embate do século: expectativas x frustrações. E mais uma vez posso dizer que não, não entendo o que se passa com meu metabolismo. Talvez dona nutrilinda possa me explicar, mas enquanto isso, posso dizer que esforço e balança parecem não se entender muito bem do lado de cá.

Mas antes que você, querido leitor, simplesmente pense: “Uau, que tanto de mimimi”, já vou logo avisando que o mimimi acaba por aqui. Porque um dos lados bons de ver tantos filmes no feriado é ter algumas frases martelando na cabeça. E a que martela nesse momento é “A vida é muito curta pra ser pequena”.

Preciso dizer alguma coisa? Sim, preciso. Só uma: tou apequenando demais minha vida. E preciso engrandecê-la já!  Vou ali pensar em alguma coisa e volto logo. Enquanto isso, fica a dica: assista “Colegas” e você vai entender que muito mais gostoso do que dizer a frase acima, e ficar pensando nela, é vivê-la!