A ponte

bridge
O coração apertava e a respiração, ofegante, deixava claro que todo o corpo acompanhava a angústia da alma. Sabia o que precisava ser feito, apenas não tinha coragem de admiti-lo pra si mesma. Durante semanas vinha lutando contra o inevitável e, face às respostas que encontrava pelo caminho, sabia que a hora se aproximava. Repetia pra si mesma que não conseguiria, que seria complicado, que seria difícil, que seria pesado. A verdade era que já se acostumara a se arrastar com aqueles enormes pesos. Tinha medo de simplesmente deixá-los pelo caminho e seguir. Eles já faziam parte dela e daquilo que ela fazia todos os dias. Só que ela sabia que não duraria pra sempre e que cabia a ela mesma livrar-se daquilo que a prendia. E se o que a prendia fosse o que mais amasse? E se o que a prendia fosse o que mais estimasse? Ela jamais saberia se não cruzasse a ponte e se libertasse. Tomou coragem, tomou fòlego e se jogou. Ao contrário do que pensou, ela não caiu. Mas também não caminhou. Simplesmente, flutuoou.

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