Refém

Refém de mim, carrego o fardo do meu próprio eu.

Existo, logo sou.
A prisioneira, a carcereira.
A ré, a juíza.

Sou, logo, existo.
Presa em meus vícios.
Afundada em minhas virtudes.

Não há quem me liberte.
Não há quem me resgate.

Grito e me escuto.
Escuto e novamente grito.
Faço eco do meu próprio eu.

Contemplo-me no espelho.
Enxergo-me em mim mesma.
Não mais me espanta a figura triste.
Não mais me encanta a tristeza da figura.
Sou. Figura e tristeza.
Existo. Tristeza e figura.

Me arrasto, assim,
Assim, me arrasto.
Caminho dentro em mim.
Num labirinto criado pelo meu próprio eu.
Sou. Pessoa e labirinto.
Existo. Labirinto e pessoa.

Desisto, Insisto. Persisto.
Persisto. Insisto. Desisto.

Arrasto-me por caminhos que criei.
Tropeço em montes que eu mesma inventei.
Levo-me dentro da mala.
A mala me leva dentro de mim.

Não há quem me liberte.
Não há quem me resgate.

Sou eu mesma.
Eu mesma sou.
Existo em mim.
Em mim existo.

Persisto. Insisto. Desisto.
Sou refém de mim.

(Imagem: We heart it)

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