A arte do assombro

Lendo esse post do Zen Habits (excelente indicação da Renata), lembrei-me de uma cena que vivi há alguns dias atrás. Saíamos do restaurante e uma família, com uma menina de uns cinco anos, ia à nossa frente. Num determinado momento, passamos em frente a um prédio que tem um espelho d´água em sua fachada. A menina parou encantada e disse pro pai: “Papai, olha que lindo. O céu faz ondas!” O pai, com pressa, saiu puxando a criança. E eu fiquei ali, embasbacada, com a observação dela.

Comentei com a minha mãe a poesia em forma de comentário da menina. E minha mãe disse: “É que ela vê tudo como se fosse novo. Pena que a gente fica bobo e deixa de se encantar”. E é exatamente isso que fala o post do Zen Habits, de como, ao crescer, perdemos a capacidade de brincar, de nos encantar, com tudo.

O post termina com uma frase maravilhosa de George Bernard  Shaw: “Nós não paramos de brincar porque crescemos, nós crescemos porque paramos de brincar”. Não faz todo o sentido pra você?

O mundo não muda quando crescemos. Quem muda somos nós. E, acho eu, mudamos pra pior. Perdemos nossa capacidade de encantamento, de assombro, e achamos tudo muito igual, muito normal.

Mas quem disse que as surpresas desaparecem simplesmente por que nós não as vemos? Elas continuam lá. Os céus que fazem ondas continuam nos espelhos d´água. As borboletas mágicas continuam a povoar os jardins. Os sorvetes nas nuvens ainda pairam sobre as nossas cabeças. Os castelos, os super-heróis, as princesas e os príncipes estão por todos os lados. A questão é abrir os olhos para enxergá-los.

Tenho, no meu celular, uma frase que me serve de oração. E, sempre que reinicio o aparelho, a mensagem aparece: “Senhor, dai-me a capacidade do assombro”. Acho que todos os dias, todos nós, deveríamos desejar isso. A capacidade de nos assombrar. Porque quem se assombra enxerga tudo novo. Percebe um outro mundo onde os outros não vêem. Quem se assombra, enfim, nunca deixa de ser criança. Vivendo, assim, a melhor fase da vida todos os dias!

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8 pensamentos sobre “A arte do assombro

    • Exatamente! Minha oração sempre! Q sejamos capazes de enxergar o céu fazendo ondas onde quer q estejamos! Bju!

  1. A Bíblia (ela, de novo! rsrsrs) tem um texto em Mateus 6 que acho fantástico. Ele diz (contextualizando) que se os nossos olhos forem bons veremos luz em todas as coisas, mas se os nossos olhos forem maus, veremos também coisas más. Acho que é exatamente isso que vc falou no seu texto: a arte do encantamento, do assombro, depende da maneira como vemos as coisas.
    É claro que não vamos posar de ingênuos achando que tudo é lindo, que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes (como canta a Legião Urbana, rs). É claro também que não dá pra brincar de ser Pollyanna nos 365 dias do ano e nas 24 horas do dia, mas acredito do fundo do meu coração que podemos “treinar” o nosso olhar para nos encantarmos com os pequenos milagres da vida que são colocados dia após dia diante de nós.

    AMO esse seu Inventário, viu? =)

    Bjãozão! =***

    • Tb amo esse texto! Ele diz q os olhos são as luzes do corpo, q deixam ou tudo brilhando, ou tudo na escuridão. E é exatamente disso q falo aqui: q a gente precisa treinar o olhar pra não deixar escapar os pequenos milagres q estão por aí, as pequenas surpresas. Tb AMO seus comentários por aqui! :*

  2. E a vida fica bem mais divertida quando enxergamos, nela, motivos prá esse assombro. Tem um texto do Pessoa que fala disso e sempre me inspirou:

    O meu olhar é nítido como um girassol.
    Tenho o costume de andar pelas estradas
    Olhando para a direita e para a esquerda,
    E de vez em quando olhando para trás…
    E o que vejo a cada momento
    É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
    E eu sei dar por isso muito bem…
    Sei ter o pasmo essencial
    Que tem uma criança se, ao nascer,
    Reparasse que nascera deveras…
    Sinto-me nascido a cada momento
    Para a eterna novidade do Mundo…

    Não é lindo isso? Sinto me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.

    Beijos!

    • Pessoa, sempre Pessoa. Como ele conseguiu traduzir de maneira tão simples aquilo q a gente traz bem lá dentro, né? Lindo esse poema, não conhecia. Vc, como sempre, deixando esse cantinho aqui ainda mais florido! Bju!

      • Fernando Pessoa é incrível mesmo, né? Meu poeta preferido há anos. Às vezes fico um tempo sem ler e, quando volto, me assombro com a sensibilidade e o quanto ele consegue me traduzir.

        Beijos, querida!

      • O poder de Pessoa é tão grande q meu irmão caçula, q antes não curtia poesia de jeito nenhum, virou um apaixonado por conta dele!

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