Tudo novo de novo

Depois de cinco meses, senti a necessidade de mudar de nutri. E mudei.

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Fui essa semana e já estou na primeira etapa de um novo tratamento.

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Estou no que ela chama de “Detox”: uma dieta desintoxicante que tem como objetivo limpar o organismo e também mexer com o metabolismo.

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Muito melão e melancia, pouco carboidrato. Muita água e alguns chás.

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Não sou de chás. Ou melhor, não era. Ao contrário do que imaginei, consegui beber o de porangaba e tou pensando seriamente em me aventurar por esse universo milenar.

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O quentinho e a sensação de conforto que eles, os chás, transmitem é indescritível.

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E mais uma vez comprovo que tudo é uma questão de acostumar-se e de querer acostumar-se.

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Pra que essa semana tenha um resultado bacana, tenho tentado baixar ao máximo o nível de ansiedade.

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E subir o de felicidade.

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No mais, tou superenrolada com um projeto que deveria me empolgar.

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Acabo de perceber que estou quase no final (do tal projeto) e que me deixei desanimar perto do fechamento.

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Ou seja, como fiz com a dieta, preciso recobrar o fôlego e me jogar!

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Semana que vem conto as novidades! 🙂

Gritos

Era implacável. Organizava bingos em prol das velhinhas do bairro. Arrecadava roupas usadas para os menos favorecidos. Era uma defensora dos animais. Não havia criança que não conhecesse a sua generosidade. Era do tipo dos grandes gestos, dos grandes amores, das grandes paixões.

Mas algo gritava quando poucos estavam vendo (e ouvindo). Era ali, nas miudezas, que se revelava. Era extremamente agressiva com aqueles que lhe eram “inferiores” no trabalho. Era deselegante quando achava que seu ponto de vista era o mais importante. Ela estava certa, sempre certa. E o mundo, claro, andava todo ao contrário.

E sua vida era vivida em prol disso: consertá-lo. As mazelas sociais deveriam ser extirpadas. As desigualdades com ela desapareceriam. Todos seriam felizes, alimentados, vestidos. Menos aqueles que conviviam com ela mais de perto. Porque esses a conheciam sem as belas palavras. Esses a conheciam sem as roupas de boa moça. Sem a aparência de bondade.

E era tudo tão incoerente, tudo tão discrepante, que no trabalho ninguém podia imaginar quem ela era no dia a dia. E no dia a dia, ninguém acreditaria se dissessem o que ela realmente fazia.

Vivia a vida assim: entre sussurros e gritos. Entre grandes gestos e quase invisíveis mesquinharias. Entre quem fazia de conta e quem realmente era. Entre a aparência e a essência que, por mais que tentasse sufocar, sempre vinha à tona para assombrá-la.

O mapa dos tesouros

Você com certeza já ouviu que pra quem não sabe aonde deseja ir, qualquer lugar serve. Por mais simples que a frase pareça, e clichê também, ela deixa claro algo que a gente tá careca de saber: metas, objetivos, projetos, são fundamentais pra gente seguir em frente. Ou seja, ter uma visão clara de onde se quer chegar faz toda a diferença.

Nesse sentido, tem gente que mapeia todo o trajeto. Tem gente que sabe apenas de onde está saindo e aonde quer chegar. Tem aqueles que cronometram os segundos em cada paragem. Tem aqueles que descobrem que a verdadeira viagem é desfrutar do caminho. Não importa qual seja o seu estilo, qual seja a forma que te toca, o importante é que você saiba qual é o seu destino.

Porque sem destino, qualquer que seja ele, você é um barco à deriva. Sem objetivo, você é uma folha que o vento leva pra onde quer. Sem uma meta, um alvo, você é uma flecha lançada a esmo. Claro que pode ser divertido, em alguns momentos, estar à deriva ou mesmo ser lançado de um lado para o outro pelo vento. Mas chega uma hora em que isso cansa e que, de repente, você olha em volta e se sente perdido, desesperançado.

Essa é, com certeza, uma das consequências de se viver se um plano básico: a desesperança. Cada meta alcançada, cada objetivo atingido, cada ponto conquistado, te enchem de esperança, te dando um novo gás para prosseguir. Mas a cada batida de cabeça, a cada chacoalhada, a cada ida e vinda sem qualquer propósito, acontece exatamente o contrário. E a desesperança, tenha certeza, tem o poder de adoecer o coração.

Quando falo em alvos, metas, obejtivos, não falo apenas em coisas mirabolantes. Claro que elas estão inclusas e precisam, mais do que todas as outras, de um plano de como atingi-las. Mas falo também de coisas práticas, como a sua carreira. Hoje em dia vejo muita gente desestimulada com o próprio emprego e, quando pergunto o que esperavam do dito cujo quando o aceitaram, o que esperam atingir com ele e o que pretendem de agora em diante, a resposta é quase sempre a mesma: não sei.

Pois então saiba. Não necessariamente tudo, mas ao menos um pouco pra ter uma ideia de quando é chegada a hora de sair dele, por exemplo. Ou então, pra saber que naquele momento é decisivo engolir um sapo, pois ainda existem coisas a serem alcançadas. Isso, com certeza o ajudará a suportar as pressões e te dará um pouco mais de satisfação.

Encare cada uma de suas metas, de seus sonhos, quaisquer que sejam eles, quaisquer que sejam os seus tamanhos, como tesouros. Para alcançá-los, você precisa de um mapa, minimamente detalhado. Precisa ter uma ideia de como fará para encontrá-los e, muitas vezes, de quanto tempo precisará para isso. Com ele em mãos, os desafios (ou monstros ou armadilhas) que encontrar pelo caminho, serão mais facilmente encarados. Afinal, você está em busca de um tesouro. De um tesouro particular que, quando encontrado, fará seus olhos brilharem como nenhum outro fez.

Que tal encarar essa deliciosa aventura agora?

Saber viver

Primeiro, li a frase no Facebook. E ali, no meio de tantas outras informações, ela me capturou por alguns instantes. Depois, a li em uma revista e aí sim fui fisgada definitivamente. Perguntada por uma repórter sobre o segredo para se chegar bem aos 105 anos, disse Dona Canô, mãe de Caetano Veloso:

“Viver é muito bom, mas saber viver é melhor”.

A primeira coisa que me chamou atenção na frase foi a celebração da vida por si mesma. Viver é muito bom, disse Dona Canô. E talvez, esse seja um dos segredos que a fizeram chegar aos 105 anos.

Fiquei pensando em mim mesma, na minha maneira de encarar a vida. Tenho a enxergado como uma dádiva, um presente? A tenho celebrado, tenho aproveitado cada instante ou cada momento? Ou simplesmente tenho deixado tudo correr no automático?

Mas Dona Canô não parou por aí. Ela continuou dizendo que viver é mesmo bom, mas saber viver é melhor. Ou seja, não basta celebrar a vida. É preciso escolher a melhor maneira de fazer isso. Não basta enxergar a beleza, é preciso fazer parte dela. Não basta olhar tudo com olhos de encantamento, é preciso sair espalhando o assombro por aí.

E mais uma vez me questionei a respeito de minha sapiência nesse assunto. Tenho sabido viver? Tenho vivido de acordo com aquilo que desejo, com aquilo que espero, com aquilo que me faz feliz?

Que fique claro: saber viver é algo particular, de cada um. A minha maneira de viver com inteligência é diferente da sua. O que me cabe, o que me veste bem, o que faz bem a Dona Canô, não necessariamente faz bem pra todo o resto da humanidade. Isso faz parte de saber viver.

Nesses últimos dias tenho pensado tanto em tantas coisas e, ao ler essa frase, percebi que o ponto chave de minhas inquietações está no saber viver. Estou incomodada porque, de certa forma, tenho percebido que não estou devidamente encaixada na minha forma de viver hoje. Tenho me sentido fora do eixo e, pra voltar pra ele, preciso reavaliar algumas situações.

Uma delas se refere à minha nutricionista atual. Ontem tive uma consulta bem estressante e resolvi procurar outra profissional. Outra coisa, diretamente ligada a ela, se refere à minha maneira de me relacionar com a comida em si. Outra ainda, sem qualquer ligação com as duas anteriores, é minha maneira de lidar com meu dinheiro. Tenho sido cada vez menos consumista, mas creio que chegou a hora de passar para uma nova e importante fase: a de poupadora.

Fora isso, também sinto que leveza, intencionalidade e celebração precisam se tornar pautas diárias em minha vida. Definitivamente, preciso pensar em maneiras de ser a pessoa que quero ser.

Ou seja, o grande objetivo de agora em diante é saber viver da melhor forma pra mim. Uma aventura que, prometo, vou relatando por aqui!

Control freak

Diante do que me aconteceu na última semana, diante de todo o drama, mais uma vez percebo uma característica nada agradável da minha própria pessoa: a tendência a ser uma control freak. Em resumo, control freak é aquela pessoa que, extremamente perfeccionista, tenta ter o controle de tudo o que acontece em sua vida e à sua volta.

Só que isso, como todos bem sabemos, é simplesmente impossível. Porque a vida é feita de uma série de variáveis caprichosas que simplesmente não admitem ser controladas. Um exemplo? A perda de peso. Para perder peso, preciso me alimentar corretamente e fazer atividade física, correto? Em partes sim. Mas se eu estiver muito cansada, o cortisol pode impedir que isso aconteça. Se eu não praticar a quantidade de exercício suficiente, isso também pode afetar na perda de peso final. Sem contar que, como estou pra lá do meio do processo, perder peso se torna cada vez mais complicado.

E então, como controlar tudo isso? Como controlar a alimentação, a atividade física, o stress e o cortisol, o metabolismo, tudo-ao-mesmo-tempo-agora? Não dá. Simplesmente não dá. Diante disso, restam-me duas opções: ou enlouquecer tentando fazer o impossível ou simplesmente aceitar que não tenho tudo em minhas mãos e seguir adiante. Desde sábado, tenho tentado seguir a segunda opção.

Porque foi isso que de certa forma descobri que estava faltando por essas bandas: aceitação. Aceitar que eu não controlo tudo, que as coisas têm um ritmo só delas e que eu posso, apesar disso, seguir em frente e ser feliz. Aceitação, que fique claro, não é acomodação. Pelo contrário. Continuarei lutando, me esforçando, pra que aquilo que me incomoda seja transformado. Mas vou tentar, sempre que possível, não mais gastar energia tentando controlar tudo o que se passa.

Preciso focar minha energia naquilo que realmente está ao meu alcance, naquilo que realmente me faz crescer. Não mais em ilusões, porque o controle de tudo não passa disso: de ilusão. De um castelo de cartas que passo os dias montando e, ao menor vento, simplesmente se desfaz. E lá vou eu, ingenuamente, montá-lo de novo e de novo, sem entender que aquilo ali não me pertence. E lá vou eu montá-lo de novo e de novo sem perceber que, com isso, minha energia se esvai levando com ela toda a minha alegria.

É chegada a hora, enfim, de deixar ir. Isso mesmo, de deixar ir as ilusões e de trazer de volta o que realmente importa. E o que realmente importa? Ser feliz em toda e qualquer situação. Ou seja, praticar, enfim, a aceitação!

Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado.
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado.
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
(São Francisco de Assis)

Drama

Não sou uma pessoa de espalhar meus próprios dramas. Mas isso não quer dizer que eles não existam. Pelo contrário. Quer dizer apenas que não me sinto à vontade jogando ao vento aquilo que me dói aqui dentro.

Claro que você, que me acompanha pelo blog, os conhece um pouco mais do que as demais pessoas. Mas eu garanto, eu não uso as cores mais intensas, as palavras mais fortes, as expressões mais aproximadas para descrevê-los por aqui. Afinal, penso eu, você também tem os seus dramas, as suas dores, as coisas que apertam o seu coração até que ele sangre em forma de lágrimas.

Acho também que não fico espalhando meus mimimis por aí porque senão eu viveria apenas para isso. Sim, estou sendo dramática. Mas esse é o tema desse post, lembra? Fechado esse parêntesis, digo que viveria apenas para isso porque, como também já comentei por aqui, sou extremamente sensível. E isso, claro, me faz ser mais susceptível às artes dramáticas na vida real.

Só que às vezes a coisa se torna tão intensa que jorra por todos os lados. E, muitas vezes, ela o faz através das palavras. Exatamente como agora. Sim, estou no meio de um drama. E um daqueles que faz a gente olhar em volta e se perguntar: o que eu estou fazendo aqui? Ou melhor, pra onde vou a partir de agora?

Como disse no post anterior, sempre fui uma pessoa de inventar as mais mirabolantes histórias. Mas já faz dois dias que ando perguntando o que estou fazendo com a minha própria história, aquela real, que vivo no presente. Pra onde estou indo? Ou melhor, pra onde eu quero ir?

Sinceramente, não tenho conseguido responder a essa pergunta. Parece que, mais uma vez, minha vida entrou no automático e tenho deixado de lado a intencionalidade. E, sem ela, tudo fica cinza, sem graça.

Tudo mesmo. A dieta (dei umas belas escorregadas nesses dias), os exercícios (estou indo normalmente à academia, mas ao contrário da semana passada, só consegui correr um único dia), as aulas de inglês.

Tenho tido a sensação de que falta aventura, paixão. Faltam dias marcantes, mesmo que por pequenos gestos, pequenas atitudes. Ou, quem sabe, o que falta é satisfação, alegria, com aquilo que já tenho. Enfim, que falta, falta. Ou melhor, só o que não falta, é drama. Isso sim, a gente vê por aqui!

As ambições que temos vão se tornar as histórias que vivemos. Se você quiser saber sobre o que é a história de uma pessoa, pergunte-lhe o que ela quer. Se não quisermos nada, estamos vivendo histórias sem graça (…)
Donald Miller

Era uma vez…

Sempre fui uma pessoa cheia de ideias. Desde pequena crio mundo, invento pessoas, escrevo histórias. Mesmo antes de saber usar as palavras propriamente, eu as desenhava em minha mente.

Fui descrita, certa vez, por alguém que conviveu comigo quando pequena, como uma criança que vivia em seu próprio mundo. Dizia essa pessoa que eu não fazia a menor questão de sair de lá. Talvez, porque ali eu tivesse tudo o que precisava.

Havia cores, sons, amigos. Aventuras, alegrias, emoções. Castelos, princesas, príncipes e reinos. Havia movimento, enfim.

Quando aprendi a escrever, foi natural não apenas imaginar histórias. Agora eu também as descrevia. Em detalhes, com muitos adjetivos.

Uma das minhas mais fortes lembranças de criança é minha mãe elogiando efusivamente uma redação que escrevi, aos seis anos, sobre uma bolha de sabão.

O apego aos livros também foi um passo natural. Eles alimentavam minha sede por histórias. Nunca fui uma consumidora comedida. Pelo contrário, a fome por inventar, imaginar, sempre foi tanta, que a compulsão livrística é um mal do qual nunca consegui me desvencilhar. Não leio: devoro.

Sou fisgada por pessoas que nunca conheci, em histórias que nunca vivi e que se passam em locais que nunca visitei. Mas isso não me impede de, a partir de então, tê-las sempre perto de mim.

Só que as histórias não se limitam ao que leio. Elas permeiam toda a minha vida. Ando e crio personagens. Descanso e dialogo com eles. Sim, muitas vezes me pego falando sozinha. Ou melhor, me pego falando com aqueles que só existem dentro de mim.

Sou tão fascinada por histórias que dei um jeito de viver delas. Meus personagens hoje vendem carros, apartamentos. Moram em cidades bem cuidadas e ajudam a transformar suas comunidades. Sou, enfim, uma vendedora que negocia seus produtos através de histórias. Sou uma publicitária.

Ao contrário da maior parte das pessoas, nunca parei de criar, de inventar, de imaginar. Nem quando cresci. Tenho 32 anos e ainda converso com amigos imaginários. Tenho 32 anos e ainda passeio por um mundo que só existe dentro de mim.

Só que hoje, lendo um livro chamado “Um milhão de quilômetros em mil anos”, deparei-me com uma questão que mexeu comigo. Eu, que invento tantas histórias, o que tenho feito com a minha história real?

Tive a sensação de ter sido atropelada por um caminhão. Meus mundos, minhas ideias, meus personagens são tão interessantes. Mas e eu, o que sou? O que tenho sido? Crio tantas vidas espetaculares…e a minha própria vida, como é de verdade?

Assim como faço nas minhas histórias, posso escrever uma vida cheia de aventuras pra mim mesma. E viver de verdade cada uma delas. Posso inventar mil enredos e fazer parte deles, como a personagem principal. E não apenas como uma narradora ou mesmo a escritora.

Talvez, seja a hora da virada nessa história que chamo de minha vida. Talvez seja a hora de pensar em algo realmente mirabolante pra fazê-la valer a pena!