Dos ipês e de mim

Quem mora por essas bandas de cá, no miolim do Brasil, tem sofrido nos últimos dias com o intenso calor. Não que não estejamos acostumados a isso, mas esse ano ele demorou a chegar e, quando o fez, apareceu com força total. Pra se ter uma ideia, agosto é normalmente o mês mais quente do ano. Mas nesse ano especificamente, ele resolveu ser chuvoso e friozinho. Assim, restou para setembro nos atormentar com o calor e com a sequidão sem fim.

As paisagens, nessas condições, se tornam simplesmente desérticas. Goiânia, que é uma das cidades mais arborizadas do Brasil, perde o tom esverdeado e ganha um tom amarelado. Pra onde quer que se olhe tudo o que se vê são diversos tons de amarelo mesclados ao cinza dos prédios e do asfalto.

Só que, em determinados pontos da cidade, alguns lampejos de cores de repente aparecem. Amarelos, roxos e rosas bastante vivos se destacam em meio a uma uniformidade de cor. Chamando a atenção daqueles que por eles passam, parecem imunes ao clima desértico e ao sol intenso. Eles, os ipês, reinam soberanos em meio a uma paisagem de tons pastéis.

E é simplesmente impossível ficar imune aos seus encantos. No meio de praças, de ilhas, de parques, eles são a única cor que se vê. São o único lampejo de vida que se percebe. São verdadeiros ventos de sopro fresco em meio a um ar praticamente irrespirável.

Observando sua beleza, sua leveza e olhando pra dentro de mim, percebo o quanto preciso aprender com eles. Porque tem dias em que acordo e tudo o que sinto é o peso de um clima desértico. Olho em volto e apenas enxergo tons de cinza por onde quer que meu olhar alcance. Nesses dias, tendo a me esconder. Ou melhor, tendo a me camuflar e fundir-me com o resto da paisagem. Mas quando olho para os ipês, lembro-me que não fui criada pra isso. Fui criada para florescer. Fui criada para ser um sopro de vento fresco em meio a qualquer clima. Fui criada para espalhar cor e leveza por onde quer que for.

Não importa o clima, não importa a paisagem, não importa o que se passa ao meu redor. Assim como os ipês, preciso permitir que minhas flores apareçam e, com elas, a esperança de que é possível colorir o mundo à minha volta!

5 pensamentos sobre “Dos ipês e de mim

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s