O comentário que virou post

No post de ontem, em que eu falava sobre a importância de não permitirmos que nossas emoções assumam o controle das nossas vidas, a Renata fez um comentário bem interessante. E tão, mas tão bacana, que acho que cabe abrir a discussão por essas bandas:

“Eu fiquei pensando no quanto os sentimentos – dos outros – têm o poder de nos controlar e no quanto isso é injusto. Não acho que devemos virar monstros egoístas que não têm consideração pelos sentimentos alheios, mas acho que esquecermos dos nossos sentimentos em prol dos dos outros é fria. Ando pensando muito sobre isso”.

É, não basta não permitir que os nossos próprios sentimentos nos dominem. Também precisamos tomar o cuidado pra que os sentimentos dos outros não ditem as nossas ações, as nossas atitudes.

Que fique claro: se não podemos controlar o que sentimos, quanto mais o que os outros sentem. Não temos como garantir que uma ação x de nossa parte irá repercutir da forma y na pessoa, gerando o sentimento z por conta disso. E se controlar tudo isso não é possível, não é um pouco ilógico permitir que esse sentimento que nem sabemos se w ou z nos controle, nos pressione, nos limite?

Mas é o que mais acontece. Deixamos que os sentimentos alheios ditem a pauta de nossas ações, de nossos projetos, de nossos pensamentos. Quer um exemplo bem claro e simples? Você recebe uma proposta maravilhosa de emprego. Mas apesar de achar que pode ser uma fonte de crescimento, você fica extremamente balançado. Não porque não queira ou não ache que deva ir. Mas simplesmente porque fica preocupado com os sentimentos do seu chefe atual, que gosta realmente de você. Você sofre por imaginar que ele ficará chateado, magoado.

Isso mesmo, você sofre. E é aqui o ponto primordial: o sofrimento. Se o sentimento do outro nos controla de tal forma que começa a nos prejudicar, começa a nos fazer sofrer, talvez seja hora de rever a ordem das coisas. Não proponho o egoísmo puro e simples, que fique claro. Mas proponho irmos até onde vai realmente a nossa responsabilidade. Proponho, isso sim, o cuidado consigo mesmo, o amar-se, o preservar-se.

Permitir que os sentimentos alheios nos dominem é dar a condução de nossas vidas pra uma outra pessoa. É tornar-se apenas espectador de sua própria vida. E tem coisa mais triste que isso? Ser uma marionete, mesmo que inconsciente, de um tirano de terras estrangeiras? Eu acho que não…

E você, o que pensa disso? Estão abertos os debates! 😉

 

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6 pensamentos sobre “O comentário que virou post

  1. Rê, não há a menor dúvida que somos seres completamente emocionais. Assim, nos sentimos alegres, tristes, melancólicos e furiosos e a soma desses sentimentos nos movimenta . Os orientais falam muito sobre o poder das emoções em nossas vidas e um antídoto receitados por eles há milhares de anos é a meditação. Que pode vir por meio de uma oração, um caminhar contemplativo, do silêncio, tudo aquilo que pode aquietar nossa mente…durante e depois da meditação podemos esperar pelo silêncio interior, isso permiti ver as coisas como são, olhar sem julgar … Isso é fácil? Não é!!! Exige um exercício diário de disciplina e dedicação….Mas para começar …(e isso anda servindo para mim), podemos inciar com três respirações profundas, lentas, conscientes. Isso já nos traz um pouco para o presente e para o nosso corpo …..já é o primeiro passo…

    • Lidi, o segredo é mesmo esse: a gente ter consciência do q acontece e tentar nos aquietar, nos acalmar. Como vc mesma disse, somos seres completamente emocionais. O q não podemos, porém, é permitir q nossas emoções nos levem pra onde quiserem. 😉

  2. Que bom continuar esse papo! Adorei o comentário da Lidiane e percebo esse benefício que ela comentou na minha recentíssima e ainda torta prática de meditação. Tenho ido pelo caminho da respiração, inspirada pelo Gaiarsa e o Leo Babauta (escrevi sobre isso no blog), e percebo mesmo que fico mais concentrada no momento presente, com mais capacidade de olhar prás coisas com um olhar menos enviesado pelas emoções.

    Queria também tocar em outro ponto, continuando a conversa… Quando a gente fala de não se deixar levar pelos sentimentos, podemos dar a falsa ideia de que eles não são importantes ou são maléficos. Não acho que sejam. São o que nos torna humanos, não? E daí acho importante darmos legitimidade para todos os sentimentos, reconhecendo que podemos e devemos senti-los. O xis transformador é o que fazer com o sentimento que reconhecemos. Acho normal, humano e saudável sentir raiva, mas não agir motivada pela raiva. E acho que quando aprendemos isso, nos tornamos tanto menos reféns dos nossos sentimentos quanto dos dos outros (nossa cultura que ama culpa adora nos responsabilizar pelos sentimentos alheios. Acho fundamental lembrarmos sempre que os sentimentos dos outros a eles pertencem).

    O comentário ficou enorme, me desculpe. Mas estou adorando essa conversa. E aprendendo muito com essa reflexão conjunta.
    Ontem não mandei o email porque o dia foi uma loucura (hj também, só agora estou acessando a net for fun). Mas que tal um almocinho semana que vem? Teremos evento na universidade e estarei enrolada todas as noites.

    Beijos!

    • Renata, pronto! Mais um bom papo prum próximo post. Enquanto escrevia, pensei nisso tb: no cuidado q devemos ter em saber discernir o não se levar pelos sentimentos e o simplesmente negá-los. Pq concordo com vc: sentimentos são legítimos. Mesmo os piores deles. E, qndo eles nos acometem, é sinal de algo dentro de nós está acontecendo.
      E lá vem a palavrinha mágica: o tal do equilíbrio. A gente precisa sim aceitar os sentimentos, entendê-los, mas não fazer deles os nossos guias pra tudo. Mas até achar o ponto de equilíbrio, acho q vai tempo. E exercício dos mais difíceis: conhecer-se!
      Conhece-te a ti mesmo deveria ser nosso manual de existência. E os exercícios de respiração, a oração, são ferramentas que nos ajudam nesse sentido. Qndo nos conhecemos, legitimamos nossos sentimentos sem nos tornarmos reféns deles. E, qndo nos conhecemos, tb não nos deixamos aprisionar pelos sentimentos alheios.
      Ufa! Ainda temos muito assunto pra mais comentários e posts!
      Qnto ao almoço, simbora marcar sim! Pra mim, as 3as e 5as é melhor! 😉 Fico aguardando notícias!

      • Acho que você matou a pau: conhecer e legitimar os sentimentos (todos eles), mas não torná-los nossos guias prá tudo. Afinal, somos também seres racionais, né?

        Então vamos marcar prá quinta? Bora pro email combinar detalhes :*

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