Expectativas irreais

Há muito tempo aprendi que minhas expectativas devem estar sempre do lado de dentro, em mim mesma, sem jamais ser colocadas nas pessoas, nas situações ou em qualquer outra coisa do lado de fora. Expectativas fora da gente são garantia de frustração, de decepção e, consequentemente, de tristeza.

Só que, diante da frustração e da tristeza dos últimos dias, comecei a perceber que não basta que minhas expectativas tenham como único foco a minha própria pessoa. É preciso que elas sejam dosadas de maneira real. Ou seja, preciso, de uma vez por todas, abandonar as expectativas irreais.

Expectativas irreais são expectativas supervalorizadas, superdosadas. E, exatamente por apresentarem uma overdose, mascaram a realidade, deixando-a com uma aparência fantasiosa, entorpecendo os envolvidos. Mas quando não se concretizam, frustram, machucam, entristecem, na mesma medida em que entorpecem.

Um exemplo prático? A expectativa que alimento toda semana em relação à perda de peso. Como ainda tenho um tanto bom para perder, fantasio que perdendo “x” por semana em “x” meses terei finalizado esse processo. Só que o corpo não responde dessa forma. E lá vou eu ficar extremamente chateada por conta de uma expectativa frustrada. Expectativa essa, meus amigos, que não passa de pura e simples ilusão.

Ou seja, estou aprendendo a duras penas que não basta não colocar minha expectativa no outro. É preciso saber o quanto de expectativa posso colocar em mim mesma e em tudo que se relaciona à minha pessoa. E a linha entre o que é real e o que é irreal, entre o possível e o fantasioso, é bem tênue.

O exercício, a partir de agora, é entender os limites entre uma coisa e outra. Ou, quem sabe, tentar me aproximar ao máximo da expectativa zero – o que, confesso, é muito complicado para alguém como eu, tão apaixonada por sonhos, metas e objetivos. Como chegar a esse ponto? Ainda não sei. O que sei é que preciso, mais uma vez, mexer em algo que anda me incomodando e me impedindo de ser plenamente feliz.

Então, mãos a obra!

***

UPDATE: com outras palavras, e dentro da própria realidade, a Renata escreveu um excelente texto sobre esse mesmo tema. Uma parte do post que mexeu muito comigo foi a seguinte:

“Daí uma possibilidade interessante tem aparecido: e se eu simplesmente me satisfizesse com o que já sou? E se eu abandonasse essa meta de ser boa e me contentasse com apenas ser?”

Leitura altamente recomendada! Passe !

UPDATE 2: como bem lembrou a Renata nos comentários, Leo Babauta, do Zen Habits, escreveu uma série de posts sobre viver sem expectativas/objetivos. Destaco dois e recomendo a leitura:

Just For Fun: http://zenhabits.net/fun/

A Journey Without a Goal: http://zenhabits.net/journey/

2 pensamentos sobre “Expectativas irreais

  1. Li o seu post e na mesma hora quis mandar uma mensagem comentando da sintonia. Incrível.

    Quando li, a primeira coisa que pensei foi “e se a gente vivesse sem objetivo?”. É uma possibilidade, não é?

    Acho que metas impulsionam, mas também podem ser torturantes se não conseguimos desapegar delas. E penso que também pode nos tirar o prazer de caminhar, já que ficamos esperando apenas chegar.

    Como você, querida, sou aprendiz nesse assunto. Que não é fácil. Mas vamos indo.

    Leu a série do Leo Babauta sobre viver sem objetivos, metas ou expectativas? É bem interessante. Vou procurar reler.

    Beijos!

    • Rê, depois de ler seu post e reler o meu, fiquei pensando nos post do Leo. E olha q preciso confessar q, na primeira lida, não gostei nenhum pouco. Fiquei pensando: mas gente, não vira o caos sem metas, sem objetivos?

      Só q hj, agora, parece fazer mais sentido. Ainda dá dor no coração mas ao menos já é uma possibilidade.

      Confesso q ando MUITO cansada de colocar tanta expectativa em tudo q faço pq, sinceramente, são tantas as variáveis… mas tb confesso q não sei como viver se não for assim.

      Ou seja, terei q desaprender pra depois aprender. Será q consigo?

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