Era uma vez…

Sempre fui uma pessoa cheia de ideias. Desde pequena crio mundo, invento pessoas, escrevo histórias. Mesmo antes de saber usar as palavras propriamente, eu as desenhava em minha mente.

Fui descrita, certa vez, por alguém que conviveu comigo quando pequena, como uma criança que vivia em seu próprio mundo. Dizia essa pessoa que eu não fazia a menor questão de sair de lá. Talvez, porque ali eu tivesse tudo o que precisava.

Havia cores, sons, amigos. Aventuras, alegrias, emoções. Castelos, princesas, príncipes e reinos. Havia movimento, enfim.

Quando aprendi a escrever, foi natural não apenas imaginar histórias. Agora eu também as descrevia. Em detalhes, com muitos adjetivos.

Uma das minhas mais fortes lembranças de criança é minha mãe elogiando efusivamente uma redação que escrevi, aos seis anos, sobre uma bolha de sabão.

O apego aos livros também foi um passo natural. Eles alimentavam minha sede por histórias. Nunca fui uma consumidora comedida. Pelo contrário, a fome por inventar, imaginar, sempre foi tanta, que a compulsão livrística é um mal do qual nunca consegui me desvencilhar. Não leio: devoro.

Sou fisgada por pessoas que nunca conheci, em histórias que nunca vivi e que se passam em locais que nunca visitei. Mas isso não me impede de, a partir de então, tê-las sempre perto de mim.

Só que as histórias não se limitam ao que leio. Elas permeiam toda a minha vida. Ando e crio personagens. Descanso e dialogo com eles. Sim, muitas vezes me pego falando sozinha. Ou melhor, me pego falando com aqueles que só existem dentro de mim.

Sou tão fascinada por histórias que dei um jeito de viver delas. Meus personagens hoje vendem carros, apartamentos. Moram em cidades bem cuidadas e ajudam a transformar suas comunidades. Sou, enfim, uma vendedora que negocia seus produtos através de histórias. Sou uma publicitária.

Ao contrário da maior parte das pessoas, nunca parei de criar, de inventar, de imaginar. Nem quando cresci. Tenho 32 anos e ainda converso com amigos imaginários. Tenho 32 anos e ainda passeio por um mundo que só existe dentro de mim.

Só que hoje, lendo um livro chamado “Um milhão de quilômetros em mil anos”, deparei-me com uma questão que mexeu comigo. Eu, que invento tantas histórias, o que tenho feito com a minha história real?

Tive a sensação de ter sido atropelada por um caminhão. Meus mundos, minhas ideias, meus personagens são tão interessantes. Mas e eu, o que sou? O que tenho sido? Crio tantas vidas espetaculares…e a minha própria vida, como é de verdade?

Assim como faço nas minhas histórias, posso escrever uma vida cheia de aventuras pra mim mesma. E viver de verdade cada uma delas. Posso inventar mil enredos e fazer parte deles, como a personagem principal. E não apenas como uma narradora ou mesmo a escritora.

Talvez, seja a hora da virada nessa história que chamo de minha vida. Talvez seja a hora de pensar em algo realmente mirabolante pra fazê-la valer a pena!

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4 pensamentos sobre “Era uma vez…

    • Amiga, posso dizer pra vc q nesse momento ainda estou estirada no chão, com a cabeça zonza, o corpo esmigalhado e sem saber ao certo o q fazer. Prevejo q um turning point está para chegar mas, pra q isso aconteça, eu mesma terei q criá-lo. Como? Não sei, não sei, não sei!

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