Engasgo

Engasgo
Algo não me caiu bem, penso
Engasgo novamente
De certo, eu que não vou bem
Não há o que pare o ato de engasgar
Irrito-me e apelo
Chega, vou beber água
Mas quem disse que adianta?
O engasgo aperta-me, machuca a garganta
Desesperada, tento me acalmar
Não há de ser nada, não há de ser nada
Qual o quê!
O danado continua a me doer
De repente algo me vem à cabeça
Talvez essa pendenga consiga resolver
Decido, com o perdão da expressão, vomitar palavra
Começo com as mais simples
Depois as mais complicadas
Quando dou por mim, estou jogando fora inteiras expressões
Respiro aliviada
O mal-estar não passou de todo
Mas ao menos não estou tão engasgada
Recomeço o ato
Pra ver se logo passa
Só que quando menos espero
Meus olhos resolvem entrar na dança
E enquanto a boca vomita palavras
Os olhos gotejam sentimentos em forma de lágrimas
O vomitar cessa
O gotejar continua
E não dá sinais de que vá parar
Ao que tudo indica
A minha alma, há tempos, também estava a engasgar
Não a reprimo
É a hora dela, coitada, de finalmente se desembaraçar

(Imagem: We heart it)

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