Do amor e outros demônios

Terminei, ontem à noite, de ler “Sonhei que a neve fervia”, da Fal Azevedo. Vale dizer que, no final do livro, mal enxergava as letras nele impressas. Isso porque as lágrimas, muitas, não paravam de rolar. Sim, sou dessas pessoas que se acabam de chorar durante a leitura, o que também aconteceu com a “A menina que roubava livros” (uma grata surpresa, já que o achei extremamente chato até mais da metade).

Voltando ao livro da Fal, o título de uma obra de Gabriel García Márquez o resume perfeitamente. Ele trata do “Amor e outros demônios“. Fala do ano que se sucedeu à morte do marido da autora. Mas não um marido qualquer, digamos assim. Alguém que viveu 8 intensos anos com ela, que viveu para ela. Alguém pra quem ela também viveu. Alguém que a completava de todas as formas possíveis e imagináveis e, que num dia de agosto de 2007, se foi inesperadamente.

A partir daí, vemos o desenrolar (ou não) da vida dela sendo retratado no livro. Como um diário escrito pra ele, o marido, o livro conta das miudezas, dos sentimentos, das angústias, das tristezas. E, claro, da dor. E que dor. Uma dor que não passa nunca. Uma dor que aparece na forma de outras dores (de ouvido, no corpo). Uma dor que a assombra. Uma dor que, como diz o título do García Márquez, é sim como um outro demônio, que fica o tempo todo infernizando, literalmente, a vida da autora.

Só que preciso dizer que há algo no livro que me incomoda. E antes que alguém diga que é a falta de fé da autora, de esperança e tudo mais, digo que não. Não é isso. Ainda não sei exatamente o que é, mas talvez a , que também leu o livro, possa me dizer. Enfim, quando descobrir, conto aqui.

Sonhei que a neve fervia tem seu título retirado de uma música de Chico Buarque, Outros Sonhos. E, pra terminar o post, aqui fica a música pra, quem sabe, embalar a sua leitura! 😉

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4 pensamentos sobre “Do amor e outros demônios

  1. Oi Rê, o livro me marcou muito também. E me provocou uma série de sensações. A primeira delas, tristeza. Mas também um sentimento estranho de desimportância, sabe? Como se diante do fim do amor ou de um amor, nada mais valesse preocupação ou esforço. Não sei se essa é a melhor palavra, mas o livro me deu uma sensação de desilusão. De que nada vale a pena muito investimento porque tudo vai acabar (afinal, se um amor tão grande assim acaba, o que persiste?). Será que não foi isso que pegou por aí?

    Beijos!

    • Rê, isso tb. A gente se pergunta: será q vale a pena amar tanto, dar-se tanto, pra no fim tudo acabar? Mas daí, a gente lembra q tudo acaba. Tudo, tudo. Mas eu tb fiquei pensando o seguinte: será q a vida deve girar sempre em torno de um único eixo, ou seja, do amor? Ou melhor, será q a gente deve colocar toda a nossa vida, toda a nossa expectativa, num outro q não nós? Ainda não vivi essa experiência e tvz seja por isso o meu questionamento, mas fiquei pensando nisso. Será q, no final das contas, vale mesmo a pena? Em uma palavra, realmente é desilusão.

      • É um bom questionamento. E eu me pego pensando nisso muitas vezes. Porque, apesar de ter múltiplos interesses e me esforçar prá não viver só em função da minha relação com o Júnior, tenho consciência do quanto ela é central da minha vida e importante prá minha felicidade. Talvez por isso eu tenha tanto medo do fim que, eu sei, um dia vai chegar.
        Acaba que não temos muita saída, né? Não se doar ao amor (ou ao que quer que seja) não vai diminuir a dor do fim, mas talvez só nos deixe com aquela sensação amarga de não termos aproveitado. Se eu fosse minha terapeuta, talvez dissesse que o caminho é viver intensamente todas as coisas, mas tendo consciência da nossa integridade, plenitude e saudável independência em relação ao que está em volta, rs… Mas como não sou, deixo só a minha inquietação por aqui 😉

  2. Rê, é sempre a escolha: vou me arrepender de ter feito o melhor (ou o q acho ser o melhor) ou de não ter feito? Vou me arrepender de ter me jogado ou de ter me segurado? Só q, pelo menos a meu ver, qndo a gente faz, mesmo q quebrando a cara em algum ponto, a gente dificilmente se arrepende. Ou se arrepende menos pq foi lá e fez. E acho q sou a eterna romântica, ou a eterna esperançosa, pq sempre acho q amar vale a pena (mesmo q um dia acabe), q investir vale a pena, q doar-se vale a pena. Como diria Pessoa, tudo vale a pena se a alma não é pequena! 😉

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