A hora dos pequenos

“O mundo é um lugar perigoso de se viver não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”. (Albert Einstein)

Recebi a frase acima em um email, semana passada. E ela ficou fazendo eco no meu coração durante todo o tempo. Talvez, porque, de certo modo, ela me faça lembrar outra frase que a esquerda brasileira usou muito durante os tempos da ditadura (e que meu pai fez questão de nos ensinar): os grandes só continuam grandes porque os pequenos continuam de joelhos.

Ou seja, o grande problema do mundo em que vivemos não é necessariamente o mal. O grande problema do mundo em que vivemos é a nossa atitude diante do mal. O que fazemos diante do que acontece à nossa volta é mais determinante do que o acontecimento em si.

Antes que você imagine as pobres criancinhas africanas passando fome num país longínquo e distante, milhares de pessoas sendo tratadas como escravas em países asiáticos e outras tantas calamidades lá do outro lado do mundo, proponho um exercício um pouco diferente. Pense no mal que acomete o seu mundo, a sua esfera de relacionamento e influência.

Sim, pense na copeira do seu trabalho que muitas vezes é mal tratada por aquele colega sem noção. Pense no porteiro do seu prédio que é obrigado a lidar com adolescentes sem qualquer educação. Pense nas pessoas à sua volta que, desiludidas, simplesmente deixaram de sonhar e não vivem mais. Apenas sobrevivem.

É desse mal que quero falar. Porque o mal que acomete as crianças africanas, os trabalhadores escravos asiáticos, infelizmente é um mal que não está, ao menos nesse momento, ao seu alcance aplacar. Mas o mal que o cerca, o mal que cerca as pessoas à sua volta e da sua convivência, esse sim é de sua inteira responsabilidade.

O que você tem feito em relação às pequenas atrocidades que acontecem no seu dia a dia? O que você tem feito em relação às pequenas atrocidades que você mesmo comete no seu dia a dia? Sim, porque não estamos isentos de cometê-las e precisamos, em todo o tempo, nos policiar para que não sejamos agentes (mesmo que indesejadamente) das mesmas.

Volto a repetir. O problema do mundo não é simplesmente o mal que vemos nele. É a nossa reação diante desse mal. Ok, você pode dizer, mas o que efetivamente se pode fazer? Em primeiro lugar, treine-se para nunca se acostumar. Não se acostume com falta de educação, falta de gentileza, com os pequenos males que te cercam. Depois, permita que a indignação que brota diante deles o faça agir de alguma forma. E não se preocupe se sentir que deu apenas um pequeno passo. Grandes caminhadas (e olha que disso eu posso falar!) começam com pequenos passos.

E nunca se esqueça: se sentir pequeno demais diante dessa grande tarefa, dê uma olhada para baixo. Talvez você perceba que esteve o tempo todo de joelhos!

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