O máximo proveito

Não me lembro da última vez em que joguei fora algo que usei até a última gota. Algo que tenha que ter ido pro lixo por não ter mais qualquer condição de uso. Pensei nisso, hoje, ao tomar a decisão de jogar fora um sapato por estar gasto até não poder mais.

Ganhei o dito cujo no meu aniversário do ano passado, ou seja, há cerca de seis meses. Mas o usei tanto e de tal forma que o pobrezinho aparenta ter pelo menos uns cinco anos de existência.

Depois da decisão de levá-lo para o lixo (porque ele não permite sequer ser doado) fiquei pensando em quantas coisas eu simplesmente deixei de lado porque me cansei, me esqueci ou troquei por algo novo.

Um exemplo disso são minhas bolsas. Para você ter uma ideia do drama, um amigo do trabalho me perguntou esses dias: mas peraí, quantas bolsas você tem? E eu genericamente respondi: muitas. Depois da experiência com o sapato, foi inevitável pensar nas bolsas. E me espantar porque nunca joguei nenhuma fora por excesso de uso. Nunca tirei, de verdade, o máximo proveito de qualquer uma delas.

Em menor ou maior grau, também fiquei imaginando que existem áreas da minha vida em que nunca tirei o máximo proveito. Existem áreas em que nunca tive a experiência de dizer: ah, pronto! Daqui não tenho mais como ir porque avancei além do limite

Comecei a me perguntar se tenho tirado o máximo proveito da minha família, dos meus amigos, de minha capacidade. Claro que não pretendo jogar nenhum deles fora (algumas vezes até penso, mas depois desisto! Brincadeirinha…), mas quero um dia olhar pra trás e dizer: curti até a última gota cada um dos meus amigos. Me esforcei ao máximo e empenhei minha capacidade toda em meus projetos. Vivi os melhores momentos com a minha família.

Na sociedade dos descartáveis, acabamos por levar a filosofia da descartabilidade para tudo em nossas vidas. Enjoei? Troco por um novo. Cansei? Jogo a toalha e desisto. Tá complicado? Deixo de lado e sigo meu caminho.

Tirar o máximo proveito é nadar contra a corrente. E, como tal, exige um esforço extra. Não render-se àquela bolsa linda requer força de vontade. Não desistir de um sonho, idem. Não abrir mão de um relacionamento também. Mas acredite: vale a pena.

Quando nos empenhamos ao máximo no quer que seja, nós saímos fortalecidos. Ampliamos nossos limites, estendemos nossa capacidade. Tirar o máximo proveito de tudo é, no final das contas, um exercício que nos torna melhores.

Assim, dê uma olhada dentro e fora de você. Do que você precisa tirar o máximo proveito? De um relacionamento? Do seu trabalho? De seu tempo? De suas ideias? Depois de escrever esse texto eu decidi, entre outras coisas, tirar o máximo proveito de minhas bolsas. Além da economia, o exercício vai me ajudar numa questão fundamental: o que eu quero eu realmente preciso? Espero ter, no final do ano, boas histórias pra contar nesse sentido.

E aí, simbora tirar o máximo proveito da vida como um todo? 

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