Ampliando o significado

Páscoa VM

Coelhos, ovos, chocolates.
Espinhas, calorias, uns quilinhos a mais.
O mal de nosso tempo chama-se reducionismo. Reduzimos a Páscoa a isso. Assim como reduzimos relacionamentos a seguidores, sentimentos a curtidas, toques a cutucões.
Reduzimos, de maneira geral, datas comemorativas a dias vermelhos na folhinha, dias de respirar, folgar e dizer: graças a Deus não tenho que trabalhar!
Só que reduzir, como o próprio nome diz, é diminuir. É retirar o que há de mais precioso e deixar apenas um pequeno sinal do que a coisa realmente é.
Exatamente como fazemos com a Páscoa. Pra se ter uma ideia, a primeira Páscoa não teve ovo, nem chocolate. Foi marcada por chinelo no pé e mochila nas costas.
Parece simples e tolo. Mas esse é um reducionismo de novo. Porque o que realmente aconteceu foi a libertação de um povo depois de 400 anos de cativeiro. O motivo do chinelo no pé e da mochila nas costas era a preparação para uma longa viagem que viria depois da libertação.
Ampliando e não reduzindo, Páscoa significa libertação. Mas também significa preparação para algo novo que está por vir.
Muitos anos depois, a Páscoa foi marcada por uma cruz. Só que, ao contrário do que parece, ela nunca foi redução. Sempre foi ampliação. De amor e de perdão. De vida. De ressurreição.
Libertação. Preparação. Amor. Perdão. Vida. Ressurreição. Não há coelho que dê conta de tudo isso. Nem chocolate suficiente para carregar tanto significado.
E o gostoso é perceber que tudo isso continua à nossa disposição.
Do que você precisa se libertar? Quais sentimentos precisa deixar pelo caminho?
Será chegada a hora de viver um novo momento? Você está se preparando para um novo tempo?
Tempo esse que clama por amor e perdão. Que pulsa vida. Que exige ressurreição.
Engraçado que a gente ainda reduz tudo isso a uma única área de nossas vidas. Mas amplie o significado e deixe a Páscoa permeá-lo por inteiro. Deixe ser Páscoa onde você trabalha. Seja Páscoa para os seus colegas. Viva a Páscoa integralmente. De corpo, alma e mente.
E, claro, como um chocolatezinho. Afinal, ninguém é de ferro!

(Texto especialmente escrito para o café da manhã de Páscoa da Netmídia Propaganda, agência em que trabalho. A imagem que ilustra o post foi desenvolvida para um cliente nosso, a Votorantim Metais Unidade Niquelândia)

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Meus sonhos formam palavras

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Muitas de minhas lembranças são entrecortadas pelas palavras, pelos livros, pela leitura. Aos seis anos fiz minha primeira redação sobre a bolha de sabão, o que me rendeu elogios rasgados da minha mãe (que ficou dias mostrando o texto pra todo mundo).

Elogios esses que foram substituídos por uma dura reprimenda da minha professora da 2ª série que, sem titubear, me disse que eu tornava minhas redações muito cansativas por usar tantos travessões e falas. Desde então, tenho a maior dificuldade de inseri-los em qualquer texto. Freud explica mesmo!

Já no 2º ano do Ensino Médio, surpreendi a professora ao fazer um anúncio de classificados em forma de poema. Ela, que inicialmente ficou incrédula quando disse o que faria, simplesmente ficou encantada com a maneira diferente que expus as ideias sugeridas.

Não à toa, escolhi minha profissão relacionando-a diretamente à minha paixão maior: sou redatora publicitária. Escrevo textos comerciais para meus clientes e, em muitos deles, tenho a liberdade de voar com as palavras.

Assim, nada mais natural pra uma pessoa tão textual do que o sonho de escrever um livro. Ou melhor, vários livros. Mas do sonho até a realização, muita gente se perde pelo caminho. Em alguns casos, por conta da dificuldade que é publicar um livro no Brasil. É caro, é trabalhoso, é cansativo. Em outros casos, por conta da dificuldade de encontrar um tema, um rumo, um foco. E depois, colocá-lo no papel de maneira a transformá-lo em algo vendável. Só que, graças a uma série de fatores, não me enquadro em nenhum dos dois casos.

Já tenho em mãos a prova do meu primeiro livro. E, pelo cronograma, no meio de abril já o terei prontinho, bonitinho, comigo. E sabe qual a sensação de tudo isso? Que nenhuma palavra foi em vão. Nenhum poeminha, nenhum conto, nenhum ponto. Que vou eternizar, enfim, minha grande paixão. Uma paixão que forma palavras, que forma sonhos, que forma o que eu sou!

Lutando e vencendo

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Nesses últimos dias, como eu já disse, muita coisa está acontecendo por essas bandas. E pra uma pessoa como eu, isso significa ansiedade e cortisol em picos inimagináveis. O que, traduzindo, também significa: se controla, nega! Se controla!

Sim, porque a vontade de cometer gordices é imensa. É aquela falsa sensação de que se comer um doce, uma bala (ou o pacote inteiro), uma torta, a coisa se resolve. Ou  a ansiedade vai embora. Coisa que a gente sabe muito bem que não acontece.

Assim, tou numa luta ferrenha comigo mesma. Vencendo as minhas vontades e os meus desejos minuto a minuto. Perguntando o tempo todo: quem é mesmo o dono de quem?

Não tá fácil, não tá simples, não tá bonito. Mas tá dando resultados. E está me mostrando, mais uma vez, que correria, pressão, angústia, preocupação, não são desculpas para engordar. Pelo contrário. Devem ser coisas que me motivam a seguir em frente e provar pra mim mesma que eu consigo me vencer.

Então simbora seguir em frente porque a luta tá ferrenha e a oponente é forte. Mas como a conheço bem, posso dizer com certeza: sou mais eu! 😉

Quem é mesmo o dono de quem?

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Uma das músicas do Frejat que mais gosto (Amor pra recomeçar) tem uma estrofe que diz o seguinte: “Desejo que você ganhe dinheiro (…) e que você diga a ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem”. Pensando em algumas coisas que ando passando, acho que vez ou outra, é preciso dizer isso pra tudo aquilo que teima em nos prender.

Sim, porque por mais que a nossa sociedade, a propaganda e a gente mesmo apregoe por aí que somos livres, que somos donos dos nossos próprios narizes, isso não é verdade o tempo todo. Talvez, não seja verdade em momento nenhum. Basta a gente prestar atenção em nossas ações e reações.

Algo de chato acontece no seu trabalho. Você fica o dia inteiro ruim e não consegue se desligar do que aconteceu. Quem é mesmo o dono de quem? Você está ansioso por conta de algumas respostas que não vem. Acaba descontando na comida. Quem é mesmo o dono de quem? Você está estressado e, no trânsito, quase comete uma loucura. Quem é mesmo o dono de quem? Seu chefe, sem a menor sutileza, despeja reclamações sobre você. Você passa semanas, até mesmo meses, remoendo tudo aquilo. Quem é mesmo o dono de quem?

Quando permitimos que outras pessoas, nossos sentimentos ou mesmo as circunstâncias determinem nossas ações e reações, estamos dando a outros autoridade sobre as nossas vidas. Estamos dizendo a algo de fora de nós que, a partir daquele momento, ele passa a ser o nosso dono.

Assim, proponho um exercício: que essa semana, antes de agirmos, possamos perguntar: “pera” lá, quem é mesmo o dono de quem? Precisamos assumir o controle de nossas vidas, de nossas atitudes e até mesmo de nossos sentimentos para que, assim, possamos viver plena e integralmente.

E aí, quem é mesmo o dono de quem?

Ela tá diferente

Circuito Mulher

Tem acontecido mais frequentemente nos últimos tempos: olho pra uma foto e, num primeiro momento, não me reconheço. Depois, começo a sorrir e penso: “Gente, como eu tou magrela”.

Aconteceu de novo hoje, quando postei no Facebook uma foto da última corrida da qual participei. Ao me ver, naquela foto, mais uma vez tive que sorrir da minha reação. Minha cabeça ainda não tem noção de como realmente estou.

O engraçado é que quando fui tirar as fotos fiquei imaginando que não iam ficar tão legais, que eu iria aparecer assim ou assado, que as gordurinhas iriam saltar. E hoje, ao ver o resultado com mais calma, sorri. E fiquei extremamente satisfeita: sim, tou quase lá!

Também é muito gostoso me observar no espelho e gostar cada vez mais do que vejo. Fiquei pensando que, se algo desse errado e eu não pudesse fazer as cirurgias plásticas planejadas, eu mesmo assim ficaria satisfeita. Sim, eu sorrio com a minha nova figura.

E o gostoso nisso tudo é saber que, da mesma forma como eu engordei, eu emagreci. Ou seja, eu sou a responsável pelo meu sucesso, pelo meu sorriso. E ter consciência disso não tem preço!

Cenas dos próximos capítulos

mais forte

Algumas coisas que comentei aqui ficaram no ar e acho que tá na hora de contar mais um pouquinho do que tá acontecendo por essas bandas. Então, senta que lá vem história!

Os 60 dias que andei alardeando, e depois acabei simplesmente abandonando, se referiam a uma cirurgia plástica que farei em abril. A primeira de duas. Nela, vou tirar o excesso de pele na barriga e lipar culote e coxa. A ideia era ralar muito pra conseguir emagrecer o máximo até essa data. Só que nem sempre o que se planeja é o que acontece e, bem, abandonei o projeto no caminho.

Ou melhor, o readaptei. Comecei a perceber que toda vez que fico muito focada em algo, acabo ficando neurótica e a ansiedade de ver a coisa acontecer impede o grande acontecimento em si. Assim, sem grandes metas, sem grandes objetivos ou neuras, consegui sair dos 90kg e, ao que tudo indica, chegarei até a cirurgia com um peso muito bom. É como eu disse: aquela dos extremos está se aproximando do meio!

Outra coisa que está saindo do papel é a publicação do meu livro. Ainda não é sobre meu processo de emagrecimento (que logo deve pintar por aí), nem um livro de contos ou crônicas. Nada disso. É um livro sobre identidade feminina dentro de uma perspectiva bíblica. Nunca pensei que esse seria o tema do meu primeiro lançamento, mas é e tem sido um processo bem gostoso.

Assim que tiver com tudo organizado (livro impresso, data de lançamento, valores), conto pra vocês.

E ainda temos a segunda cirurgia, pra retirada de pele no braço (o que mais me incomoda atualmente) e colocação de prótese nos seios (com o emagrecimento, eles estão sumindo – e caindo!). Mas essa é uma história pros próximos capítulos. Inté lá! 😉

A melhor corrida

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A melhor corrida não é aquela em que a gente faz o nosso melhor tempo ou em que estamos na nossa melhor forma. A melhor corrida é aquela em que a gente realmente aproveita cada trecho, cada passada, em que conseguimos desfrutar de tudo o que está à nossa volta.

A melhor corrida não é aquela em que somos ovacionados, ou nos tornamos exemplo. A melhor corrida é aquela em que, anônimos, fazemos a nossa parte. Em que, em meio à multidão, percebemos que somos apenas uma gota – mas que sem essa gota, o oceano seria um pouquinho melhor.

A melhor corrida não é aquela em que fazemos o esperado e conquistamos o esperado. A melhor corrida é aquela em que damos o nosso máximo, mesmo que isso signifique caminhar em alguns trechos. Sim, porque reconhecer os nossos próprios limites é também ir além.

A melhor corrida não é aquela em que nos gabamos do nosso resultado pessoal. A melhor corrida é sim aquela em que incentivamos outros, em que torcemos pelos outros, em que motivamos quem nos rodeia a ir além.

A melhor corrida, enfim, é aquela que nos torna mais gente, mais humanos, mais perceptíveis a quem somos e quem são os outros.

E então, que tal correr hoje a sua melhor corrida?