Perdas e ganhos

Desde que ouvi o podcast da Rosana Hermann sobre esse tema, lá no Querido Leitor, fiquei com isso na cabeça. Ela fez algumas colocações tão interessantes sobre perder e ganhar que foi impossível não me identificar e pensar: “Uau, como eu não percebi isso antes?”

Resumidamente, ela diz que naturalmente não gostamos de perder. Que de maneira geral, nosso cérebro é condicionado a ver todas as perdas como algo ruim. E, pra quem tem a real necessidade de perder algo, como peso, isso pode ser algo bem complicado (como é o meu caso e o dela também).

Fora que a vida também é feita de perdas! São amigos que se vão (não necessariamente que morrem, mas que simplesmente se afastam de nós), são relacionamentos rompidos, empregos perdidos, oportunidades que deixamos ir. E lá vai o nosso cérebro entrar em parafuso por conta de tantas coisas que se vão. E lá vamos nós nos sentir frustrados, entristecidos e, quantas vezes, emburrados com tudo isso!

Só que normalmente as perdas implicam em ganhos. Podem até não ser exatamente consecutivos, mas creia, eles acontecem. Se eu perco peso, ganho qualidade de vida. Se eu perco um amigo, abro oportunidade para novas amizades. Se eu perco um emprego, ganho a possibilidade de reavaliar a vida profissional. E se não ganho nada palpável, digamos assim, ganho a possibilidade de amadurecer – o que, convenhamos, é algo muito bacana!

Assim, o grande pulo do gato é a gente conseguir mostrar pro próprio cérebro que as perdas não são ruins. Pelo contrário. Elas abrem espaço para os ganhos. E isso vale pras mínimas coisas. Por exemplo, muita gente me pergunta como eu consigo preferir uma salada a algo bem engordativo e calórico. Em outras palavras, me perguntam como posso perder algo delicioso. Só que pra mim, não é perda. É ganho. Eu ganho um sorrisão no rosto quando escolho a salada.

Exatamente como quem está prestando concurso. Essa pessoa não está perdendo horas de sono. Ela está ganhando tempo e correndo atrás daquilo que ela realmente quer. Tem também aquele que está poupando pra um grande sonho. Ele não está deixando de viver ou perdendo o melhor da vida. Ele está ganhando aquilo que tanto sonhou.

Claro que esse é um processo de desconstruir e reconstruir o tempo todo. E isso demanda tempo e esforço. Mas acredite, a gente ganha bem mais do que perde! 😉

***

Quem ficou curioso pra ouvir o podcast, aqui vai ele:

6 pensamentos sobre “Perdas e ganhos

  1. Rê, interessantíssimo o post. E me lembrou algo que sempre ouço da minha terapeuta: toda escolha implica em uma renúncia. E isso significa que, mesmo quando pensamos estar só ganhando, estamos também optando por perder alguma coisa. O que me leva a pensar que vale muito a pena tirarmos esses sentidos negativos da ideia de perder e ganhar porque, na verdade, elas são faces da mesma moeda, realidades inseparáveis e que podem, sim, nos trazer coisas boas.
    Adorei a reflexão. E aproveito para agradecer seu carinho comigo e com o Jr lá no blog, quando falei da morte do padrinho dele. Você é um doce, querida. E fico feliz demais que estejamos nos conhecendo, mesmo depois de tanto tempo de quando nos vimos pela primeira vez. As coisas acontecem no tempo certo, né?
    Beijo!

  2. Renata, estou há quase uma semana literalmente ruminando esse tema. E você não imagina o quanto ele tem se tornado real pra mim. Depois de longos e tenebrosos meses sem emagrecer uma grama, em menos de uma semana (de quinta pra cá), já eliminei 3 kg! 🙂 Incrível o que parar, pensar e refletir pode fazer com a gente, né? Nesse sentido, agradeço demais a você pelo incentivo em relação à terapia. Por mais que esse tema ainda não tenha entrado nas conversas com a terapeuta, com certeza por conta dessas conversas estou mais aberta e sensível ao que acontece comigo. E você tem parte nisso! E é exatamente o que você falou ali em cima: nossa reaproximação aconteceu num momento bem bacana e eu fico MUITO feliz em ver isso! 🙂

    • :)))))
      O mérito é todo seu, Rê. Qualquer terapia só consegue nos ajudar se temos coragem prá entrar nesse processo de autoconhecimento, que não é fácil e nem sempre bonito.
      E temos que marcar um encontro ao vivo um dia, hein? Quem sabe você não me incentiva a correr? (Morro de vontade, mas ainda não consigo).

      • O encontro ao vivo e em cores foi quase transmissão de pensamento! rs… Ia mesmo propor isso. Pra gente conversar (muito!) e tb se incentivar. E eu garanto: depois q vc começa a correr, não quer mais parar! 🙂

  3. Rê,
    Tanto o texto exposto como o depoimento demonstra o quanto o ser humano é frágil e limitado.
    O intrigante é a tal palavrinha “Aceitar a Perda” isso é difícil e as vezes nos impede de entendermos que estamos ganhando.
    Fazendo uma comparação do assunto me lembrei de uma música do Thalles Roberto que diz mesmo sem entender eu confio em ti, vejo que esta canção como o assunto debatido aqui combina com os momentos que enfrento atualmente.
    Querida que o Senhor continue usando vc como mensageira que és.
    Bjos.

    • Amore, com certeza o problema nem é a perda em si. É mesmo a aceitação dela. Principalmente qndo não vemos, pelo menos num horizonte próximo, um ganho. Mas é o q eu disse no texto tb: se a gente não ganhar nada, nadinha mesmo, ao menos a gente se torna mais madura. E mesmo se a maturidade não chegar, a gente aprende a confiar em Deus e saber q Ele tem um plano! 🙂

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