Despida

Meu objetivo inicial com o Inventário nunca foi fazer dele um diário. Pelo contrário. Ele nasceu da vontade (e da necessidade) de exercitar minha escrita criativa. Por isso, o pensei como um espaço onde caberiam meus contos, crônicas e poesias. Além disso, o mundo virtual está cheio de diários escritos por pessoas bem mais competentes do que eu. Gente que expõe de maneira tão clara quanto gostosa aquilo que pensa, sente, vivencia. Quer um bom exemplo? Taí o Muitos e duplos que não me deixa mentir.

Sem contar um outro fator importante, que é de conhecimento dos meus amigos: sou uma pessoa difícil de me abrir. Uma antiga colega de faculdade disse certa vez algo que me define: “Renata, você sabe tanto de mim e eu sei tão pouco de você!” Ou seja, sou uma excelente ouvinte. Ofereço meu ombro pra todos à minha volta. Mas não é algo comum você me ver pedindo um ouvido emprestado.

Só que as coisas mudam. E rápido. E sempre. E isso me inclui. De repente, começo a sentir uma necessidade engraçada de me despir do conto, da poesia, da crônica, pra falar de mim. Ou melhor, pra escrever de mim. Durante um tempo tentei ver se essa vontade passava, se eu conseguia passar por ela. Mas ela permaneceu. E, ao invés de lutar contra ela, decidi que era hora de satisfazê-la.

Assim, meus queridos dois leitores (oi, mãe!), a partir de agora vocês encontrarão por aqui algo além da Rê aprendiz de escritora. Você verão, mesmo que em doses homeopáticas, fragmentos da Rê aprendiz de pessoa. E, juntando as partes, quem sabe um dia consigamos – eu e você – conhecer a Rê por inteiro!

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7 pensamentos sobre “Despida

  1. Vai ser uma delícia acompanhar esse exercício de revelação 🙂 E sou suspeita prá falar, adoro blog-diarinho e não conseguiria fazer diferente.

    Beijos, querida!

    • Pra mim isso eh um pouco novo (pra não dizer assustador). Mas acho q essa eh uma etapa importante q não deve ser queimada e sim respeitada. Quem sabe eu descubra q realmente curto compartilhar minhas idéias/sentimentos como um diário? Só vou saber fazendo, né? E vc eh sim um exemplo pra mim nessa jornada. Saiba disso! 🙂

      • Ah, generosidade a sua, Rê. O que eu percebo depois de 10 anos de diário constante é que o ato mesmo de se revelar já ajuda um monte. Não tenho dúvidas de que o fato de escrever sobre mim, me expor à leitura dos outros e receber feedbacks (nem sempre doces ou generosos como o seu) me deixou mais segura, estimulou minha autonomia e fez com que eu percebesse e exercesse o direito que todos temos de ser quem somos e queremos ser. É como se, escrevendo, eu reforçasse aquilo que sou e penso e vivesse mais fortemente esse direito – me importando menos com o julgamento alheio. Fora que é uma delícia.

        No mais, concordo com você. Acho que a gente tem que viver as demandas que temos a cada momento. Se é o que você quer experimentar agora, se jogue 😉

  2. Que modéstia Re! Eu sou leitora assídua e sei de mais gente que também lê você sempre… aliás, eu peço pro Alessandro sempre que vai lá na vóota de vocês, que leia pra ela também!
    E vamo que vamo…estou adorando este seu desabrochar…se mostrar, se insinuar… se….

    • Tia, brigada pela leitura e pelo incentivo a ela! Fui um pouco dramática, mas serviu como recurso literário! rs… Bem, qnto a essa nova fase, por incrível q pareça, tb estou curtindo! E enquanto isso acontecer, vamo q vamo! Bju! 🙂

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