Novo ritmo

Tirei o pé do acelerador. O corpo, ou melhor, a cabeça, andou dando sinais de que a alta velocidade dos últimos dias estava sendo demais pra pobrezinha. O objetivo de agora em diante, em relação a praticamente tudo, é esquecer a linha de chegada e tentar aproveitar a paisagem.

Conversei sobre isso com meu personal e disse que, por hora, os desafios estão sumariamente suspensos. Não quero vencer nada, nem a mim mesma. Quero apenas colocar a endorfina pra circular, a cabeça pra esvaziar, o corpo pra relaxar. Quero, enfim, fazer atividade física porque ela me faz bem. Não pra emagrecer, não pra tornear, não pra participar da próxima corrida. Apenas pra ter um sorriso gostoso no rosto e um sono melhor ainda.

Isso também vale pra dieta. A partir de agora, só me peso na nutricionista, às terças. Mas sem expectativas, sempre que possível (confesso que esse será um exercício diário, mas que se mostra extremamente necessário). Chega de focar no quanto ainda preciso emagrecer, em quanto tempo isso vai acontecer e coisas do gênero. Quero estar bem comigo e, enquanto a dieta estiver me trazendo esse benefício, sigamos com ela.

A vida toda vai seguir nesse ritmo, a partir de agora. O ideal, eu sei, seria que eu pudesse desfrutar de alguns dias de férias, que eu pudesse viajar (nem que fosse pra ir ali, em Piri). Mas como isso não vai ser possível até o final de novembro, preciso pensar em alternativas pra não pifar de vez até lá.

Sim, eu ando muito cansada. Mas nada como um momento como esse pra mostrar que, talvez, seja hora de mudar a maneira como eu ando levando as coisas. Pra me apresentar um novo ritmo que, quem sabe, passe a ser o oficial por essas bandas de cá a partir de agora.

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Aos livros, com carinho

Sou uma pessoa de palavras. Desde sempre. Muitas de minhas lembranças estão relacionadas ao ato de escrever: a primeira redação elogiada (o tema foi bolha de sabão), um pequeno livro que fiz e dei de presente para a minha mãe, um classificado de jornal em forma de poema que encantou uma professora cética no segundo grau. Eu e as palavras sempre andamos na mesma sintonia.

Tive as minhas fases: durante um longo tempo preferia as narrativas a qualquer outra coisa. Até descobrir os poemas. Depois, mais velha, encantei-me pelos contos. Nos últimos tempos, as crônicas reinam em meus escritos. Independente do estilo, palavras marcam minha vida.

E marcam de tal forma que, sempre que penso em uma tatuagem, imagino-a em forma de palavra. Talvez esse seja o motivo real de nunca ter me tatuado: seriam tantas, e com tantos significados, que em pouco tempo teria em mim um livro com começo, meio e fim.

Livros, tenham certeza, prefiro ter sempre à mão. Foram eles os responsáveis por me apresentarem às palavras, por colocá-las de maneira tão intensa em minha vida. Foram eles os culpados por minha escolha profissional. Foram eles, enfim, que me trouxeram até aqui e que me impulsionam a chegar logo ali.

Minha casa sempre foi um lugar de livros. De livros e pessoas. De gente lendo, de gente conversando, de gente pensando. De gente escrevendo. Exatamente por isso, tento manter a tradição. Dos livros, das pessoas, das transformações advindas desse contato.

Livro, pra mim, tem cheiro de família. Tem gosto de conhecimento. Tem jeito de gente querida e sabida. Livro, pra mim, é sempre aquele amigo querido que tem o melhor papo, a melhor ideia. Ou não. Mas que sempre tem algo a dizer.

Livro assombra, livro encanta, livro liberta. Livro ajuda a escrever bem, a ler melhor o mundo, a sentir de maneira diferente. Livro empresta lentes quando as nossas estão gastas, empresta palavras quando as nossas nos faltam. Livro acalenta, livro atormenta. Livro muda tudo, nem que o tudo seja só o que a gente traz dentro da gente.

29 de outubro, Dia Nacional do Livro.

Expectativas irreais

Há muito tempo aprendi que minhas expectativas devem estar sempre do lado de dentro, em mim mesma, sem jamais ser colocadas nas pessoas, nas situações ou em qualquer outra coisa do lado de fora. Expectativas fora da gente são garantia de frustração, de decepção e, consequentemente, de tristeza.

Só que, diante da frustração e da tristeza dos últimos dias, comecei a perceber que não basta que minhas expectativas tenham como único foco a minha própria pessoa. É preciso que elas sejam dosadas de maneira real. Ou seja, preciso, de uma vez por todas, abandonar as expectativas irreais.

Expectativas irreais são expectativas supervalorizadas, superdosadas. E, exatamente por apresentarem uma overdose, mascaram a realidade, deixando-a com uma aparência fantasiosa, entorpecendo os envolvidos. Mas quando não se concretizam, frustram, machucam, entristecem, na mesma medida em que entorpecem.

Um exemplo prático? A expectativa que alimento toda semana em relação à perda de peso. Como ainda tenho um tanto bom para perder, fantasio que perdendo “x” por semana em “x” meses terei finalizado esse processo. Só que o corpo não responde dessa forma. E lá vou eu ficar extremamente chateada por conta de uma expectativa frustrada. Expectativa essa, meus amigos, que não passa de pura e simples ilusão.

Ou seja, estou aprendendo a duras penas que não basta não colocar minha expectativa no outro. É preciso saber o quanto de expectativa posso colocar em mim mesma e em tudo que se relaciona à minha pessoa. E a linha entre o que é real e o que é irreal, entre o possível e o fantasioso, é bem tênue.

O exercício, a partir de agora, é entender os limites entre uma coisa e outra. Ou, quem sabe, tentar me aproximar ao máximo da expectativa zero – o que, confesso, é muito complicado para alguém como eu, tão apaixonada por sonhos, metas e objetivos. Como chegar a esse ponto? Ainda não sei. O que sei é que preciso, mais uma vez, mexer em algo que anda me incomodando e me impedindo de ser plenamente feliz.

Então, mãos a obra!

***

UPDATE: com outras palavras, e dentro da própria realidade, a Renata escreveu um excelente texto sobre esse mesmo tema. Uma parte do post que mexeu muito comigo foi a seguinte:

“Daí uma possibilidade interessante tem aparecido: e se eu simplesmente me satisfizesse com o que já sou? E se eu abandonasse essa meta de ser boa e me contentasse com apenas ser?”

Leitura altamente recomendada! Passe !

UPDATE 2: como bem lembrou a Renata nos comentários, Leo Babauta, do Zen Habits, escreveu uma série de posts sobre viver sem expectativas/objetivos. Destaco dois e recomendo a leitura:

Just For Fun: http://zenhabits.net/fun/

A Journey Without a Goal: http://zenhabits.net/journey/

Da minha humanidade

Tem dias em que eu acordo, abro os olhos e penso: tenho mesmo que levantar? E isso depois de uma noite tumultuada, de pouco sono, como essa última. E eu, sonodependente que sou, já imagino o que vai acontecer no decorrer das próximas horas: estarei simplesmente esgotada.

Se somada a todo esse pequeno panorama ainda houver uma corrida exaustiva, de 10km, nas últimas 48horas e com ela o tal do horário de verão, a coisa piora um tiquim e o cansaço se instala de vez.

E nessas horas, não adianta, a cabeça fica pesada, o corpo se arrasta e o coração, tadim, se aperta em meio ao caos. E, apertado, manda mensagens de intenso cansaço pra cabeça que, sem o sono da noite anterior, começa a falhar. É, meus amigos, as coisas não vão nada bem.

A animação, a empolgação, desaparece. Os resultados positivos são colocados lado a lado com todos os outros e, quase sem perceber, me pego pensando em desistir. É, gente querida, eu também sou humana.

Lá se vão mais de três anos de um ritmo intenso, de uma grande quantidade de energia despendida, de dinheiro gasto, de uma vida inteira quase em suspenso por conta de um objetivo. E quando esse objetivo parece não avançar, a vontade é chutar o balde. E, num dia como hoje, a vontade vem ao quadrado.

Não adianta, sou humana. Inspiro muitos, eu sei. Impulsiono tantos outros, sei também. Mas tem dias em que tudo o que eu queria era que essa linha de chegada ficasse mais perto pra que, ao cruzá-la, pudesse me dar o direito de cair ao chão e chorar. Porque ter que correr, o tempo inteiro, cansa além do que vocês possam imaginar!

Muito mais

Acredite, você é capaz de muito mais. É capaz de correr 10km, mesmo estando acostumado apenas com 5km. É capaz de um sorriso a mais, mesmo se sentindo esgotado. É capaz de ficar calado, mesmo quando sente vontade de vomitar palavras.

Acredite, você é capaz de muito mais. É capaz de mudar toda uma situação, mesmo ela estando presente em sua vida há anos. É capaz de mudar toda uma vida, mesmo que ela seja tudo o que você conhece. É capaz de se reinventar, de recomeçar, de todos os “res” possíveis e imagináveis, mesmo que nunca tenha feito isso antes.

Acredite, você é capaz de muito mais. De ser mais calmo no trânsito, mesmo com as buzinas gritando atrás de você. De passar mais tempo com seu filho, mesmo que o cansaço de um dia inteiro esteja sob as suas costas. De um abraço, mesmo que aquela pessoa não mereça.

Acredite, você é capaz de muito mais. De ser alguém melhor, mesmo que apenas para você. De ser alguém que ame mais, mesmo que o objeto desse amor seja apenas aquela pessoa que você vê todos os dias no espelho. De ser alguém mais bem humorado, mesmo que seja apenas rindo de você mesmo.

Acredite, você é capaz de muito mais. Mesmo que muitas vezes não perceba. Mesmo que muitas vezes não sinta. Mesmo que muitas vezes não queira. Mesmo que muitas vezes não acredite. Mesmo que muitas vezes não se veja como alguém capaz de mais.

Acredite, você é capaz de muito mais. Basta que num belo dia você decida dar um passo a mais. Basta que neste momento você decida ampliar um pouco mais os seus limites. Basta que você se canse de andar e decida, finalmente, voar!

Acredite, você é capaz de muito mais!

***

Neste final de semana, me descobri capaz de muito mais. Depois de muitas corridas de 5km, decidi encarar a primeira de 10km. E olha, foi um sufoco! Mas me mostrou que sim, eu sou capaz de mais. E posso afirmar com certeza que, se eu sou, você também é!

Começo, meio e fim

Normalmente, a gente desiste perto do fim ou pra lá do meio. E é fácil entender o motivo: os começos são mágicos. Só o ato de iniciar alguma coisa nos enche de motivação e nos dá um gás extra. Daí, vamos no pique. Fazemos o que precisa ser feito, nos empenhamos e simplesmente focamos no que desejamos.

Só que de repente, a rotina aparece e vai lançando gotas de tédio. Tentamos não nos contaminar com isso, mas chega uma hora em que os resultados, antes tão rápidos, tornam-se lentos e a gente simplesmente pensa em jogar a toalha.

A maior parte faz isso. Chuta o balde, vira as costas e busca alguma outra coisa pra começar. E, sem perceber, entra num círculo vicioso de começos e meios que nunca chegam ao fim. E isso, definitivamente, não é bom. Porque vai nos marcando como aqueles que não terminam nada do que começam. Vai deixando em nossas vidas um rastro de coisas inacabadas. E acredite: elas sempre estarão ali pra nos assombrar.

Mas se a gente conseguisse enxergar que logo após daquela curva da rotina, daquela esquina do tédio, está o tão esperado fim, com certeza não desistiríamos. Simplesmente nos empenharíamos pra chegar lá. E logo.

Se a gente conseguisse entender que é preciso dosar a motivação pra que ela não se acabe logo no começo do caminho, pra que ela nos acompanhe durante todo o percurso, com certeza a gente conseguiria dar um sprint final e ultrapassar a linha de chegada. Se não em todos os desafios, pelo menos na maior parte deles.

Assim, se hoje você sentir que o gás está acabando, que a vontade de desistir está apertando, lembre-se do tanto de energia que você gastou até chegar aqui. Lembre-se de todo empenho, de todo trabalho, de todo esforço. E pense que o fim está mais próximo do que você imagina.

Quebre o ciclo vicioso da desistência, bata o pé e decida ir até o fim. Cruzar a linha de chegada, definitivamente, não tem preço!

O antes e o durante

O Inventário não nasceu com o objetivo de ser um blog sobre dietas, atividade física e vida saudável. Na verdade, ele sequer foi concebido para ser um diário. A ideia inicial era ter um espaço para exercitar minha escrita (leia-se poemas e contos), que andava muito esquecida (pra não dizer negligenciada).

Só que num belo dia, como já contei aqui, acordei com vontade de falar de mim. Deixei um pouco de lado meus personagens, meus enredos fictícios, e resolvi abrir meu coração. Decidi que era hora de me expor e de expor o que passava aqui dentro sem parábolas ou fábulas.

De lá pra cá, é isso o que você tem lido por aqui. Os contos, os poemas, as crônicas, ainda aparecem. Vez ou outra dão o ar da graça por essas bandas. Mas o que mais se pode ver por esses lados são minhas próprias histórias, minhas lutas, minhas vitórias. Minhas descobertas, minhas alegrias e minhas tristezas. E, claro, dieta, atividade física e todo esse universo simplesmente tomaram o Inventário de assalto.

Não, esse não é um momento mimimi. Pelo contrário. Assim como divido com vocês o passo a passo desse processo de reeducação alimentar, achei que era hora de dividir um pouquinho da conquista dos últimos dias. É, gente bonita e leitora desse blog, a foto acima é do antes e dos durantes desse meu momento dietístico. E é incrível perceber o salto dado em três anos. Mas mais incrível ainda é observar como o meu corpo mudou nesses últimos 7 meses.

Dona balança resolveu não colaborar como eu gostaria, é verdade. Mas, em compensação, senhores músculos estão dando um duro danado e tem feito toda a diferença na minha vida!

Os últimos 3 anos não foram fáceis. Pra dizer a verdade, foram quase desesperadores. Mas, olhando a foto acima, eu posso dizer com certeza: tem valido a pena! 🙂

***

UPDATE: relevem a qualidade da última foto. Ao contrário das duas primeiras, ela foi tirada com celular.