O mágico

Os truques retirados da cartola já não são nenhuma novidade. Em momentos de desespero, sarcasmo. Em momentos de embaraço, ironia. Em momentos de aperto, piadinhas sem graça. E lá vão eles, os mesmos velhos e surrados truques, sendo apresentados, um a um.

A plateia já não vê a menor graça no que é apresentado. Ou melhor, se constrange diante do espetáculo. A família, simplesmente ignora. Os amigos, dão aquelas risadinhas sem graça de quem já não consegue esconder a vergonha alheia. Os colegas de trabalho, se esquivam, evitando assistir mais uma cena.

Só que ele não percebe que as reações da plateia estão diretamente relacionadas aos truques que faz. Reclama da maneira como a família o trata, sempre tão distante. Vive resmungando dos amigos que, de acordo com ele, são uns ingratos. No trabalho se acha um incompreendido. Mas toca sua vida com a mesma cartola e o mesmo fraque surrado. Sem novidades. Sem novos números. Com o velho repertório de sempre.

Até que, num belo dia, se surpreende com a mágica de um terceiro, que por um acaso é um novato no trabalho. Primeiro, se enciúma com a popularidade do novo mágico. Depois, tenta diminuir os truques do moço, chamando-o de exibicionista. Por fim, se aproxima, tentando desvendar os mistérios que saem daquela cartola.

Com a proximidade, percebe que o segredo da mágica do outro é a simplicidade. E que uma pitadinha de honestidade também faz toda a diferença. Se quer ganhar um sorriso, aprende, tire um sorriso primeiro da cartola. Se quer ganhar simpatia, retire da cartola uma gentileza. Se deseja a adesão da equipe, motivação é o coelho do momento.

E, pela primeira vez em anos, talvez décadas, o velho mágico aposenta os antigos truques. Num primeiro instante, se embanana com os novos. Todos eles parecem forçados, mecânicos. Mas com o tempo, e com a reação positiva da plateia, ele vai tomando gosto pela coisa. Até que, num belo dia, se surpreende com o sucesso natural que obtém.

Assim como o velho mágico, muitas vezes não entendemos que é o que retiramos da cartola que determina a reação da plateia. Desejamos, incessantemente o melhor. Mas o que oferecemos, algumas vezes, beira o pior. Que tal, nos próximos dias, surpreender os que estão à sua volta e começar um repertório completamente novo? O brilho nos olhos, a risada, vale a pena, acredite!

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