Sem muletas

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Existem por aí milhares de pessoas completamente aptas a andar com suas próprias pernas mas que, ao invés disso, escoram-se em muletas. Não apenas aptas a andar, essas pessoas são capazes de correr e, quiçá, de voar, mas acostumadas que estão com o apoio das muletas, arrastam-se por aí deixando atrás de si um caminho de insegurança e de sonhos não realizados.

Muletas são tudo aquilo que nos dá a sensação de apoio. Num primeiro instante, como em todo processo de reabilitação, elas são sim necessárias. Mas a partir de um dado momento, é preciso andar com as próprias pernas para não atrofiar os músculos. E isso vale para tudo. Quando você começa em um trabalho novo, existe sempre aquela pessoa com quem você pode contar. Se você precisa de algo, sabe que ela estará ali. Mas chega uma hora em que você precisa assumir a responsabilidade. Num relacionamento, muitas vezes uma das pessoas começa sendo o apoio emocional da outra. Mas quando o mais fraco se fortalece, é chegada a hora de andar ao lado e não mais apoiado no outro.

O problema surge quando nos apegamos às muletas e esquecemos que elas são temporárias, que elas estão ali por um tempo necessário mas que, chegado o momento, é hora de andar, correr, voar, com as próprias pernas. O abandono das muletas é sinal de recuperação e também de maturidade. Se você deixa de lado aquilo que um dia lhe foi seguro, você consegue avançar para um nova fase.

Não à toa temos tanta gente infantilizada e imatura por aí. Gente que se agarra, com unhas e dentes, à sensação de segurança da muleta e se esquece de um pequeno detalhe: apesar de segura, a muleta pode machucar os ombros que nela se apoiam e atrofiar os músculos das pernas. Viver escorado é não viver o inexplorado, é não estar aberto às surpresas. Viver escorado é atrofiar os músculos da alma e machucar a sua capacidade de sonhar e realizar.

É fácil abandonar as muletas? Não, não é. É quase como reaprender a andar. Mas pode acreditar: além de necessário é extremamente libertador! Que tal dar uma olhada na sua vida e enxergar se, por um acaso, em alguma área você não anda se escorando em muletas? Se perceber que está há muito contando com esse apoio, proponha-se um exercício de liberdade e redescubra a aventura que é poder andar, correr, voar, por aí!

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8 pensamentos sobre “Sem muletas

  1. Lindo, triste e profundo. Tudo tão junto e tão misturado quanto te leio…
    Li isso e foi com ver a vida passando em flashes . Tantas memórias de um tempo em que tinha medo de descobrir que eu era mais minhas muletas que eu mesma, mas venho aprendendo que tem tanta coisa escondida atrás de tudo isso.
    Obrigada por compartilhar (o texto, o blog e tão bons pensamentos) ❤

  2. Seus textos sempre me trazem boas reflexões. Estou aprendendo a deixar minhas muletas e não ter medo de aprender a andar sem elas.
    Um beijo!
    Vivi

    • Pra vc tb, Rachel! Q esse seja um ano q, mesmo com alguns tropeções e desequilíbrios, nós possamos viver sem muletas! 😉

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