As coisas como são

Participo, no Facebook, de um grupo em que os inscritos estão, assim como eu, lutando contra a obesidade. Tem gente que já emagreceu e está lá pra dar apoio, tem aqueles que estão começando. Tem quem precise perder 5kg e tem também que precise eliminar 30, 40kg. Os homens são minoria, mas estão por lá. As idades são variadas e as experiências também.

A troca de vivências é impressionante e os estímulos também. Pra quem está nesse processo, o grupo é excelente e mostra que não estamos sozinhos. E que todos passamos, em menor ou maior grau, pelas mesmas coisas: temos altos e baixos, dias de dieta perfeita e dias de chutar o balde, dias de desespero e dias de alegria. Enfim, o grupo nos mostra que não há os super. Há aqueles que lutam contra eles mesmos, vencendo e perdendo. Mas tentando caminhar, sempre.

Só que há algum tempo algo tem me incomodado em relação ao grupo: a percepção de que grande parte das pessoas que está ali encara a dieta sozinha, sem um acompanhamento mínimo e adequado. Pessoas que talvez até tenham ido ao nutricionista ou endócrino mas que, depois de um tempo, resolvem fazer a dieta do seu jeito, da sua maneira.

Antes de tudo, quero dizer que já passei por isso. Depois de perder 20kg com o apoio de um programa chamado Coma e emagreça, caminhei sozinha. Nem tão sozinha assim, já que minha mãe é nutricionista, mas o que quero dizer é que passei a não contar com o acompanhamento direto de um profissional (minha mãe mora em outra cidade).

No início desse processo, caminhei bem. Até que, depois de um bom tempo de balança estacionada, me vi ganhando 10 dos 41 kg perdidos. E percebi o óbvio: encarar a obesidade apenas como um problema de peso, pura e simplesmente, era tampar o sol com a peneira. Era tratar um problema de saúde como um problema de balança pura e simplesmente.

E aqui é o ponto que me incomoda no grupo: percebo que grande parte dos participantes infelizmente não tem a percepção de que a obesidade é um problema de saúde e, como tal, deve ter o acompanhamento de um profissional ou mesmo de uma equipe. Não adianta nada perder peso se você acaba com a sua saúde. Não adianta nada fazer a dieta que te dá na telha se ela não é adequada pra sua necessidade.

Mas isso, a minimização dos nossos reais problemas, não é algo que acomete apenas as pessoas do grupo a que me refiro aqui. É algo que faz parte da vida das pessoas, em geral. Ao invés de enxergamos as coisas como são, tendemos a romantizá-las e a resolvê-las com paliativos. Despendemos energia, tempo, dinheiro, com subterfúgios que, no máximo, vão mascarar o real problema. Sem jamais resolvê-lo.

Quem tem problemas no coração, vai ao cardio. Quem tem dor de dente, vai ao dentista. E por que as pessoas que tem problemas emocionais têm tanta dificuldade de procurar um psicólogo ou um terapeuta? Por que o obeso tem tanta dificuldade de procurar um nutricionista ou um endócrino?

Talvez porque estimagtizemos determinados assuntos tanto como sociedade quanto como indivíduos. E, enquanto isso acontece, perdemos a chance de resolver, de verdade, aquilo que nos incomoda e machuca.

8 pensamentos sobre “As coisas como são

  1. Renata, concordo muito com você! Se eu, que faço dieta com acompanhamento profissional, de vez em quando tenho lá meus problemas, imagina quem não tem? A minha nutricionista é essencial na minha trajetória de emagrecimento. Além de fazer uma dieta com as minhas necessidades, o apoio que ela dá em termos de mudar a minha relação com a comida é fundamental. Muitas vezes, ela me apontar coisas no meu comportamento, que eu jamais enxergaria sozinha e que poderiam atrapalhar o meu emagrecimento. Cada um, cada um, mas quando alguém me fala que vai seguir sozinha, sempre tento mostrar a importância do acompanhamento! Beijos e bom final de semana!

    • Poisé, Milena. Vc é um superexemplo da importância do profissional. E é exatamente como vc diz: o profissional enxerga o q não vemos e nos permite ajustar o foco, sempre q preciso. E volto a repetir: se qndo tenho dor de dente vou ao dentista, pq não ir ao nutri qndo estou acima do peso?

  2. Rê, acho q existem duas situações nisso q vc escreveu…
    A primeira é de pessoas conscientes sobre o quão prejudicial é a obesidade e, por uma questão financeira (temporal ou não), não têm plano de saúde e/ou acompanhamento médico, mas mesmo assim, decidem dar o primeiro passo e começar a se cuidar “sozinhas”, buscando informações, apoio de grupos específicos, etc. Esse é o meu caso. Acho válido, embora não seja o ideal. A segunda questão são pessoas que têm condições de ter acompanhamento profissional e não procuram essa ajuda, pq ainda vêem a obesidade como uma questão apenas de estética e não de saúde.

    O q percebo q em relação à saúde (e incluo a obesidade aí) é q a maioria das pessoas só cuida qdo a dor ou o problema passa a ser “palpável”. Por exemplo: é muito maior a porcentagem de pessoas q procuram um dentista qdo o dente dói (ou seja, qdo o problema já está instalado ali) do q pra fazer a prevenção semestral, como é indicado pelos próprios dentistas. Raramente a gente vê alguém com hábito de fazer check ups anuais ou qquer tipo de prevenção com a saúde. Não sei se essa é uma questão cultural, específica do brasileiros que são um povo acostumado a ir empurrando o problema com a barriga até q ele se agrave e, de fato, bata à porta.

    Ótimo post o de hoje! Até deu vontade de voltar ao facebook pra participar desse grupo também. =)

    Beeeijo! =**

    • Caty, concordo com vc sobre as duas situações. Mas a maior parte das pessoas q estão ali, pelo q percebo, se enquadram na segunda, ou seja, tem condições de procurar ajuda. Outra coisa: na maior parte das cidades existem grupos q cobram pouquinho ou nada pra vc participar e contar com ajuda de profissionais. Praticamente TODAS as facus federais tem grupo de apoio aos obesos. Assim, até quem não tem grana pode tentar outras saídas. O q me preocupa, como eu disse aqui, é a gente não encarar a realidade: temos uma doença q precisa de tratamento. E falsear essa realidade atrapalha, inclusive, depois q se perde peso. Assim como os alcoólicos, o obeso nunca está curado. Está sempre sob controle. Acho importante a gente ter isso em mente, sabe? Ah, o grupo surgiu desse blog, q eu superindico: http://pensandomagro.net/ Bju!

  3. Por esse lado tb concordo com vc! A luta contra a obesidade é pra vida inteira, até pq se a reeducação não for feita tb com a mente e se tornar apenas uma briga com a balança, há de se ter uma vida inteira lidando com o famoso “efeito sanfona”, onde se procura sempre tratar a consequência, (q é o excesso de peso), esquecendo-se de tratar a causa (a mudança de vida como um todo).

    Beeeeijo! =**

  4. Verdade!!!! rsrsrs
    Já me perguntaram: “Sua dieta vai até quando?” E eu, como sou chata e implicante, respondi: “Até o dia que eu morrer”.
    A pessoa ficou olhando pra mim com cara de paisagem e, provalvemente, pensando: “Coitadinha dela…”
    Coitado(a) de quem pensa que dieta ou não-dieta é uma condição pra gente ser feliz, né? Se toda a nossa felicidade se resumisse ao que a gente come ou abre mão de comer seria tudo tão simples… rsrsrs

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    =********

    • Exatamente, Caty! As pessoas encaram a dieta como um sacrifício horrível q nós, as coitadinhas, temos q fazer. No começo, pode até ser. Mas hj prefiro encarar como uma escolha q fiz q, claro, traz renúncias, mas tb traz MUITOS benefícios!😉

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