A bailarina

Quando ela entra no picadeiro, todo o universo para. Os movimentos suaves, a delicadeza, fazem dela um ímã que atrai todos os olhares. E todos ficam ali, encantados por sua leveza, hipnotizados por sua beleza.

A saia de tule rodada, com pequenos brilhos incrustados, cria em torno dela uma aura de magia. Enquanto ela gira, a sensação que se tem é que pequenos vaga-lumes a acompanham, dançando em torno daquela que também os encanta.

As fitas que têm nas mãos são um espetáculo a parte. Escondem e mostram o rosto, de traços delicados e sorriso bem marcado. Giram em torno dela, fazendo com que um universo de cores a envolva.

A melodia que a embala lembra o som das caixinhas de música. Não há como não pensar nela, a bailarina, como a doce companheira do soladinho de chumbo. E o gosto de infância, a nostalgia daquele tempo que não volta mais, embala os presentes que seguem hipnotizados por aquela moça.

Cada movimento é acompanhado. Cada passo, bem marcado, é admirado. E, quando menos se espera, todos se sentem exatamente como ela: leves. Parecem deixar de lado aquilo que os pesava, que os obrigava a se arrastar. Parecem desatar-se daquilo que os prendia e simplesmente sentem-se convidados a entrar na dança.

Ao invés de uma única bailarina, tem-se, de repente, um verdadeiro corpo de baile. Formado por homens, mulheres, jovens, velhos, crianças. Ninguém se preocupa se o passo está perfeito, se a roupa é adequada. O que todos querem, simplesmente, é deixar-se envolver pela música. Esquecendo tudo o que pesa, enchendo-se de leveza.

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