O trapezista

Naquele ambiente, tudo lhe atrai. As luzes, os cheiros, os sons. Embaixo da lona, tudo é alegria e você consegue sentir a euforia no ar. O picadeiro, logo à sua frente, sugere que grandes emoções estão por vir. Com um saco de pipoca numa mão e uma maçã do amor na outra, você volta a ser criança. E ele, o circo, traz à tona todo aquele fascínio infantil que desaparecera há tempos.

Quando o maior espetáculo da terra tem início, você chega a prender a respiração. O coração dispara e seus olhos, antes tão encantados com tudo à sua volta, agora se prendem àquele que conduz cada um dos números. Palhaços, malabaristas, bailarinas. Os artistas vão se revezando no picadeiro enquanto as emoções revezam-se em seu coração. Admiração, alegria, susto, sobressalto. De repente você não é mais aquele adulto seguro de seus sentimentos. Você é, agora, uma criança capaz das mais altas gargalhadas. E sem qualquer constrangimento.

Até que o grande número da noite é anunciado. O famoso trapezista está a postos e seus olhos não saem de cima dele. No alto, ele se balança. Embaixo, você se balança. E, quando você menos percebe, lá está você agarrado ao balanço. E cá está ele sentado em seu lugar.

Todos os olhos estão presos aos seus movimentos. E você, depois de um primeiro e leve balançar, começa a distinguir alguns dos rostos lá embaixo. Amigos, parentes, amores. A plateia é formada por conhecidos. Alguns gritam para que você se jogue. Outros, para que você se prenda. E você fica ali, balançando, sem saber exatamente o que fazer.

O coração palpitante exige que uma atitude seja tomada. Mas o que fazer? Manter-se preso ou simplesmente se jogar, sem saber aonde exatamente irá parar? Prender-se àquele emprego de sempre ou se lançar rumo a uma possibilidade palpitante? Amarrar-se àquela vida já conhecida ou simplesmente jogar-se rumo a algo inesperado ou ainda não experimentado?

Você fecha os olhos. Sente o vento bater em seu rosto. Imagina tudo o que poderá perder lançando-se de uma vez. Contabiliza o que poderá ganhar caso faça algo assim. Seus braços interrompem os devaneios. É jogar-se ou simplesmente retornar para a plataforma logo atrás de você. O que não dá é pra ficar nessa eterna indecisão.

E, num ato aparentemente impensado, você abre mão da segurança, da zona de conforto, e lança-se no ar, sem saber no que vai dar. Você decide que é hora de abandonar a plataforma, é hora de abrir mão do balanço, e simplesmente pairar no ar. E ali, naquele momento, você finalmente percebe que fora feito praquilo: pra simplesmente voar!

(Imagem: We heart it)

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