Reclamar, a saída mais fácil

O título desse post seria um tiquim mais longo, mas fiquei com medo de assustar o incauto leitor. Assim, poupei-o, ao menos que momentaneamente, de um título que pode soar agressivo, mas não menos verdadeiro: “Reclamar, a saída mais fácil (e burra)”.

Antes que alguém atire a primeira pedra, já vou logo dizendo que esse é sim um caminho que me pego tomando muitas vezes. É, querido leitor, querida leitora, não estou apontando o gatilho de palavras apenas para você. Aponto-o para mim, sem qualquer pudor.

Já estava pensando nisso essa semana quando leio um excelente texto da Paula falando do incômodo, ou melhor, da irritação que ela sente quando as pessoas simplesmente reclamam e não fazem nada. Diz ela:

“Pode ser que eu esteja radical e rebelde demais hoje – desculpem aí, já vou tomar o meu remedinho -, mas to de saco cheio mesmo de olhar em volta e ver que as pessoas – salvo raras exceções – não conseguem enxergar que elas também são parte do problema. (…)

E que conseguem ficar ainda um pouco mais ridículas quando, além de não fazer nada, nadinha, nem mesmo PENSAR POR UM MINUTO e pelo menos fazer uma cagada consciente, ainda reclamam, criticam e ridicularizam as pessoas que estão lá investindo tempo e neurônios pra tentar melhorar alguma coisa”

Leitores inteligentes que são, vocês já perceberam que tipo de reclamação chamo de burra, né? Aquela que diz respeito a pessoas envolvidas com determinado problema e que, ao invés de se enxergarem como parte dele, e consequentemente como responsáveis também por tudo que o envolve (inclusive pela solução), simplesmente reclamam e ainda atiram pedras naqueles que estão tentando, a seu modo, resolvê-lo.

Pois é, eu também padeço desse mal muitas vezes. E essa semana me peguei nesse atalho, o da reclamação. Tava chateada com uma situação e só reclamava. Até que percebi uma movimentação de outros no sentido de resolver a danada da questão. O pior é que isso me incomodou mais ainda. Até que a ficha caiu: e se ao invés de reclamar eu simplesmente ajudasse a resolver o problema? Gênia? Não! Menos burra? Talvez!

A grande questão, minha gente, é a tal da questão da responsabilidade. Já parou pra pensar no tanto que a gente, de maneira geral, se isenta da danada? Ou melhor, do tanto que a gente já se sente responsável por “n” coisas que, quando pode, ou acha que pode, simplesmente quer que o outro se responsabilize?

Só que infelizmente, se você está no barco, qualquer que seja ele, e não assumir a responsabilidade de remar, ele não sairá do lugar. Pode gritar, pode espernear. Pode reclamar à vontade. Pode falar mal do vento, da vela. Pode falar do capitão, do timoneiro. Pode fazer piadinha com quem tá remando. Nada disso vai resolver. E nem vai te ajudar a sair do barco. Porque pra você chegar do outro lado do mar e dar um tchauzinho pra embarcação, só se jogando na água (e vamos combinar que nadar dá muito mais trabalho) ou remando.

Assim, gente querida, acho que todos concordam comigo que reclamar e cruzar os braços é mesmo uma grandissíssima de uma burrice, né não? Então, fica aqui a minha sugestão: simbora pegar no remo porque a praia tá longe! 😉

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7 pensamentos sobre “Reclamar, a saída mais fácil

  1. Li o texto da Paula ontem e adorei. Foi um tapa bem dado em todos nós. É muito, muito mais fácil reclamar e dizer que os responsáveis não estão fazendo nada prá resolver os problemas que estão aí na nossa cara. Só que, tchanam!, todos somos responsáveis. Ou, ao menos, podemos pensar em maneiras criativas de sermos parte da solução do que nos incomoda. Como você disse tão bem, isso dá bem mais trabalho, é cansativo e exige esforço. E entendo que nem sempre tenhamos saco ou vontade de fazer tudo isso. Só que acho que, quando é assim, parar de reclamar é, ao menos, uma saída mais elegante e civilizada.

    • Exatamente, Rê! Acho que se não queremos ou podemos ser parte da solução, que não sejamos, então, mais um a aumentar o problema. Vejo, como a Paula bem disse, tanta gente reclamando do trânsito dentro do seu carro confortável. Mas se tá insuportável o caos nas ruas da cidade, pq não pensar em ir a pé, de bike e tudo mais? Tanta gente reclama da corrupção dos nossos governantes mas se corrompe ou corrompe outros, dando um café pro guarda, burlando essa ou aquela lei… Enfim, a gente precisa é perceber, urgente, que somos sim parte do todo. E, nesse bolo, parte dos problemas. Então, simbora reclamar menos e agir mais! 🙂

      • Isso 🙂 E se for prá não agir, ao menos mantenhamos o silêncio que torna suportar o problema menos difícil.

    • Agora imagine se eles parassem de reclamar (seja lá pelo motivo q for) e viessem conversar, cara a cara, comigo. Apenas imagine… 😉

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