Das escolhas menos óbvias

A vida é feita de escolhas. Quer percebamos, ou não, estamos o tempo todo escolhendo. Se vamos acordar na hora ou se vamos ficar um pouco mais na cama. Se vamos tomar um café saudável ou se vamos enfiar o pé na jaca logo pela manhã. Se vamos ao trabalho pelo caminho de sempre ou se vamos fazer uma rota alternativa. Das mais simples às mais complexas, as escolhas permeiam nossas vidas o tempo todo.

E, por mais que a maioria de nossas decisões seja feita no modo automático, existem aquelas que precisam ser tomadas de maneira bem consciente. Quer um belo exemplo? Colocar exercícios físicos na nossa rotina diária. A não ser que sejamos do time de pessoas que já nascem propensos a achar delicioso suar em cima de uma esteira, essa é uma decisão que precisamos tomar de maneira deliberada. Colocando os prós da atividade física na balança, usando de chantagem emocional e tudo mais. Pelo menos comigo é assim que funciona na maior parte das vezes.

Se você parar pra pensar, as escolhas que precisamos fazer de maneira consciente geralmente são aquelas que vão contra a nossa natureza. Porque vamos combinar que não existe coisa que o nosso corpo deseje mais do que descanso. É a tal da lei da inércia: a nossa tendência é sempre ficar parados – a não ser que uma força maior nos faça mexer as cadeiras. Ou seja, a não ser que nos obriguemos a ir pra academia, pro parque ou pra qualquer outro lugar equivalente, dificilmente nosso corpo pedirá, por si só, uma bela caminhada.

Parar de reclamar (ou simplesmente calar a boca) e sorrir segue essa mesma linha. Sim, porque temos motivos de sobra todos os dias pra simplesmente desfiarmos um rosário de reclamações. É o trânsito que empaca, é o trabalho que acumula, é a balança que não ajuda. É a conta bancária que resolve aderir de vez ao vermelho bordô, é o caixa do supermercado que simplesmente resolve participar da operação tartaruga. Tudo conspira, enfim, pra que reclamações jorrem de nossas bocas com mais força que as quedas d´água das Cataratas do Iguaçu.

Só que nós podemos, a todo instante, fazer uma escolha menos óbvia: parar de reclamar e sorrir. E, enquanto não despendemos energia reclamando, vamos bolando meios de resolver os problemas cujas soluções dependem de nós. Praqueles que as respostas estão além das nossas forças, levá-los com mais leveza com certeza não irá piorar a situação.

Não gastar tempo reclamando exige esforço, claro. Porque é como eu disse ali em cima: é nadar contra a corrente, é fazer algo que é, deliberadamente, contrário ao que fazemos naturalmente. Mas acredite: se não muda a situação, parar de reclamar nos transforma, na maior parte das vezes, em pessoas mais leves. E, consequentemente, mais felizes.

3 pensamentos sobre “Das escolhas menos óbvias

  1. Querida, como é bom vir aqui e encontrar textos como esse. Sinto uma sintonia tão grande entre o que pensamos e estamos buscando para nossas vidas que é ótimo perceber esse eco em outra pessoa. Dá ânimo, sabe? Estou como você, fazendo esforço prá escolher o que é melhor e gera coisas boas no meu dia a dia, mesmo que isso seja contrário à minha natureza. Não é fácil, mas vale a pena.

    • Concordo plenamente com vc! Acho uma delícia dar um pulo no “Muitos e duplos” e me ver retratada ali. Creio realmente q estamos numa sintonia fina diante daquilo q queremos/buscamos. Fiquei com receio de esse texto ficar MUITO jogo do contente, mas tenho observado q é MUITO melhor, ao menos pra mim, dar um belo sorriso do q reclamar. Pode não mudar o mundo, mas com certeza acalma o mundo q há em mim! 🙂

      • A gente tem certo preconceito com jogo do contente, mas hoje acho que dentro do limite da racionalidade e sem perder o pé na realidade, é um ótimo exercício. Como você disse, acalma o mundo dentro da gente.

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